Investigação com cooperação internacional identifica patrimônio milionário enquanto opção apura supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal identificou, durante as investigações da Operação Compliance Zero, uma mansão e um iate atribuídos ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, localizados no exterior e avaliados em aproximadamente R$500 milhões. A descoberta ocorreu por meio de mecanismos de cooperação policial e jurídica internacional, que permitem o compartilhamento de informações entre autoridades de diferentes países. O rastreamento dos ativos foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proferida no dia 28 de julho.
A medida autoriza o uso de instrumentos de cooperação internacional para localizar patrimônios que, segundo as investigações, podem ter sido transferidos para fora do Brasil de forma irregular. Como parte da estratégia para localizar outros bens, a Polícia Federal solicitou a inclusão do nome de Vorcaro na Difusão Prateada da Interpol. O mecanismo permite o rastreamento de patrimônios em países integrantes da organização internacional, facilitando a identificação de ativos que poderão ser alvo de pedidos de bloqueio pelas autoridades locais. De acordo com investigadores, após a localização dos bens, o bloqueio depende da homologação da Justiça do país onde cada patrimônio está situado.
Em uma etapa posterior, caso haja decisão favorável, poderá ser iniciado o processo de repatriação dos recursos ou de perda definitiva dos bens em favor do Estado brasileiro. A Operação Compliance Zero apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e investiga prejuízos relacionados a recursos de fundos de previdência de Estados e municípios.
Segundo a Polícia Federal, as fraudes investigadas podem alcançar cerca de R$40 bilhões. Daniel Vorcaro permanece preso preventivamente no Distrito Federal e é um dos principais alvos da investigação. Conforme informações da Polícia Federal, duas propostas de colaboração premiada apresentadas por sua defesa foram rejeitadas porque não trouxeram informações consideradas inéditas nem incluíram o reconhecimento da prática de crimes pelos investigadores.
Diário do Poder