Essa ‘coisa’ que se impôs ao Brasil

                                                                                                                                                                                              Percival Puggina

Durante os governos militares, anos 60 e 70, surgiram no Brasil algumas dezenas de organizações revolucionárias de base marxista. Mataram, feriram, assaltaram, sequestraram. Por rejeitarem tanto o autoritarismo quanto a democracia e a liberdade, atrasaram a redemocratização. Os adjetivos por trás das siglas com que se tornaram conhecidas diziam o que queriam. Eram revolucionárias, comunistas, maoístas, leninistas, trotskistas, armadas, vermelhas. Como tais se apresentavam. Procure no Google e peça uma lista tão completa quanto possível (porque a primeira resposta traz apenas meia dúzia) e verá que nenhuma fala em democracia ou em liberdade. Algumas traziam o L significando que eram libertadoras, mas sua libertação se referia ao regime instalado e tinha fins totalitários que os adjetivos das demais letrinhas esclareciam bem.

Quando caiu o Muro de Berlim e o Leste Europeu retornou à democracia, Lula e Fidel criaram o Foro de São Paulo. Olhe a lista das quatro dezenas de organizações que o constituíram. Em todas, os adjetivos reproduzem os mesmos objetivos. Muitas ingressariam no processo político e chegariam ao poder, em cujo exercício cuidaram de instituir regimes que protegessem o Estado e inibissem as liberdades inerentes aos cidadãos. Criaram ditaduras, fraudaram eleições, silenciaram a divergência e perseguiram quem se lhes opusesse.

Faço este preâmbulo para afirmar que hoje, quando a “coisa” manda com uso abusivo e ostentatório de poder, esses presos políticos, esses exilados, essas vítimas de assédio estatal, essas confissões exigidas para libertar prisioneiros culpados de ter lado político e participar do protesto do 8 de janeiro, são vítimas de velha cultura política, antagônica à democracia e às liberdades.

Quando essa nova classe chegou ao poder, eu já escrevia há mais de 15 anos para os dois maiores jornais da Capital e para quase todos os periódicos do Rio Grande do Sul, situação que se prolongou por mais uma década e meia. O período todo coincide com a vigência da nova Constituição e nunca, em trinta anos, sofri qualquer restrição à liberdade de expressão. Agora, a “coisa” tem fãs do regime chinês e isso exige cautela.

Quando ainda não havia rede social, e desde que o PT chegou ao poder em 2003, o governo e seu partido se empenharam, isto sim, no que ficou conhecido como “controle social da mídia”. Tentaram impor ao Congresso a criação de um Conselho Federal de Jornalismo para “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão. O sonho dourado do arbítrio para controlar a imprensa, porém, era o fabuloso “Marco Regulatório das Comunicações”. Esses ensaios rumo às arbitrariedades caíram no esquecimento quando chegaram as redes sociais e o velho jornalismo deixou de lado o ideal libertário para se alinhar com o governo contra os adversários comuns. Há mais de dez anos, tempo suficiente para que essa longa história seja esquecida, as redes são o alvo preferido … de ambos.

Quem queria controlar a mídia, agora quer controlar as redes sociais com apoio da mídia. O que pode a sociedade quando o parlamento é submisso, dá o exemplo com o próprio temor e a desejada blindagem é objeto de escambo nos altares do poder?

Desprotegida do próprio parlamento, a sociedade foi e permanece intimidada. Há verdades que a “coisa” considera intoleráveis e às quais reage de modo truculento alegando motivos impróprios. Essa “coisa” em que vivemos vem daí e democracia não é. Contra ela votarei em outubro!  Oh, céus!

Percival Puggina é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org),

 

Senador Rogério Marinho critica encontro de Lula e Alcolumbre na casa de Alexandre de Moraes

Coordenador da campanha de Flávio afirma que articulação política na residência de ministro do STF coloca separação dos Poderes sob suspeita. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, criticou nesta segunda-feira (10) a reunião entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), realizada na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro ocorreu em 4 de agosto e foi mediado por Moraes e pelo ministro Cristiano Zanin. Foi a primeira reunião entre Lula e Alcolumbre, após o Senado rejeitar a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. As relações entre o presidente e o senador estavam desgastadas. Também foram discutidas pautas consideradas prioritárias pelo governo no Congresso.

Em nota, Marinho afirmou que a articulação faz parte da democracia, mas criticou a participação de ministros nas negociações. Para o senador, acordos na residência de integrantes da Corte representa “uma linha perigosa” e coloca em dúvida a imparcialidade.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro também acusou o grupo político ligado ao governo de tentar preservar influência e impedir a vitória do candidato do PL.

“Nossa resposta será nas urnas. Eles têm os acordos. Nós temos o povo”, afirmou Marinho

O senador ainda questionou a atuação de ministros envolvidos em inquéritos com impacto político e eleitoral nas articulações entre Executivo e Legislativo. Zanin foi indicado ao STF por Lula, enquanto Moraes mantém relação institucional próxima com Alcolumbre.

Diário do Poder

 

Sidônio Palmeira, secretário da Secom do Governo é afastado da campanha de Lula e crise aumenta

O chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, está formalmente fora da campanha à reeleição de Lula. É a crise estabelecida ante os resultados ruins que estão chegando no Planalto. Lula já deixou transparecer o seu descontentamento com o trabalho do marqueteiro. Tudo indica que Sidônio será mantido na Secom apenas para evitar que a crise ganhe contornos maiores, mas o seu afastamento do dia-a-dia da candidatura já está decidido.

Por outro lado, percebe-se que a campanha petista tem sofrido com as divisões internas. A guerra nos bastidores ganhou um novo capítulo na semana passada, com a saída do ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, da coordenação da campanha petista, após ser revelado que ele recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger. Pessoas próximas a Marcola apontam fogo amigo no episódio após a divulgação de informações sobre as reações de Lula ao saber do caso.

Jornal da Cidade Online

Governo Lula já tomou dos brasileiros R$2,5 trilhões em impostos, este ano

Eles devem superar em 2026 a tunga de 2025, que chegou a cerca de R$4 trilhões. A partir desta terça-feira (11), o Impostômetro, plataforma da Associação Comercial de São Paulo, passa a registrar R$2,5 trilhões de impostos tomados da população brasileira, apenas em 2026. Nunca um governo tomou tanto dinheiro do brasileiro, tão rapidamente. Até o final deste ano, pela primeira vez na História, o pagador de impostos vai ver sair do bolso mais de R$4 trilhões, outro recorde histórico sob o governo Lula (PT). A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Em 2025, o governo Lula (PT) conseguiu chegar perto, mas foram R$3,98 trilhões tomado dos pagadores de impostos.

Entre 2024 e 2025 a arrecadação cresceu quase 10%: passou de R$3,62 trilhões para R$3,98 trilhões. Este ano vai chegar aos R$4,13 trilhões.

Apesar dos valores estratosféricos, a plataforma Gasto Brasil aponta que o governo já gastou mais de R$900 bilhões a mais do que arrecadou.

Diário do Poder

Trama diabólica de Lindbergh Farias para acusação falsa a Alfredo Gaspar são revelados: Até uma atriz foi contratada

*Por Carlos Arouck

Em depoimento prestado à Polícia Legislativa, um comerciante revelou ter participado de uma trama elaborada para acusar falsamente o deputado Alfredo Gaspar, atual vice na chapa de Flávio Bolsonaro, de abuso sexual. A narrativa, segundo ele, foi montada com a participação de uma jovem identificada como Marcela (também referida como Jailma), que assumiria identidade da operação tinha o objetivo claro de atingir politicamente o relator da CPMI do INSS. Em conversa com Carlos Roberto Lopes, este passou a atacar verbalmente o relator, chamando-o de “canalha”, “safado” e “vagabundo”, e afirmando que “tinham que acabar com a raça desse cara”. Foi nesse contexto que o declarante passou a perceber que a narrativa montada com Marcela seria utilizada como instrumento político contra o parlamentar.

O caso começou a ganhar contornos em 14 de abril, quando a assessora de Gaspar, Marise Pena, relatou ter recebido uma ligação de Luiz Antonio Lopes. Nesse contato, Lopes afirmou ter conhecimento da armação e revelou que sua própria conta bancária havia sido utilizada para receber os pagamentos destinados a Marcela. Foram registrados três depósitos: R$ 10 mil, R$ 4 mil e R$ 2,5 mil, totalizando pelo menos R$ 16,5 mil. Um desses valores, de acordo com o depoimento, teria sido feito por Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer, que chegou a ser preso por determinação da própria CPMI por mentir ao colegiado. O depoente destaca ainda que os pagamentos eram feitos, em regra, por outras pessoas, aparentemente para evitar que os principais envolvidos figurassem diretamente nas transações bancárias.

O detalhe mais grave da história aparece na descrição de uma reunião virtual. Segundo o depoimento, Marcela viabilizou um encontro pelo Google Meet no qual estiveram presentes o próprio deputado federal Lindbergh Farias, Carlos Roberto Lopes, um vereador de Nova Iguaçu conhecido como “Toninho da Padaria” e outras pessoas não identificadas. Durante a reunião, Marcela cobrou o pagamento que lhe havia sido prometido e foi informada de que o valor seria providenciado, o que de fato ocorreu por meio de terceiros. O declarante afirma, segundo sua percepção, que Lindbergh Farias parecia ter ciência do contexto tratado nas reuniões e integrava o conjunto de pessoas que discutiam os desdobramentos da narrativa falsa.

Na avaliação do depoente, o indivíduo chamado Lucas foi apontado por Marcela e também percebido por ele como o mentor inicial da ideia daquela simulação. O conjunto de informações coloca o parlamentar no centro de uma operação que, se confirmada, configura tentativa de manipulação política por meio de acusação fabricada, pagamentos dissimulados e reuniões articuladas com o objetivo de destruir a imagem do relator da CPMI do INSS.

*Por Carlos Arouck

 

 

O policial federal perderá o emprego por expor a verdade sobre ministros do STF e negociatas com Vorcaro

João Nabas. Esse é o nome do mais novo herói nacional. O policial federal arriscou a sua carreira para que as relações de ministros do STF com Daniel Vorcaro viessem à luz do dia, via imprensa. Em casos envolvendo os grandes próceres da República, que detém os cordões do poder, não há outra forma de avançar além de acionar o quarto Poder, a imprensa. Sem as revelações da jornalista Malu Gaspar, o caso Master não existiria, e os milionários ministros Moraes e Toffoli estariam livres de constrangimento até hoje.

Um dos “excessos” da Lava-Jato comumente apontado pelos advogados de defesa e por Gilmar Mendes eram os ditos “vazamentos seletivos” de provas para a imprensa. No entanto, como neste caso, não haveria Lava-Jato se não houvesse a imprensa com suas fontes nas investigações. Em um país em que a justiça funciona somente para quem está fora dos círculos íntimos do poder, a imprensa livre tem um papel fundamental. E não existem denúncias da imprensa sem informantes.

Sim, Nabas violou o sigilo funcional e responderá por isso na forma da lei. Esse é o preço que o herói paga por mostrar as vísceras do sistema político e judicial brasileiro. Vísceras estas que estariam até hoje devidamente enterradas em um processo que nem se iniciaria, dado o sono profundo do PGR. Nabas responderá com o próprio cargo, e até com prisão, pelos seus atos. Até por isso deveríamos ser-lhe gratos pela sua coragem.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

 

Fraudes no INSS: Agora é a vez do senador Weverton Rocha

*Por Luiz Holanda

O rombo financeiro do INSS ficou conhecido como o escândalo dos descontos indevidos das aposentadorias e pensões de segurados, especialmente dos velhinhos, cujo prejuízo é estimado em cerca de R$ 6,3 bilhões. A roubalheira era patrocinada por entidades, sindicatos e associações que firmavam acordos de cooperação para oferecer serviços e cobrar mensalidades dos segurados. Os descontos ocorriam de forma irregular e sem autorização dos aposentados e pensionistas. Como a impunidade entre nós é um princípio fundamental de nossa administração pública, nada vai acontecer. Além disso, a lentidão do sistema judiciário e a prescrição de crimes de colarinho branco alimentam a percepção de que a corrupção compensa. Tantos são os recursos que o processo pode se estender por décadas, adiando ou impedindo o cumprimento de penas.

O esquema abrange autoridades dos três poderes da República, embora de formas e com dinâmicas próprias em cada um deles. Os desvios éticos, ilícitos e os esquemas de corrupção sistêmica ou pontual podem ocorrer em qualquer uma dessas esferas, abrangendo vários tipos como a compra de apoio político (o chamado “toma lá, dá cá”), o desvio de recursos de emendas parlamentares, a corrupção na aprovação de leis de interesse particular ou corporativo e a prática de contratações irregulares de funcionários fantasmas (rachadinhas). A roubalheira no INSS foi mais um tipo. Até o filho do presidente Lula, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, foi envolvido. Atualmente ele responde a três inquéritos da Polícia Federal (PF) autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações giram em torno de suspeitas de tráfico de influência e favorecimento de interesses privados em órgãos e empresas públicas federais, tendo surgido a partir de elementos colhidos na Operação Sem Desconto, que apura as fraudes no INSS. As investigações apuram se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (conhecido como “Careca do INSS”) e a empresária Roberta Luchsinger em negociações e tratativas contratuais voltadas à venda de medicamentos à base de cannabis medicinal para a pasta.

No bolo das investigações estão a Dataprev e o da relatoria do ministro Flávio Dino, que apura conexões e movimentações financeiras envolvendo um ex-chefe de gabinete da Presidência da República (Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”) e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, além de eventuais vazamentos sigilosos relacionados aos casos. Agora surge um novo envolvido, o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão. A PF está investigando o parlamentar por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes e descontos ilegais envolvendo o INSS. Segundo a imprensa, o senador seria o líder do núcleo político e possível beneficiário do esquema investigado na Operação Sem Desconto. Seus familiares (esposa, filha e irmã) sofreram busca e apreensão pela PF, além de aliados e do advogado Willer Tomaz, apontado como integrante do núcleo de lavagem de dinheiro. A investigação aponta também o uso de empresas de fachada, laranjas, circulação de dinheiro em espécie e compra de bens de luxo (imóveis e aeronaves) para ocultar valores desviados.

O senador Weverton Rocha nega todas as acusações de participação no esquema e afirma que não foi pego de surpresa pela operação da Polícia Federal que mirou seus familiares, afirmando encarar a ação com tranquilidade e que “nada tem a esconder”, classificando os fatos como ataques políticos decorrentes de sua atuação e candidatura. A esposa do senador, Samya Bernardes, está sendo solicitada a explicar repasses financeiros que somam cerca de R$ 11 milhões, direcionados a ela por meio de ligações com o advogado e empresário Willer Tomaz.

A defesa alega que os valores são decorrentes de serviços advocatícios regulares. A filha do senador, Arina Catarina Viana Rocha, é citada pela imprensa como atuante no controle financeiro e operacional de postos de combustíveis (Petro São Francisco e Petro São José), cujas contas teriam sido utilizadas para movimentar recursos, adquirir propriedades rurais, pagar maquinário agrícola e realizar transferências a terceiros indicados pelo senador. Uma irmã do senador, Geyse Rocha, gerenciava interesses patrimoniais da família, e a outra, Shainess Kellmassen, é apontada como intermediária em transferências bancárias suspeitas para ocultar a origem dos recursos. O princípio da presunção de inocência está positivado no Art. 5º, LVII, da Constituição Federal e no Art. 8º, item 2, da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), a qual prevê que “toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente a sua culpa”. Uma coisa, porém, é certa: se, por acaso, alguma acusação for comprovada, nada vai acontecer.

*Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

 

Carta do 17º Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

Chamamos quem plantou antes de nós,
chamamos nós para plantar e chamamos quem vai plantar depois de nós.
Hoje não estamos entregando sementes,
estamos devolvendo ao mundo a memória que a TERRA confiou a nós.
Que cada grão encontre chão, e que cada chão encontre gente que cuida.
Semente é promessa.  E promessa quando é do povo, não se quebra.
Que germine o cuidado. Que frutifique a Teia.
Com a força dos troncos velhos, brota a nossa resistência.


Nádia Carvalho
Comunidade Alegria, Território Campestre – Coletivo de Mulheres Trabalhadores do Maranhão – CMTR e

MIQCB

 Nós, quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco babaçu, pescadores e pescadoras, ribeirinhas e ribeirinhos, sertanejas e sertanejos, agricultoras e agricultores, e organizações aliadas que nos reunimos no território quilombola Tanque da Rodagem e São João, Matões, entre 2 e 6 de julho de 2026, celebramos os 15 anos da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão em seu 17º Encontrão. 

 Há 15 anos, a luta quilombola contra um crime do latifúndio – o assassinato de Flaviano Pinto Neto, liderança quilombola do Território Charco, município de São Vicente Ferrer, em 30 de outubro de 2010 – foi abraçada pelos indígenas em um ato de solidariedade; e assim nasceu uma nova aliança entre os povos do Maranhão. Nasceu uma Teia que articula aqueles que se reconhecem na luta pelo direito de ser, estar e permanecer onde os troncos velhos fincaram raízes, brotaram e espalharam sementes.

 A aliança na luta, que marcou o nascimento Teia, passou a constituir a sua essência: acudir e colocar os corpos e corações a serviço dos seus. Assim, os povos da Teia estiveram com o povo Krenjê na retomada que garantiu seu território em 2018. Esteve com os Akroá Gamella quando foram brutalmente atacados por fazendeiros, pistoleiros e políticos em 2017, e quando a polícia sequestrou suas lideranças em 2021 no contexto da luta contra a invasão do território pela Equatorial Energia. E esteve em massa em Tanque da Rodagem, também em 2021, para se juntar à resistência contra a invasão, o desmatamento e a destruição do território por grileiros e seus tratores. 

A violência no campo no Maranhão seria muitas vezes mais brutal se não existisse a Teia.

E hoje, os povos podem comemorar vitórias. Quantos Grupos Técnicos de demarcação de terras quilombolas foram criados! Quanto avançou o reconhecimento do território Akroá Gamella! A ocupação do Incra em julho de 2011, destravou dezenas de processos de titulação. E em breve, o quilombo do Charco, onde ocorreu o martírio de Flaviano Pinto Neto que motivou a ação de 2011, será titulado. Completar 15 anos é também um rito de passagem. É olhar para traz com orgulho, mas também estar consciente de que muito mais coragem, determinação e compromisso são e serão cobrados, porque os inimigos dos povos e dos territórios tradicionais estão cada vez mais gananciosos, vorazes e violentos. 

 Tanque da Rodagem parou tratores e expulsou grileiros com seus corpos, mas o veneno e a soja avançam contra seu território. O agro facínora segue em ritmo veloz, contaminando as águas, destruindo as matas, adoecendo e expulsando o povo em centenas de comunidades no Maranhão, com drones e aeronaves das quais despejam toneladas de venenos sobre nossos Corpos Territórios, numa cruel e prolongada guerra química, sob os olhares complacentes de autoridades públicas.

Assim, neste 17º Encontrão da Teia, os Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, afirmam:

1. Estarem conscientes e dispostos a enfrentarem os/as inimigos/as na luta pela demarcação e garantia dos territórios, pelo enfrentamento ao agro e aos agrotóxicos, contra a lei 14.701 que regulamenta o Marco Temporal para demarcação de terras indígenas e outros ataques contra a destruição dos babaçuais, contra as eólicas nos territórios pesqueiros, e contra governos e empresas que vão tentam nos cooptar, comprar, dividir. Reafirmamos o nosso direito de autodefesa, na forma e nos tempos que aquilo que nos ameaça exige.

  2.  Garantir a reprodução da vida nos territórios e os direitos da natureza, da qual somos parte, é a meta para a construção do nosso horizonte de bem viver.  A Teia pautará e avançará nos debates sobre as legislações que afetam ou promovem os direitos territoriais dos Povos e Comunidades Tradicionais, indígenas e quilombolas, como o decreto de regularização fundiária de territórios tradicionais. Pautará e avançará no encaminhamento das demandas de saúde e educação. Pautará e avançará no debate sobre sistemas produtivos e economia.  Reafirmamos que protegeremos nossa alegria, nossas encantarias, nossas espiritualidades e nossa fé na vida e na força do nosso povo. 

       3.   Nós reconhecemos e reafirmamos como seres políticos, e assumimos o compromisso de enfrentar a extrema direita em todos os espaços onde ela atua. Estamos cientes de que a direita, seus prefeitos, deputados, senadores e candidatos, bem como seu dinheiro, seus empresários e seus aliados busca nossa aniquilação. Estamos cientes de que o atual Congresso é inimigo do povo, e nos comprometemos trabalhar para evitar que esta situação seja radicalmente alterada.

 O 17º Encontrão homenageia e reverencia a memória teimosa de Cu’tetet Krenjê, que ancestralizou, ao cumprir 15 anos de construção da Teia. Ele passou a Borduna para a juventude. As várias gerações que articulam a Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão têm a missão de cumprir estes compromissos e de assumir esta missão. É um compromisso dos brotos novos com seus troncos velhos, aos quais não virarão as costas.

  Território Quilombola Taque da Rodagem/Macaúba/São João
Município de Matões – Maranhão
7 de julho de 2026

Fonte: CPT NACIONAL

 

Operações da PF contra Lulinha e Jaques Wagner ‘queimam’ ministro da Justiça do Lula

Senador indicou Wellington Lima e Silva para o caro de ministro ao qual a PF é subordinada em teoria. Cresce a lista dos que apostam que Wellington César Lima e Silva não terá vida longa no Ministério da Justiça de Lula. No PT, a fritura do ministro se intensificou nas últimas semanas, sobretudo após batida da Polícia Federal em endereços de Jaques Wagner, ex-líder do presidente no Senado, que perdeu a vaga após a operação policial. Para piorar, setores da própria PF andam insatisfeitos com o desempenho do ministro, considerado “meio mole” na defesa da corporação.

Acusado de ingratidão

As críticas contra o ministro são sobre atuação da PF contra Jaques e contra Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Olha o estrago

O aperto da PF ocorre em ano eleitoral e com tudo para ficar ainda pior. Além de Lula, Jaques Wagner também precisa renovar o mandato.

Meu peixe

Jaques foi o fiador de Wellington na Esplanada de Lula. Além de o nomear duas vezes para comandar o Ministério Público da Bahia.

Vapt-vupt

O senador baiano também emplacou o aliado no Ministério da Justiça de Dilma. Durou 11 dias, até o STF mandar escolher entre a pasta e o MP.

Coluna do Claudio Humberto

O rombo do Master fez do BRB um “morto-vivo” na praça bancária com falência iminente

Fosse o BRB um banco privado, o Banco Central teria há muito decretado a sua liquidação. Por motivos não tão misteriosos assim, o Banco estatal de Brasília continua como um morto-vivo na praça bancária. Lembrando como funciona um banco. De um lado, temos pessoas que depositam seus recursos no banco. Do outro, o banco empresta esses recursos para outras pessoas que precisam do dinheiro. No meio, temos o capital do banco, que serve como um colchão para absorver um certo nível de inadimplência. No Brasil, esse colchão deve ser de, no mínimo, 11% do total de empréstimos. Assim, se houver 11% de inadimplência, o capital do banco será suficiente para cobrir os depósitos feitos por aqueles que investiram no banco. Os mais conservadores têm um colchão (chamado de “índice de Basiléia”) mais conservador. Por exemplo, o índice de Basiléia do Itaú é de 16%.

Qual é o colchão do BRB? Não sabemos, porque o banco não divulga balanço desde o ano passado. Depois que torrou o dinheiro dos depositantes em ativos bichados do Banco Master, é provável que o capital do BRB esteja negativo. É para recompor esse capital que o governo do DF está pleiteando um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC, com garantia de seus próprios fluxos de impostos. Como os bancos avaliam que essas garantias são muito frágeis juridicamente, estão reticentes em autorizar esse empréstimo.

Agora, o governo do DF quer mostrar aos bancos que tem capacidade de pagamento, independentemente das garantias. Acompanhem comigo: o governo do DF quer convencer banqueiros experimentados a emprestarem dinheiro, na prática, sem garantias, para um ente da Federação da República brasileira. E isso, para torrar em um banco estatal sem a mínima condição de continuar existindo. Vai dar certo sim.

A questão é que, provavelmente, esses R$ 6,6 bilhões já são insuficientes para recompor o colchão necessário para o BRB voltar a operar normalmente. E pior: quem vai agora, em sã consciência, depositar seus recursos no BRB, tendo como alternativas bancos estatais muito mais sólidos, como Banco do Brasil e Caixa? Ou seja, o BRB é um defunto apodrecendo ao relento, e pedindo por um enterro digno. Faltam mais de três meses para o 2º turno das eleições. Desconfio que seja este o horizonte, para o BC finalmente organizar o sepultamento.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.