José Dirceu, do Mensalão do PT critica equipe econômica de Lula: ‘Fizeram quase um crime’

Ex-ministro da Casa Civil lamenta que o CMN adote política monetária restritiva que pune o desenvolvimento do País. O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal José Dirceu (PT) considerou que a equipe econômica do governo de Lula (PT) errou e cometeu “quase um crime”, ao não buscar alternativas à política monetária restritiva que pune o desenvolvimento do País. Durante entrevista à Rádio Bandeirantes, na manhã desta quinta-feira (11), Dirceu defendia mecanismos para conter a inflação sem esfriar a economia e frear o potencial produtivo do Brasil.

Trecho da entrevista de José Dirceu aos jornalistas Pedro Campos, Guilherme Macalossi e Cláudio Humberto, também do Diário do Poder

“Erraram, erraram! E fizeram quase um crime contra o País. Meta de inflação de 3% em um País que é a 7ª economia no mundo, tem 200 milhões de habitantes, é o 8º país no mundo. Um País que é uma potência tem que fazer política própria, pensar nos seus interesses. O Brasil não tem nenhum problema com os Estados Unidos. Quem tá criando problema… O problema é político com o Brasil”, disparou José Dirceu. A crítica foi feita durante entrevista ao programa Jornal da Gente. Quando Dirceu defendia a redução de jornada de trabalho para 5×2 e novos rumos para a economia, ele foi lembrado de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) é composto por ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, todos indicados pelo presidente Lula. O CNM já foi composto pelos ex-ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, e segue integrado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e pelos atuais ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti. Todos criticados por não adotar uma política monetária de câmbio como a de outros países, imprimindo moeda como saída para o cenário de crise mundial e com guerras, por exemplo.

Diário do Poder

Endividamento recorde atinge 81,6% dos brasileiros e inadimplência avança

Brasileiros endividados, sofrem a pressão dos juros elevados. O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em maio. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% dos lares possuíam algum tipo de dívida no período, acima dos 80,9% registrados em abril e dos 78,2% observados em maio do ano passado. O resultado marca o quinto mês consecutivo de alta e foi divulgado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O levantamento considera compromissos como cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado, empréstimos pessoais, carnês de loja e financiamentos de veículos e imóveis.

A inadimplência também apresentou avanço, passando de 29,7% em abril para 29,9% em maio. Já o percentual de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso permaneceu estável em 12,3%. O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento, citado por 84,6% das famílias. Em relatório, a CNC destacou que a modalidade preocupa devido aos juros elevados do crédito rotativo, em 428,3% ao ano. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, a inadimplência subiu 1,7 ponto percentual em relação ao mês anterior, alcançando 38,6%. Já a parcela de consumidores que se consideram muito endividados chegou a 17%, o maior nível desde junho de 2024.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, os juros elevados continuam pressionando o orçamento doméstico e reduzindo o poder de compra das famílias, mesmo com o processo de queda da taxa Selic ocorrendo de forma gradual.

Por outro lado, a entidade identificou sinais de alívio. O percentual de famílias com dívidas superiores a um ano aumentou para 33,3%, enquanto o comprometimento médio da renda recuou para 29,3%. Entre os inadimplentes, 49,3% possuem contas atrasadas há mais de 90 dias, menor índice do ano, e o tempo médio de atraso caiu para 65 dias. Diante da alta do endividamento nos próximos meses, a CNC avalia que as atenções do mercado se voltam para o programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo com a expectativa de estimular a renegociação de débitos e reduzir a inadimplência.

Diário do Poder

 

Romeu Zema volta a atacar duramente o STF: “É o maior aliado de bandidos e invasores de terras”

O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), publicou nesta quarta-feira (10), em suas redes sociais, um vídeo no qual afirma que “o STF é o maior aliado de bandidos e invasores de terras”. Zema diz ser capaz de acabar com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no país e atribui ao STF a manutenção da posse de áreas ocupadas pelo movimento. Para Zema, o ministro Flávio Dino, alinhado a Lula (PT), é responsável por ter iniciado a “legalização” da invasão de terras:

“Comigo, o MST acaba. O STF decidiu manter nas mãos do MST uma fazenda invadida. É a legalização da invasão no Brasil. Decisão essa que começou com o ministro Flávio Dino, o amiguinho do Lula”.

A fala de Zema refere-se à posição favorável do ministro ao movimento, como a decisão liminar de Dino que suspendeu a ordem de reintegração de posse da Fazenda Brasil, localizada em Gravatá (PE), ocupada por integrantes do MST. A liminar determinou a suspensão da retirada forçada dos ocupantes até a análise definitiva do caso.

Jornal da Cidade Online

Lula gera rombo de R$137,1 bilhões em 1 ano e se queixa de ‘pauta-bomba’ do Senado

Governo Lula conseguiu gastar sem cobertura, mais que no ano da pandemia.

O Senado Federal ignorou as pressões do governo Lula (PT), principalmente do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que se envolveu pessoalmente na tentativa de impedir o que acabou aprovado nesta quarta-feira (10): um projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais que o presidente petista chama de æ pauta-bomba”. O próprio ministro estima que a tal “pauta-bomba” aprovada no Senado produzirá um impacto aos cofres públicos de R$140 bilhões nos próximos 10 anos, valor equivalente a apenas 12 meses de rombo do governo a que ele serve, oficialmente apontado em r$137,1 bilhões.

O projeto chamado de “pauta-bomba” tem a resistência do governo que superou todos os recordes de gastos públicos sem cobertura, registrando um rombo superior àquele verificado durante a pandemia, em 2020, sem que a população enfrente atualmente qualquer tragédia semelhante. A votação no Senado ocorreu no mesmo dia em que comissões do Senado aprovaram uma PEC que afrouxa regras de aposentadoria para agentes de saúde e um projeto que eleva o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas.

Diário do Poder

 

Contra ‘dinistas’ advogado é eleito em lista sêxtupla do TJMA e nomeado desembargador pelo governador Brandão

Votação foi possível após o ministro do STF André Mendonça destravar a indicação. Como o advogado Flavio Costa foi o mais votado na formação da lista tríplice, o governador Carlos Brandão ratificou a indicação da Justiça do Maranhão e o nomeou desembargador do TJMA. Dentro do contexto político, a avaliação é que o governador Carlos Brandão obteve uma importante vitória contra o fracassado grupo “dinista”.

Após três anos de impasse, o advogado Flávio Costa foi finalmente aprovado, nesta quarta-feira (10), como o primeiro nome da lista tríplice para desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e nomeado pelo governador Carlos Brandão. Ele recebeu 20 dos 26 votos. A votação só ocorreu após a uma decisão recente do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubando os atos administrativos que travavam o processo há três anos. Em 2023, a OAB Maranhão encaminhou uma lista sêxtupla para o preenchimento de vaga de desembargador, mas o então presidente do TJ-MA, desembargador Paulo Velten, barrou a participação de Flávio Costa, alegando que o advogado não preencheria o “tempo mínimo” de exercício da profissão. A decisão gerou contestação imediata da OAB e do próprio candidato, mas o processo ficou paralisado por três anos.

A proximidade entre Velten e o grupo político que se opõe ao governador Carlos Brandão ficou evidente um ano depois. Em 9 de janeiro de 2024, o desembargador publicou em suas redes sociais uma foto ao lado de Flávio Dino, então Ministro da Justiça, prestes a assumir o STF. Na legenda, escreveu: “Em visita ao Ministro do STF @flaviodino, em sua ‘quase despedida’ do Ministério da Justiça rsrs”.

Decisão de André Mendonça destrava o TJ-MA

Recentemente, o ministro André Mendonça proferiu decisão anulando os atos administrativos que travavam o processo e determinando seu prosseguimento com a lista originalmente encaminhada pela OAB em 2023. Mendonça não entrou em disputas políticas, apenas garantiu que o rito constitucional básico fosse cumprido.

Com o caminho livre, o atual presidente do TJMA, desembargador Ricardo Duailibe, convocou sessão extraordinária para esta quarta-feira. O resultado foi expressivo: Flávio Costa conquistou 20 votos, confirmando sua viabilidade para a lista a ser encaminhada ao governador. O rito constitucional prevê que a OAB encaminha uma lista com seis nomes, dos quais o Tribunal de Justiça escolhe três e o governador do Estado escolhe um dos integrantes da lista tríplice para ocupar a vaga.

Contraste: TCE continua bloqueado por Dino

Enquanto o TJ-MA destrava com a decisão de Mendonça, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) permanece com duas vagas abertas há mais de dois anos — impedindo que a Assembleia Legislativa e o governador exerçam suas prerrogativas constitucionais, após decisão monocrática do ministro Flávio Dino.

Flávio Costa também era o favorito para uma dessas vagas no TCE. A ação que travou o processo foi apresentada pelo Solidariedade. O partido na época era presidido por Flávia Alves, irmã do deputado Othelino Neto, marido da senadora Ana Paula Lobato, que assumiu a vaga de Flávio Dino no Senado quando o ex-governador assumiu cadeira no STF. A ação questionava o rito de escolha. Curiosamente, é o mesmo rito que Dino utilizou quando era governador do Estado.

Mesmo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestarem pela perda do objeto da ação, Dino mantém a suspensão. Mais grave ainda: no âmbito desse mesmo processo, Dino acatou a manifestação de uma advogada de Minas Gerais, sem relação com o caso e que apresentou documentos já reconhecidos como falsos, para transformar parte do caso em um inquérito na Polícia Federal que investiga o próprio governador Carlos Brandão. O episódio consolida uma percepção crescente: um pequeno grupo de cinco aliados de Flávio Dino, que se autodenomina “dinista”, tem utilizado a via judicial para tentar tutelar o governo de Carlos Brandão, impedindo que o governador construa sua própria identidade e faça suas indicações institucionais. Enquanto o TJ-MA destrava sob a análise de um ministro distante da disputa local (Mendonça), o TCE permanece congelado sob a caneta de Dino.

Diário do Poder

 

Flavio Dino impõe multa a Estados e Municípios por omissão em prestação de contas de ‘emendas PIX’

Entes federativos que receberam recursos por meio de “emendas Pix” entre 2020 e 2024 para a promoção de eventos estarão sujeitos a multa diária correspondente a 1% do valor da emenda recebida caso permaneçam omissos na apresentação de planos de trabalho, na complementação de documentos já cadastrados ou na entrega de relatórios de gestão na plataforma Transferegov.br.

A multa se aplicará a estados e municípios que deixarem de apresentar as informações exigidas para o controle de emendas parlamentares destinadas ao setor de eventos. A decisão é do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, que acompanha a implementação de mecanismos de transparência e rastreabilidade dessas emendas. A decisão decorre do monitoramento feito pelo STF da execução do plano de trabalho firmado entre os Poderes Executivo e Legislativo para aprimorar a transparência das emendas parlamentares.

Ao analisar informações encaminhadas pela Advocacia-Geral da União, Dino concluiu que ainda existem falhas significativas na prestação de contas de recursos destinados a eventos, especialmente aqueles executados por empresas beneficiadas pelo Programa Emergencial da Retomada do Setor de Eventos (Perse).

Segundo os dados que constam nos autos, foram identificados 126 planos de trabalho relacionados ao tema. Desses, 54 ainda dependem de complementação de informações, enquanto 72 já foram aprovados. A AGU também informou que, entre os novos relatórios de gestão analisados, foram encontradas empresas beneficiadas pelo Perse em 11 dos planos examinados.

Ao justificar a medida, o ministro afirmou que a ausência de documentação compromete a rastreabilidade dos recursos públicos e dificulta a fiscalização da correta aplicação das verbas. Dino destacou que a situação é especialmente preocupante quando envolve empresas contempladas por incentivos fiscais do Perse, programa criado para apoiar o setor de eventos após a pandemia da Covid-19.

“Tal situação evidencia persistentes deficiências de transparência e rastreabilidade na destinação de emendas parlamentares voltadas à promoção de eventos, comprometendo a verificação da adequada aplicação dos recursos públicos e a efetividade dos mecanismos de controle institucional, especialmente em hipóteses nas quais as verbas beneficiam empresas contempladas pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos — Perse, regime que, em razão dos expressivos benefícios fiscais concedidos, exige elevado grau de integridade e controle na gestão das verbas públicas envolvidas”, afirmou Dino na decisão.

O magistrado observou que a falta de informações impede a verificação da legalidade dos gastos e representa descumprimento reiterado de determinações já proferidas pelo STF ao longo do último ano.

Ministério terá de identificar inadimplentes

Dino atribuiu ao Ministério do Turismo a responsabilidade de identificar os estados e municípios que permanecem em situação irregular e notificá-los sobre a incidência da multa. A pasta terá prazo de dez dias para fazer o levantamento e comunicar os entes federativos afetados. E também deverá apresentar informações atualizadas sobre as emendas destinadas a eventos que ainda não possuem planos de trabalho adequados ou prestação de contas suficiente.

Os valores arrecadados com as multas deverão ser destinados a uma conta específica administrada pela União para financiar ações de transparência, controle, rastreabilidade e auditoria de emendas parlamentares, sob gestão do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e fiscalização da Controladoria-Geral da União.

CGU fará auditoria

A decisão determina ainda que a Controladoria-Geral da União promova auditorias completas nos casos em que os entes federativos já tenham planos de trabalho aprovados e relatórios de gestão. As auditorias deverão examinar a consistência da documentação apresentada, a compatibilidade entre os objetos financiados e os contratos firmados, a adequação dos preços praticados, os valores efetivamente pagos, a proporcionalidade entre os recursos empregados e o porte dos eventos promovidos, além da suficiência das comprovações de execução dos projetos.

A CGU terá cinco dias úteis para apresentar um cronograma de execução das auditorias, que deverão integrar o plano de fiscalização das emendas parlamentares previsto para 2026. Na mesma decisão, Dino também determinou que a Casa Civil seja comunicada para adotar providências relacionadas à revisão das chamadas “portarias-cardápio” de ministérios. Essas normas definem quais tipos de projetos podem receber recursos de emendas parlamentares.

A medida foi motivada por manifestação técnica da CGU, que identificou avanços nas alterações promovidas por alguns ministérios, mas apontou a necessidade de novos aperfeiçoamentos para evitar excessiva generalidade na definição dos objetos financiados e reduzir riscos de fragmentação e pulverização dos recursos públicos.

SP apresenta defesa

Dino também analisou questionamentos apresentados por entidades da sociedade civil sobre suposta individualização de emendas da bancada federal paulista, prática vedada pela Lei Complementar 210/2024. As organizações mostraram reportagens segundo as quais parlamentares paulistas destinaram recursos para programas escolhidos pelo governo estadual em troca da possibilidade de indicar verbas para municípios específicos. O governo de São Paulo negou irregularidades e sustentou que os recursos foram destinados a políticas públicas estruturantes nas áreas de saúde e segurança pública, com execução centralizada e sem pulverização dos valores entre beneficiários individualizados.

Fonte: CONJUR

 

CNJ quer exigir autorização judicial para influenciadores mirins

Proposta prevê controle sobre conteúdos produzidos por crianças e adolescentes e inclui proteção financeira e escolar.

O CNJ apresentou nesta terça-feira (9) uma proposta que cria regras para a participação de crianças e adolescentes na produção de conteúdos artísticos e publicitários em plataformas digitais. Pelo texto, conteúdos que explorem de forma habitual a imagem, a rotina ou a atuação de menores de idade em redes sociais dependerão de autorização judicial prévia para serem veiculados. A medida possui validade de 12 meses para crianças e 18 meses para adolescentes.

Segundo o grupo de trabalho responsável pela proposta, a regulamentação busca impedir que a atividade de influenciadores mirins fique submetida apenas a métricas de engajamento e interesses comerciais, sem mecanismos de proteção.

Relator da matéria, o conselheiro Fábio Esteves afirmou que o alvará judicial funcionará como uma garantia do direito ao não-trabalho infantil e permitirá que magistrados imponham condições específicas para preservar o desenvolvimento dos menores. Entre as salvaguardas previstas estão a manutenção da frequência escolar, a preservação do tempo destinado ao lazer, ao convívio familiar e ao descanso, além da possibilidade de proteção patrimonial dos valores obtidos com a atividade digital.

A proposta também autoriza juízes a determinar regras sobre a administração dos rendimentos gerados por crianças e adolescentes nas plataformas. Após a apresentação ao Conselho, o texto seguirá para votação. O presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin, informou que a análise da proposta está prevista para a sessão do próximo dia 23/06.

Diário do Poder

‘Trincheira da Liberdade’ e ‘Equívocos e Fragilidades da Reforma Tributária do Consumo’: 02 livros em prol da cidadania

                                                                                                                             *Ives Gandra Martins

O cientista político Luiz Felipe D’Avila, o economista Marcos Cintra, o diretor da Faculdade Brasileira de Tributação, Filipe Silva, e eu preparamos dois livros em prol da cidadania. As obras contam com a colaboração de mais de 40 dos mais importantes juristas e professores do Brasil, especialistas em suas respectivas áreas de atuação, para tentar, de forma científica e racional, auxiliar todos os segmentos da sociedade a pensar sobre o nosso atual cenário político, econômico e social, bem como sobre o futuro do País.

O primeiro livro, “Trincheira da liberdade”, sob a coordenação de Luiz Felipe D’Avila e minha, analisa a importância de uma democracia baseada na liberdade de expressão — considerando que a palavra é a grande arma de uma sociedade democrática —na liberdade de empreendimento — essencial para permitir o desenvolvimento, como ocorre nas grandes nações — e na liberdade religiosa.

Defendemos que aqueles que acreditam em Deus não podem ser escanteados sob a alegação de um termo que sequer existe na Constituição: o “Estado laico”. O que a Carta Magna estabelece, em seu artigo 19, é que as instituições públicas e as religiosas são esferas diferentes, cada uma com seu próprio estatuto. Isso não significa que o cidadão de fé esteja impedido de opinar e manifestar suas convicções de ordem moral, ética, familiar e profissional para o bem da nação. Trata-se da liberdade na sociedade, a ser respeitada pelos Poderes para que — após a histórica luta que travamos na OAB de 1979 a 1984, período em que fui conselheiro da instituição para restabelecer uma autêntica democracia no Brasil — não vejamos a liberdade manietada com a banalização de prisões e o receio das pessoas em falar.

O nosso “Trincheira da Liberdade” objetiva, por meio de grandes autores, empresários, economistas, juristas e jornalistas, reunir aqueles que desejam que o Brasil volte a ser a democracia sonhada na Constituição Federal de 1988 (como declara seu relator Senador Bernardo Cabral), a qual Ulysses Guimarães chamou de “Cidadã”. O propósito é termos novamente, aqui no País, uma democracia na qual as ideias de esquerda e de direita sejam apresentadas em um debate elevado, e sob o pálio do discurso do ódio.

O título do segundo livro é “Equívocos e fragilidades da reforma tributária do consumo”. Este eu coordeno com o economista Marcos Cintra e com Filipe Silva. A obra reúne mais de uma trintena de autores, todos abordando os enganos e erros que estamos detectando no atual texto da reforma tributária. Os artigos apontam como teríamos de corrigir determinados pontos e discutem o amesquinhamento da federação em um cenário no qual ela será reduzida e dominada por um conselho gestor em Brasília.

A análise rigorosa da ordem jurídica e tributária não constitui mero exercício acadêmico, mas necessidade urgente para salvaguardar a segurança jurídica e a autonomia dos entes federativos. Sem diretrizes técnicas claras, as reformas estruturais correm o risco de desfigurar os pilares que sustentam o equilíbrio entre os Poderes e a livre iniciativa.

Propomos, por meio desta união de mentes brilhantes, resgatar o espírito de conciliação nacional, essencial para o fortalecimento das nossas instituições. A verdadeira maturidade política de uma nação se manifesta quando o conhecimento especializado serve de farol para iluminar as decisões coletivas, superando radicalismos e paixões partidárias efêmeras.

Nossa meta é ter os dois livros publicados ainda em agosto, antes do período eleitoral, para permitir que o eleitor e todos aqueles que se interessam por esses temas possam ler as diversas posições de múltiplos autores e, assim, tomar uma decisão consciente entre as propostas que os candidatos apresentarão para o pleito de outubro, que elegerá o Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

Esperamos, dessa forma, junto a todos os nossos amigos e coautores, dar uma sólida contribuição de cidadania para pensarmos o Brasil de forma racional, técnica e soberana. O objetivo é buscar a melhoria real do País, independentemente de disputas que visem meramente ter poder.

Trata-se de uma proposta de cidadãos, e não daqueles que almejam apenas conquistar o governo. Afinal, a função do cidadão é lutar por seu país para consolidar a verdadeira democracia, que é o que de fato constrói uma grande nação.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentin a), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia)

 

“Soltar quase 50% dos criminosos nas audiências de custódia é um absurdo,” diz procurador de justiça

Com mais de 30 anos atuando no enfrentamento de criminosos no Rio de Janeiro, o procurador Marcelo Rocha Monteiro expôs de forma alarmante a leniência do sistema de justiça criminal brasileiro, durante participação no JCO Entrevista, com Diogo Forjaz. Um dos momentos mais impactantes e revoltantes de sua fala ocorreu ao relembrar uma declaração do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O procurador destacou que Lewandowski celebrou publicamente o fato de que quase 50% dos criminosos presos em flagrante no Brasil são soltos em até 24 horas, graças às audiências de custódia. 

Monteiro classificou a visão do ministro como um absurdo, contrastando com o sucesso de países como El Salvador, que zeraram seus índices de homicídios exatamente por manterem os criminosos severamente encarcerados. Para o procurador, soltar rapidamente quem foi pego cometendo crimes graves reflete uma mentalidade esquerdista hegemônica, que insiste em tratar delinquentes impiedosos como meras vítimas da opressão capitalista.

Jornal da Cidade Online

CNJ é acionado para apurar decisão do perdão de juíza para mãe do menino assassinado Henry Borel

A conduta da juíza que presidiu o julgamento dos acusados pelo assassinato do menino Henry Borel será apreciada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou na segunda-feira (8), uma reclamação disciplinar contra a juíza Elizabeth Machado Louro. O parlamentar pede a instauração de procedimento de apuração disciplinar contra a magistrada. Magno Malta argumenta que, conforme declarado publicamente pelo promotor de Justiça Fábio Vieira dos Santos – membro do Ministério Público que atuou no caso Henry Borel -, a atuação da juíza teria influenciado diretamente o convencimento dos jurados em ponto sensível do julgamento sobre Monique Medeiros, alterando de forma significativa o alcance jurídico das respostas anteriormente fornecidas pelo Conselho de Sentença.

Segundo o representante do MP, a juíza “mudou completamente o alcance do [voto] ‘sim’ e do [voto] ‘não’”. Magno Malta afirma que “a controvérsia ganhou ainda maior gravidade em razão da fundamentação utilizada pela magistrada na sentença posteriormente proferida”. O senador ressalta que, após a desclassificação da imputação para homicídio culposo por omissão, a magistrada concedeu perdão judicial a Monique Medeiros.

“Sobre esse ponto, o representante ministerial afirmou publicamente que a decisão teria incorrido em ‘duplo equívoco jurídico’, sustentando que os jurados já haviam sido expressamente questionados acerca da absolvição da acusada após o reconhecimento da omissão, tendo respondido negativamente ao quesito absolutório”.

Porém, prossegue o senador, ao fundamentar a decisão, a juíza “ultrapassou considerações estritamente técnico-jurídicas e passou a desenvolver argumentação assentada em elementos sociológicos, ideológicos e valorativos relacionados à condição feminina da acusada”. Na leitura da sentença, a magistrada afirmou que Monique Medeiros teria sido submetida a “reação desproporcional e desmesurada da sociedade em geral em face da conduta imputada à acusada, na modalidade omissiva, claramente discriminatória de gênero, influenciada pela cultura patriarcal que lamentavelmente ainda norteia e permeia a mentalidade e as práticas sociais”.

Além disso, ela declarou que “fosse o pai e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado”. Conforme a magistrada ainda, “o papel culturalmente reservado à mulher nos moldes arcaicos não só dela exige ser mãe, mas muito além: a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta”. Magno Malta afirma que essas declarações da juíza “provocaram profunda perplexidade social e institucional, sobretudo porque revelam possível adoção, pela julgadora, de premissas ideológicas e sociológicas dissociadas da estrita análise técnico-penal do caso concreto”.

Jornal da Cidade Online