CNI lamenta fim da 6×1 sem debate sobre perdas, demissões, inflação e as consequências

Setor industrial sugere que Congresso ‘revisite’ o tema da redução da jornada para discutir impactos da medida. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) lamentou que o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 tenha sido aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14) sem aprofundar debates sobre perdas na economia que podem causar demissões e inflação no Brasil. A entidade prevê uma elevação de até R$ 267,2 bilhões nos custos de produção, que provocará queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, equivalente a R$ 76,9 bilhões. O presidente da CNI, Ricardo Alban, sugere que o Congresso Nacional “revisite” o tema da redução da jornada dos trabalhadores para 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso), para encontrar a melhor solução para a economia brasileira. E classifica como retrocesso para o Brasil, a mudança aprovada com 77 votos favoráveis de senadores e somente 1 contrário, em pleno período eleitoral de 2º turno da disputa presidencial, porque o País já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade no mercado internacional.

“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados. […] Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, avaliou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Consequências

A CNI avalia que a emenda constitucional aprovada ontem pelo Senado impacta todo o setor produtivo. E ressalta que a indústria será obrigada a adotar uma profunda série de adaptações em suas escalas reajustar a produção e aumentar os custos, diante de um contexto adverso da economia do Brasil, que já tem pesada carga tributária e juros estratosféricos. A Confederação prevê os seguintes impactos da redução da jornada de trabalho:

  • Insegurança jurídica;
  • Preços para o consumidor terão alta de 6,2% em média;
  • Compras em supermercado podem ficar 5,7% mais caras;
  • Produtos industrializados terão alta média de 6%;
  • Roupas e calçados devem aumentar até 6,6%.

Diário do Poder

 

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