Jogo de cena: Decisão de Alexandre de Moraes contra Flavio dividiria ministros do STF

Alguns ministros do STF e integrantes da gestão de Lula teriam discordado da apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro. Há quem critique a questão de juízo de valor em que ministros acusados de corrupção tentam ostentar falso moralismo público.

Quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) teriam considerado equivocada a ordem de Alexandre de Moraes para apreender o passaporte do senador Flávio Bolsonaro. A decisão saiu na noite de domingo, 25, no mesmo dia e minutos depois, em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a derrota do parlamentar na eleição presidencial.

A ordem e a execução

Segundo a colunista Malu Gaspar, a Polícia Federal (PF) pediu a apreensão sete minutos depois de o TSE confirmar o resultado. Moraes aceitou o pedido na mesma noite, sem consultar antes a Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF cumpriu a ordem na manhã de segunda-feira, 26. Flávio visitava o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Moraes apoiou a decisão em três elementos. O primeiro é uma declaração de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, de que Flávio deveria deixar o Brasil se fosse derrotado. O segundo são fotografias de Flávio ao lado do advogado Willer Tomaz, que indicariam a amizade entre os dois, idênticas as inúmeras que mostram ministros do STF com corruptos. O terceiro é uma conta bancária ligada a Tomaz na qual o senador aparece como “usuário master”. Dados do banco enviados à PF, no entanto, negam que Flávio seja usuário da conta.

Reações ao despacho

Os ministros do STF que criticam a decisão afirmam que ela ratifica o discurso de perseguição política que Eduardo difunde sobre a sua família. Eles esperam que o argumento ganhe força caso o senador deixe o país. O governo dos Estados Unidos já informou que fornecerá documentos para que Flávio e seus parentes permaneçam em território americano. Integrantes do governo Lula dividem a avaliação sobre o momento da ordem. Para esse grupo, a apreensão feita logo após a derrota nas urnas pode gerar confusão, porque a decisão judicial não tem relação com a eleição.

O Antagonista

 

Câmara aprova convite a Roberta Luchsinger lobista de Lulinha PT, acusada e denunciante de corrupção

Ex-sócia de Lulinha foi convidada a pedido do deputado Sanderson (PL-RS). A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (27), um requerimento do deputado Sanderson (PL-RS) para convidar a empresária e lobista Roberta Luchsinger a prestar esclarecimentos sobre investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O requerimento solicita que a lobista indique eventuais elementos que possam ser encaminhados às autoridades responsáveis, respeitados os sigilos legais e judiciais.

Luchsinger é investigada pela Polícia Federal em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), em apurações relacionadas a corrupção e tráfico de influência em órgãos federais. Segundo a PF, ela seria o elo entre Antunes e Lulinha. Relatório menciona cinco pagamentos de R$ 300 mil feitos por Antunes à lobista. A defesa de Luchsinger afirma que os valores correspondem a honorários por serviços de consultoria e nega irregularidades.

Diário do Poder

 

Por trás da fuga de Flávio está o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, diz aliado de Trump

Segundo o empresário mexicano Simón Levy, o senador brasileiro já está em território americano. Aliado de Donald Trump, o empresário mexicano Simón Levy atribuiu ao Secretário de Estado americano, Marco Rubio, a operação de fuga que levou Flávio Bolsonaro aos EUA. Segundo o empresário, o senador brasileiro já está em território americano.

“Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula”, publicou Levy no X.

A fuga de Flávio

Aliados do senador confirmaram a O Antagonista que ele deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde vive foragido o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, seu irmão. O senador foi intimado na segunda, 26, a entregar seus passaportes e também impedido de deixar o país. Ele tinha até as 11 horas desta terça para entregar os documentos, mas não o fez. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega dos passaportes e proibiu Flávio de deixar o território nacional diante do risco de uma eventual saída do Brasil enquanto avançam as investigações que envolvem o senador. A medida foi tomada no inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas na relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, que vive nos Estados Unidos.

PF tinha pressa

A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a derrota do candidato à Presidência do PL no segundo turno. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, atendeu à solicitação ainda na noite de domingo, 25, sem nem ao menos consultar a Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo O Globo, a representação da PF tem 16 páginas e foi assinada digitalmente às 21h16 de domingo. A vitória de Lula foi matematicamente confirmada pela Justiça Eleitoral às 21h09. O pedido se baseia no fato de Flávio ser listado como “usuário master”

O Antagonista

 

Perseguido e ameaçado de prisão por ministros do STF, Flávio Bolsonaro deixa o Brasil rumo aos EUA

Informação foi confirmada por fontes ligadas ao PL, sigla partidária do parlamentar. O senador Flávio Bolsonaro (PL) partiu nesta terça-feira (27) para os Estados Unidos (EUA) dois dias após sua derrota nas eleições presidenciais contra Lula (PT) e diante de evidências de que seria iminente a sua prisão, por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes. A informação da saída de Flávio, na companhia da esposa e das duas filhas, foi confirmada ao Diário do Poder por fontes ligadas ao PL, sigla partidária do parlamentar. O coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), havia negado, em primeiro momento, que a informação de que ele teria ido à Argentina e, logo depois, aos EUA. O Governo de Javier Milei afirmou nesta terça-feira (27), em nota divulgada pelo órgão de migração do país, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não está na Argentina. O parecer vem após uma onda de informações de que o candidato à presidência teria saído do Brasil nesta madrugada. Em nota divulgada, sob caráter sigiloso, o país afirma que o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não tem registro de entrada.

O site Infobae repercutiu ainda na madrugada que o senador que concorreu ao pleito eleitoral no último domingo para a presidência da República, havia pegado um avião que teria seu destino final chegar aos Estados Unidos (EUA). Em uma primeira resposta, o coordenador de campanha de Flávio Rogério Marinho (PL-RN) afirmou ao Metrópoles que ele se encontra no Brasil e que a notícia de sua saída é falsa.

Por ordem de Alexandre de Moraes (STF), Flávio foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes até as 11 horas desta terça-feira, após ser alvo de um novo inquérito que tramita no STF. A decisão de confiscar os passaportes foi adotada 7 minutos depois da confirmação da vitória de Lula (PT), na noite de domingo (25). Pela manhã, aliados e a defesa do senador não conseguiam entrar em contato com o senador. Após consenso, aliados afirmaram que Flávio partiu para os EUA.

Diário do Poder

O Brasil de Lula: São 63,9 milhões de adultos sem educação básica completa

Contingente até caiu, mas 51% dessa queda se deve à morte de pessoas mais velhas que nunca tiveram acesso à escola. O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que interromperam os estudos sem concluir a educação básica (ensino fundamental + ensino médio), o que representa 37,3% da população nessa faixa etária. Do total, 44,7 milhões nãoterminaram o ensino fundamental e 19,3 milhões não concluíram o ensino médio. A Educação de Jovens e Adultos (EJA), principal caminho para esse público, alcança apenas 1,5% da demanda potencial, segundo levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva.⁠ Pessoas pretas e pardas formam 63,9% desse grupo (enquanto representam 55,5% da população brasileira, segundo o Censo 2022) e concentram 76,8% das matrículas na EJA. O relatório “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho”, divulgado pela Folha, foi elaborado com participação das fundações Roberto Marinho, Bradesco, Itaú e Arymax, em cooperação com a Unesco e apoio técnico do Iesp-Uerj. Ele reúne dados da Pnad Contínua 2025 (IBGE), do Censo Escolar 2024 e do Censo Demográfico 2022.

Redução veio mais da mortalidade do que da escolarização

O contingente sem educação básica completa caiu 16% entre 2012 e 2025. Porém, 51% dessa queda se deve à morte de pessoas mais velhas que nunca tiveram acesso à escola. O restante se explica por quem conseguiu concluir os estudos: 23% no ensino regular, 8% na EJA e 17% por outras vias. Silvana Oliveira, superintendente do Itaú Educação e Trabalho e uma das responsáveis pelo estudo, defende mudanças estruturais: “Não basta abrir mais vagas. A escola precisa caber na vida do estudante. É necessário oferecer currículos flexíveis, diferentes formatos de organização, horários compatíveis com a jornada de trabalho e políticas de permanência”.

Impacto econômico e social

A baixa escolaridade está associada a menores rendimentos e maior pobreza. A renda domiciliar mensal por pessoa no grupo sem educação básica completa é de R$ 1.427 — cerca de 51,4% da renda de quem concluiu essa etapa (R$ 2.777). A taxa de pobreza é 1,8 vez maior nesse grupo. Entre os ocupados sem ensino fundamental completo, apenas 38,4% têm emprego formal, contra 65% daqueles com ensino médio completo. Em uma simulação, se 32,5 milhões de pessoas (cerca de metade do público potencial da EJA) concluíssem a educação básica, o país teria um ganho estimado de R$ 66 bilhões por ano em renda do trabalho — o equivalente a 0,6% do PIB. Desse total, R$ 43 bilhões viriam de aumentos salariais de quem já trabalha e R$ 23 bilhões da entrada de novas pessoas no mercado.

Perfil e barreiras por gênero e idade

Entre homens que não concluíram os anos iniciais do fundamental, 48,4% têm 60 anos ou mais; entre as mulheres na mesma situação, a proporção sobe para 61,2%. Já no grupo com ensino médio incompleto, a maior concentração está entre adultos de 30 a 49 anos.As razões para o abandono e as dificuldades de retorno também diferem por gênero: Entre homens de 15 a 29 anos, o trabalho foi o motivo de abandono para 53,9% e o  principal obstáculo para voltar para 61,7%. Entre mulheres da mesma faixa etária, as responsabilidades familiares dificultam o retorno para 34,9%, e a gravidez foi citada como motivo de abandono por 22,9%. O diagnóstico reforça que o envelhecimento da população está “resolvendo” parte da estatística por mortalidade, enquanto a capacidade de escolarizar adultos em idade produtiva permanece limitada — exigindo políticas mais flexíveis e conectadas à realidade de trabalho e família.

Diário do Poder

 

Líder do partido Chega, de Portugal, defende que eleitores do PT e de Lula retornem ao Brasil

“Assim podem viver nessa ditadura e nessa miséria em que o Brasil se está a tornar e que eles tanto gostam”, escreveu o político. O líder do partido Chega, André Ventura, de direita, publicou esta segunda-feira (26) um reel no Instagram afirmando que, “no que depender” dele, os brasileiros residentes em Portugal que votaram no PT e em Lula, a quem sempre se refere como “Ladrão”, deveriam regressar ao Brasil. Na legenda do vídeo, Ventura escreveu: “No que depender de mim, essa malta que votou PT e Lula ia tudo de volta, assim podem viver nessa ditadura e nessa miséria em que o Brasil se está a tornar e que eles tanto gostam!”.

A publicação, feita na conta oficial @andre_ventura_oficial, acumulava cerca de 26 mil “likes” e mais de 3 mil comentários poucas horas após a publicação. A declaração surge no dia seguinte à confirmação da vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, em que o candidato do PT obteve cerca de 51,7% dos votos contra Flávio Bolsonaro (PL). Ventura já tinha manifestado publicamente o descontentamento do Chega com o resultado e defendido que Portugal deveria aguardar a verificação judicial do processo eleitoral antes de reconhecer a vitória de Lula, a quem classificou como “símbolo de tudo o que nós não queremos nas nossas democracias”.

A comunidade brasileira é uma das maiores de estrangeiros em Portugal. A mensagem de Ventura insere-se num padrão de críticas recorrentes do líder do Chega a Lula, a quem o político já chamou também de “bandido” em intervenções anteriores, e de posições críticas relativamente a manifestações de apoio ao presidente brasileiro em território português.

Os comentários na publicação refletem reações polarizadas: há apoios explícitos à proposta de regresso e críticas a quem, na ótica dos apoiantes, “destrói tudo”, mas também ironias de brasileiros que sugerem que Ventura envie os petistas de volta enquanto eles próprios permanecem em Portugal ou que “o Brasil está ótimo”. Até ao momento, não há reações oficiais de autoridades portuguesas ou de representantes da comunidade brasileira em Portugal à publicação específica. O Chega tem, no seu discurso, enfatizado questões de imigração e de soberania, embora o partido tenha historicamente focado críticas mais intensas noutros grupos de imigrantes.

Diário do Poder

 

Mais impostos para pagar: São R$ 298 bilhões das medidas eleitorais para reeleição de Lula

Agora Lula (PT) tenta arrumar os R$298 bilhões do custo da reeleição, somatório das 35 medidas caça-votos em pleno ano eleitoral, apesar da proibição na Lei da Eleição (9504/97), enquanto o TSE oficial e o paralelo, no STF, fingiam-se de mortos. Dario Durigan (Fazenda), um gozador, mostrou-se mais preocupado com a falta de “racionalidade” da queda recorde da bolsa, de quase 17%, reflexo do pessimismo com a irracionalidade nos gastos e o desprezo petista pelo equilíbrio fiscal. Os pagadores de impostos  voltarão a ser explorados para atender as insanidades de Lula.

Some R$27,7 bi

Somente o aumento do Bolsa Família terá impacto de R$22,7 bilhões no ano que vem, e mais R$5 bilhões serão torrados no Desenrola 3.

Conte mais R$12 bi

Outro deboche à Lei da Eleição, o transporte gratuito em fins de semana, terá custo estimado em R$12 bilhões no ano que vem.

Pix de dinheiro alheio

Em decisão tida como compra descarada de votos, Lula anunciou Pix de R$ 5 mil para cada microempreendedor. Noves fora, mais R$ 5 bilhões.

Acrescente R$ 5,3 bi

As medidas demagógicas também derrubam a receita de impostos. O fim das bets diminuirá a arrecadação federal em R$ 5,3 bilhões, em 2027.

Coluna do Claudio Humberto

O Poder que tudo pode: Ministro Alexandre de Moraes confisca passaporte de Flávio Bolsonaro

Decisão do STF intima o senador a entregar os documentos em 24 horas. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de manter contato com o empresário e advogado Willer Tomaz. A decisão também determina o cancelamento dos passaportes do parlamentar e a entrega, em até 24 horas, de documentos de viagem de outras nacionalidades que estejam em seu nome.

Flávio e Willer são investigados no mesmo inquérito, que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A investigação envolve empresas ligadas ao advogado e ao setor de apostas on-line. Neste ano, Tomaz também foi alvo da operação Sem Desconto, que investiga irregularidades em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as informações divulgadas, ele deixou o Brasil para morar nos Estados Unidos.

Diário do Poder

Donald Trump diz que eleição no Brasil pareceu “manipulada”

Republicano afirmou não ter apoiado nenhum candidato, mas fala em pleito “corrupto,” O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 26, que a eleição presidencial brasileira que deu a vitória a Lula (PT) pareceu “manipulada”.

Questionado por uma repórter sobre a possibilidade de fraude, o republicano disse que o pleito pareceu “corrupto”. Trump, contudo, ressaltou que não apoiou nenhum candidato. “Bem, pareceu terrível para mim. Achei que pareceu terrível. Eu não tomei partido, mas pareceu uma eleição manipulada, francamente. Eu não tomei partido, mas foi uma imagem terrível para o mundo. É outra eleição. Você sabe que eleições devem ser inquestionáveis. E pareceu muito ruim para mim. Eu não tomei partido. Não apoiei ninguém nem nada. Mas eu assisti à eleição. Pareceu tão corrupto, tão terrível”, disse.

Trump também afirmou gostar de Lula, mas disse que a prorrogação concedida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi estranha. ‘Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranho”, acrescentou.

Vitória de Lula

A disputa entre Lula e Flávio foi marcada por forte polarização e terminou sob tensão após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) alterar o horário de votação no dia do pleito. A vitória do petista representa uma virada em relação ao primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual.

Lula chega, assim, ao quarto mandato presidencial. Ele foi eleito pela primeira vez em 2002, reelegeu-se em 2006, voltou ao Planalto em 2023 e, agora, conquista mais quatro anos no cargo. A campanha do segundo turno foi marcada menos pela apresentação de programas de governo e mais pela tentativa dos dois lados de elevar a rejeição ao adversário. Lula e Flávio trocaram acusações sobre corrupção, segurança pública, economia e suas respectivas trajetórias políticas. O ex-candidato do PL prometeu judicializar o resultado.

O Antagonista

Os caminhos em debate no governo para lidar com as contas públicas

Fazenda e Planejamento discutem saídas diferentes para conter despesas; empresas precisam avaliar os efeitos de cada uma. A vitória de Lula no segundo turno provocou uma forte reversão das expectativas dos mercados financeiros. Desde o primeiro turno, a perspectiva de eleição de Flávio Bolsonaro havia impulsionado a Bolsa, valorizado o real e reduzido os juros futuros. Na manhã desta segunda-feira, 26, o movimento se inverteu. A Bolsa acionou o circuit breaker, mecanismo de suspensão temporária das negociações, pela primeira vez desde março de 2020. Por volta do meio-dia, o Ibovespa acumulava perdas próximas de 15%, enquanto o dólar subia cerca de 9%, cotado a R$ 5,45. O risco-Brasil avançava mais de 20%. Os juros futuros também dispararam, com altas que chegaram a 182 pontos-base nos contratos longos. A turbulência levou o Tesouro Nacional a cancelar leilões de títulos prefixados e indexados à inflação previstos para a semana. As negociações do Tesouro Direto permaneciam suspensas em razão da volatilidade.

Por que isso importa

Seria um erro interpretar a reação apenas como preferência dos investidores por um candidato de direita. Há razões econômicas concretas para a desconfiança em relação à continuidade da política econômica petista.

Durante o terceiro mandato de Lula, a dívida bruta cresceu mais de 11 pontos percentuais, chegando a 82,9% do PIB, ou R$ 11,1 trilhões. A Selic está em 13,75%, enquanto a economia cresceu apenas 1,9% nos últimos quatro trimestres.

A deterioração fiscal contribui para manter os juros elevados, encarece o crédito e aumenta a vulnerabilidade cambial. Para as empresas, significa maior custo de financiamento, menor previsibilidade e menos incentivos ao investimento. Lula tampouco ofereceu sinais tranquilizadores durante a campanha. Anunciou benefícios com impacto estimado em até R$ 53,6 bilhões em 2027 e classificou como “babaquice” a preocupação em produzir superávits primários. É legítimo questionar sua disposição (e capacidade) de promover o ajuste necessário.

Panorama: dois caminhos para o ajuste

O governo estuda enviar ao Congresso uma PEC para reforçar os mecanismos de controle das despesas públicas. Segundo o jornal Valor, há diferenças entre as propostas defendidas pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento. A Fazenda propõe reduzir de 2,5% para 1,5% o limite máximo de crescimento real das despesas estabelecido pelo arcabouço fiscal. A mudança restringiria o ritmo de expansão dos gastos, mesmo quando o crescimento da arrecadação permitisse aumentos maiores.

O Planejamento, comandado por Bruno Moretti, defende outros instrumentos: tornar permanentes os gatilhos de contenção de despesas, ampliar a parcela do Orçamento sujeita a contingenciamento e recorrer a uma nova Desvinculação de Receitas da União (DRU), que daria maior liberdade para distribuir recursos entre diferentes finalidades. Moretti afirma que o governo pretende cumprir as metas de superávit primário, de 0,5% do PIB em 2027 até 1,5% em 2030. As alternativas continuam em discussão.

Lupa: aonde levam os caminhos

A diferença é entre reduzir o ritmo de crescimento das despesas e ampliar a capacidade de administrar o Orçamento. A proposta da Fazenda estabelece uma restrição mais severa à expansão do gasto total. Em princípio, isso pode contribuir para desacelerar o crescimento da dívida e reduzir a necessidade de financiamento do governo. Com cerca de 92% das despesas classificadas como obrigatórias, um limite mais apertado pode comprimir ainda mais o espaço para investimentos e gastos discricionários.

A proposta do Planejamento segue outra lógica. Gatilhos, contingenciamentos e desvinculações dão ao governo instrumentos para acomodar pressões e cumprir metas anuais, sem necessariamente alterar as regras permanentes de crescimento das despesas. Essa flexibilidade pode facilitar a gestão orçamentária e preservar as prioridades do Executivo. Mas também tende a transferir o esforço de ajuste para a parcela relativamente pequena do Orçamento sobre a qual o governo tem maior liberdade de decisão. Há, portanto, uma diferença entre conseguir cumprir a meta fiscal de determinado ano e alterar de maneira duradoura a trajetória da dívida. Os caminhos podem seguir em paralelo. Um limite de crescimento mais rigoroso pode coexistir com mecanismos de gestão mais flexíveis. A questão decisiva é saber se a combinação produzirá economia efetiva e sustentável ou apenas permitirá administrar, por mais algum tempo, as pressões de um Orçamento cada vez mais rígido.

Radar empresarial

Para as empresas, a diferença entre essas estratégias é bastante significativa. Um ajuste baseado em limites duradouros de despesa pode contribuir para reduzir a percepção de risco fiscal e, ao longo do tempo, favorecer juros menores. Mas sua credibilidade não dependerá apenas da aprovação de uma regra. Nos últimos anos, o Brasil viu o teto de gastos e o arcabouço fiscal serem rapidamente desmoralizados.

Já um ajuste concentrado em contingenciamentos pode produzir maior incerteza sobre a execução de investimentos públicos, contratos e programas dos quais participam empresas privadas. A revisão de benefícios tributários, por sua vez, pode alterar custos e decisões de investimento em determinados setores. Três respostas precisam ser cobradas imediatamente: quanto o governo pretende economizar com cada medida; como acomodará as promessas eleitorais sem ampliar o desequilíbrio; e qual trajetória de dívida espera alcançar até 2030. Há ainda uma quarta pergunta: quais despesas obrigatórias o governo está disposto a rever? Sem resposta, a discussão sobre gatilhos e limites permanece no terreno das intenções.

Resumo da ópera

O governo Lula admite a necessidade de fazer um ajuste fiscal, mas ainda não apresentou uma estratégia suficientemente detalhada para estabilizar a dívida. A divergência entre Fazenda e Planejamento importa menos como disputa interna do que pelo que revela: ainda não está claro onde recairá o esforço de contenção das despesas. Para as empresas, essa definição terá consequências sobre juros, tributos, investimentos públicos e previsibilidade econômica. É por ela que as cobranças devem começar.

O Antagonista