Senador pede nova CPMI mirando Banco Master, fraudes no INSS e Lulinha

Carlos Viana protocolou pedido para investigar os dois escândalos de roubalheiras na mesma comissão e iniciou a busca por apoio de deputados e senadores. O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou um novo pedido de CPMI para investigar, na mesma comissão, as fraudes contra aposentados do INSS e as operações envolvendo o Banco Master. A iniciativa abre outra frente de pressão no Congresso sobre o governo Lula, já desgastado pelas descobertas nos dois casos. A aproximação entre os dois casos começou ainda na antiga CPMI. Em fevereiro deste ano, a comissão aprovou 87 requerimentos, incluindo a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, além de medidas envolvendo o Banco Master.

A votação provocou reação imediata dos petistas. Integrantes do governo contestaram a forma como os requerimentos foram aprovados e anunciaram que recorreriam ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar anular o resultado. Foi justo quando a investigação começou a se aproximar do filho de Lula e, ao mesmo tempo, avançar sobre o Master que o embate político cresceu dentro da comissão. Segundo o senador Carlos Viana, a proposta é unir “dois núcleos” em uma investigação: o esquema de descontos que atingiu aposentados e pensionistas e as operações investigadas do Banco Master.

“Os fatos avançaram. Os documentos começaram a aparecer. Agora vamos seguir o dinheiro”, afirmou o senador.

Diário do Poder

Carta com 200 assinaturas de ex-ministros do STF, empresários, professores, juristas é enviada a Fachin

Um grupo formado por magistrados, empresários, professores, advogados e representantes da sociedade civil declarou apoio às medidas adotadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Ao todo, o documento reúne 199 assinaturas. Os signatários afirmam que as iniciativas tomadas por Fachin têm como objetivo preservar a autoridade da Corte e permitir a apuração das “gravíssimas acusações” que vieram a público nas últimas semanas.

Além de manifestar apoio a Fachin, o documento cobra transparência nas investigações e na sessão plenária extraordinária prevista para terça-feira (15). Na ocasião, o STF transmitirá ao vivo o julgamento do pedido de abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes no caso relacionado ao Banco Master. Na avaliação dos signatários, o país atravessa “a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal” e uma das mais sérias já enfrentadas pelas instituições durante a história republicana brasileira.

A carta defende que os fatos sejam devidamente investigados e que eventuais responsáveis por violações da lei ou da dignidade dos cargos que ocupam sejam responsabilizados. Para os autores, a adoção dessas medidas é fundamental para reconstruir a confiança da população nas instituições e contribuir para a preservação da democracia.

O grupo também considera necessárias mudanças institucionais no funcionamento do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o documento, as reformas devem ampliar a colegialidade, garantir maior imparcialidade nos julgamentos, evitar conflitos de interesse, estabelecer critérios mais rigorosos de conduta e fortalecer a transparência e o controle social sobre o STF e seus integrantes. Na conclusão, os signatários ressaltam que o Supremo não pode permitir que sua jurisdição seja “capturada por interesses escusos”, sejam eles de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra a democracia constitucional.

Jornal da Cidade Online

 

Depois de tirar proveito dos excessos do STF, Lula propõe ‘limites’ a Corte por causa das eleições

Na tentativa de “descolar” a imagem de Lula (PT) do Supremo Tribunal Federal, principalmente de Alexandre de Moraes, o governo petista deu instruções a aliados para fazerem a defesa de “limites” para ministros da Corte, mas sem melindrar a maioria que tem beneficiado o petista com seus “excessos”. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), fiel escudeiro de Lula, foi destacado para apresentar Proposta de Emenda à Constituição que extingue a vitaliciedade no STF, estabelecendo mandato de dez anos para os ministros. Exatamente como várias outras propostas que estão nas gavetas do presidente do Senado, em obediência ao Palácio do Planalto.

Só um exemplo

PEC do ex-senador Lasier Martins que cria mandatos de dez anos no STF chegou a ser aprovada na CCJ e dorme nas gavetas desde 2015.

Autor suspeito

Reginaldo Lopes foi destacado para presidir a comissão da MP da taxa das blusinhas e também é titular da comissão do fim da escala 6×1.

Timing sempre suspeito

Em 2014, auge da Lava Jato, Zé Geraldo (PT-PA) propôs PEC para criar mandatos de 10 anos no STF e tribunais de conta (da União e estados).

Papo amplo

A proposta a ser apresentada pelo petismo no Congresso seria “ampla”, estabelecendo mandatos em outros tribunais e órgãos de controle.

Diário do Poder

 

O Globo diz que “abertura de investigação contra Moraes é o caminho da dignidade para o STF”

O jornal O Globo publicou editorial sobre o julgamento do ministro Alexandre de Moraes na próxima terça-feira (15) pelo plenário do STF.

Leia na íntegra:

“O Supremo diante da História. Corte tem de autorizar já investigação de Moraes — e repelir as manobras protelatórias

Na sessão plenária de terça-feira, dia 15 de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um encontro marcado com a História. Sob a presidência do ministro Edson Fachin, a Corte decidirá se a lei vale para todos ou se existe alguém acima dela. Na pauta, a decisão sobre se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado — não julgado, nem sequer processado, apenas investigado. O motivo: 52 mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no telefone celular de Daniel Vorcaro, possivelmente o maior fraudador da História do sistema financeiro nacional.

Nelas, o banqueiro, já sob intensa investigação e prestes a ser preso, além de jurar lealdade, pede conselhos e ajuda ao ministro e, pelo que se pode depreender da conversa, parece receber dele informações sob segredo de Justiça. Há, ainda, indícios mais graves: encontros entre o fraudador e o ministro fora da agenda oficial e um contrato de R$ 130 milhões celebrado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, sem qualquer contrapartida à altura.

Passados muitos meses desde que as primeiras denúncias chegaram ao conhecimento público, Moraes não foi capaz de apresentar nenhuma explicação plausível. Talvez exista alguma, e ele possa demonstrar que não violou a lei. Como deveria ocorrer com qualquer brasileiro sob quem paire uma suspeita, ele tem direito ao devido processo legal e a ampla defesa. Pode constituir advogado, acompanhar as investigações, apresentar os argumentos que desejar e usufruir todos os recursos disponíveis no Direito processual brasileiro, seja na fase de investigação ou na eventual ação penal. O que não pode é estar acima da lei. Nossa Constituição, que os ministros do Supremo juraram respeitar e seguir, dispõe que todos são iguais perante a lei. Diante da robusta evidência apurada pela PF, para ser igual aos demais brasileiros, Moraes precisa ser investigado, com isenção e respeito à lei, mas sem privilégios.

Respondamos a uma das perguntas do banqueiro agora preso na correspondência enviada ao ministro: não, não dá para bloquear a investigação. Apesar das torcidas apaixonadas, não tem qualquer relevância que Moraes seja um símbolo da resistência democrática durante os momentos críticos do governo Jair Bolsonaro. Um passado honrado não apaga nenhum crime posterior.

A politização de nossa mais alta Corte, que vem provocando muitos desarranjos institucionais e culminou com a anarquia judicial que se viu nas últimas semanas, confunde a população e faz parecer que a discussão é política. Não é. O STF não é uma arena política. É um tribunal — e a ele só deve interessar que sejam cumpridas a Constituição e a lei.

E o ministro é apenas um brasileiro sujeito às leis de seu país. Costuma-se dizer que as instituições são fortes no Brasil. Até aqui, tem sido realidade. Mas as sociedades são organismos vivos, sujeitos a oscilações, e isso pode mudar a qualquer momento. O STF deve decidir que agora, sem postergação, sem pedidos de vista protelatórios, é o momento de se redimir e iniciar a restauração da dignidade do país pela via institucional.

A sessão de terça não julgará Moraes no mérito, mas, repitamos, apenas autorizará que seja investigado. Por isso, as manobras do decano Gilmar Mendes e do próprio Moraes não fazem sentido — são subterfúgios para confundir. Agiu bem, portanto, mais uma vez Fachin, ao afastar o pedido de adiamento e, em vez disso, marcar para o dia 23 a apreciação do relatório que Moraes encomendou à PF com denúncias frágeis contra Mendonça.

Os ministros que votarem pela abertura da investigação sobre o envolvimento de Moraes no caso Master optarão pelo caminho da dignidade. Os outros contribuirão para a corrosão do tribunal como instituição e receberão dos brasileiros e da História a merecida reciprocidade no julgamento de suas biografias.”

Jornal da Cidade Online

 

‘Tenho gratidão da minha vida a você’, escreveu Vorcaro a Moraes. O que há de grave na relação?

Plenário do STF decidirá na terça (15) se haverá investigação. É considerado muito grave o que pesa contra o ministro Alexandre de Moraes na relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master de hábitos mafiosos, acusado de aplicar golpe bilionário na praça e de subornar autoridades. O relatório da Polícia Federal baseado em dados extraídos do celular do acusado, apreendido na Operação Compliance Zero, expõe as mensagens, em grande parte enviadas como prints do bloco de notas em visualização única, mostram apenas o lado de Vorcaro. As respostas de Moraes, quando existiram, não foram recuperadas no aparelho periciado. Somente uma perícia no celular de Moraes, em eventual investigação, mostrará suas respostas. A Corte julga na terça-feira (15) se abre investigação contra Moraes. Seus aliados, ligados também a Lula (PT), pressionaram o presidente Edson Fachin para adiar a sessão, mas a pauta foi mantida.

A mensagem de gratidão após o encontro

Segundo o relatório, Vorcaro e Moraes se reuniram em 14 de novembro de 2025. Depois do encontro, o banqueiro redigiu:

Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros amigos que dependem de nós tem uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser.”

Em março de 2026, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou nota a pedido de Moraes negando que determinadas mensagens detectadas no celular de Vorcaro se referissem a conversas com o ministro. A nota não negou, porém, que os dois tenham conversado.

Série de mensagens antes da prisão

As transcrições cobrem sobretudo outubro e novembro de 2025, quando Vorcaro tentava vender o Master (negócio com o grupo Fictor e investidores dos Emirados) e barrar o avanço das investigações. Trechos recorrentes:

  • 30 de outubro: Vorcaro pede a Moraes que reforce com Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (PGR) orientação para que “ninguém de baixo” fizesse “sacanagem” com o banco. Em seguida elogia o “legado” do ministro e diz que “tudo de importante fica no seu colo”. Menciona pressão no Banco Central sobre “G” (Gabriel Galípolo) e lista nomes de delegados e procuradores.
  • 4 e 5 de novembro: reclama de estar “no escuro” sobre o inquérito, cita os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, pergunta se vale protocolar petição e se “não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei”. Em outro texto: “Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade e sacanagem?”.
  • 12 a 16 de novembro: sequência de pedidos de encontro. Vorcaro diz que iria a Brasília “somente pra te ver e atualizar de tudo”. Confirma reunião em casa no dia 14 (“Vou chegar 14h30 ok! La em casa marcado”). No dia 15 pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No 16 avisa que está em voo e irá direto ao encontro. Horas antes da prisão, pede para “sensibilizar” Andrei a atrasar medidas porque “tem feriado” e “o banco não quebra”.
  • No dia 17, já na data da prisão em Guarulhos, pergunta: “Ele tá sabendo das soluções? […] E com Andrei dá pra segurar?”. No mesmo 17 de novembro, Vorcaro descreveu a venda antecipada do banco e mencionou vazamento de informações. Uma das últimas mensagens do dia recebeu de Moraes, segundo o relatório, um emoji de “joinha”.

A PF cruzou horários de abertura do bloco de notas, captura de tela e envio no WhatsApp para o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” (também registrado com variações como “Novo” e “STF TSE NOVO”). O número teria sido compartilhado com Vorcaro por Fábio Faria em 2023.

O que mais pesa, além das mensagens, houve também:

  • Encontros presenciais ao longo de 2024 e 2025 (residências, eventos em Londres, Campos do Jordão, Brasília).
  • Participação de Moraes na edição de cláusulas de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da esposa, Viviane Barci. Pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões constam em declarações do banco.
  • Autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
  • Consultas sobre convidados de fóruns jurídicos patrocinados pelo banco e viagens em aeronaves ligadas a Vorcaro.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 ao tentar embarcar e novamente em 2026. O caso Master envolve suspeita de fraudes na casa dos R$ 12 bilhões. Neste domingo, o Estadão também informou que André Mendonça autorizou bloqueio de mais de R$ 2 bilhões em bens ligados ao grupo (obras de arte, incluindo um Picasso, mansões nos EUA, iate e aeronave). Moraes não detalhou publicamente o conteúdo das conversas. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as mensagens específicas. O plenário do STF decide na terça se o material justifica investigação formal.

Diário do Poder

 

“Para acusados e condenados do 08/01/2023 pelo STF bastou tão pouco:” Diz Defensor Público

Defensor público que representou réus carentes do 8 de janeiro no STF compara tratamento dado a Alexandre de Moraes agora por alguns de seus pares. O defensor público Gustavo de Almeida Ribeiro, que defendeu réus do 8 de janeiro no Supremo Tribunal Federal (STF), postou um comentário em seu perfil no X lembrando a forma como alguns dos condenados pelo vandalismo na Praça dos Três Poderes foram tratados pela Justiça do STF.

Para os acusados do dia 08/01/2023, muitos deles extremamente pobres, ou com problemas psicológicos, ou que sequer tinham chegado a Brasília no momento da confusão, bastou tão pouco…”, disse Ribeiro, crítico desde a origem da forma como essas pessoas foram julgadas.

O defensor público foi um dos profissionais deslocados para dar assistência aos réus carentes do 8 de janeiro, e reclamou que eles não deveriam sequer ter sido julgados pelo STF, porque não tinham foro privilegiado. Mas o fato é que a condenação dessas pessoas foi usada para embasar o julgamento da cúpula do governo Jair Bolsonaro anos depois, no julgamento da trama golpista.Parte superior do formulário

Agora, ministros como Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, além do próprio Alexandre de Moraes, tentam tumultuar o caso do Banco Master com argumentos de defesa das prerrogativas do ex-relator do inquérito das fake news, antes mesmo de ele se tornar formalmente investigado.

Segundo eles, é preciso ter todos os dados do celular de Daniel Vorcaro para saber se Moraes merece começar a ser investigado formalmente, quase um ano depois de ter surgido a informação de que o Banco Master tinha um contrato de 131 milhões de reais com o escritório de advocacia da família do ministro, supostamente chefiado por sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

As investigações indicam que Vorcaro tratava Moraes como titular desse contrato, considerado o mais importante para o banco, e que o ministro do STF chegou a editar duas vezes o documento antes de ele ser assinado, além de supostamente ter instruído o ex-banqueiro.

De fato, por muito menos, réus do 8 de janeiro não foram apenas investigados, mas condenados.

O Antagonista

 

Pesquisa Datafolha sobre Alexandre de Moraes: 34% afastamento; 28% impeachment e 13% renúncia

Levantamento realizado pelo Instituto Datafolha captou a posição da população em relação a situação do ministro Alexandre de Moraes. O resultado é devastador para o magistrado. A opinião pública quer a sua punição. A pesquisa divulgada neste sábado (12), mostra que 75% dos entrevistados defendem algum tipo de medida em relação ao ministro Alexandre de Moraes, após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro e a Daniel Vorcaro.

Para 34%, Moraes deveria se afastar temporariamente para ser investigado; 28% defendem um processo de impeachment e 13%, a renúncia. O levantamento foi realizado após a divulgação de relatório da Polícia Federal que reúne mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído pelos investigadores a Moraes. O documento também registra referências a encontros entre os dois e pedidos de orientação e proteção feitos pelo banqueiro.

Jornal da Cidade Online

 

Depois da enganação da picanha, Lula agora com a fome do povo sugere trocar carne por ovo

Após admitir que alimentos continuam caros, o presidente sugere “saída” para maioria que não consegue comprar a “mistura.” O presidente Lula (PT) disse que, diante do preço alto dos alimentos, quem não tiver carne pode comer ovo e, se faltar dinheiro para os dois, recorrer ao arroz com feijão “sem mistura”. A declaração foi feita durante discurso no Rio Grande do Sul e provocou uma enxurrada de críticas nas redes sociais.

“Se não tem carne, a gente come ovo. Se não tem ovo, a gente come carne. Mas quando não tem os dois, a gente come como eu comia quando eu levava marmita, feijão e arroz puro porque não tinha mistura”, afirmou.

A sugestão veio depois de o próprio Lula reconhecer o que encontra o brasileiro no supermercado. “Eu sei, a carne está cara, o café está caro”, disse.

O cardápio é bem diferente daquele que Lula levou aos palanques nos últimos anos. Na campanha de 2022, a picanha virou parte do discurso do petista para falar da volta do poder de compra. Eleito, Lula continuou repetindo a promessa de fazer o trabalhador voltar a comer carne. Até ele reconhece que continua pesando no bolso. Enquanto isso, a picanha sai de cena e entra o ovo e, na falta dos dois, a velha marmita de arroz com feijão sem mistura.

Diário do Poder

Quanto custa o STF para o pagador de impostos: R$ 1.047 bilhão

Por Jayme Rizolli

Na mitologia grega, o rei Midas recebeu o poder de transformar em ouro tudo aquilo que tocasse. Inicialmente, acreditou ter recebido uma bênção. Depois descobriu que a própria dádiva poderia transformar-se em maldição. No Brasil, porém, parece ter surgido uma versão ainda mais sofisticada do toque de Midas: algumas autoridades transformam em ouro tudo o que as cerca — mas quem paga pela transformação é o contribuinte.

O Supremo Tribunal Federal terá, em 2026, um orçamento aproximado de R$ 1,047 bilhão.

É importante esclarecer que esse valor não corresponde somente aos salários dos 11 ministros. Nele estão incluídos servidores, aposentadorias, segurança, tecnologia, imóveis, manutenção, comunicação, contratos e toda a estrutura necessária ao funcionamento da Corte.

Ainda assim, é dinheiro público.

Quando dividimos essa montanha de recursos pelo calendário, descobrimos que manter o STF custa aproximadamente R$ 2,87 milhões por dia, R$ 20,13 milhões por semana e R$ 87,25 milhões por mês. Enquanto você termina de ler este parágrafo, milhares de reais já passaram pelo relógio dessa estrutura.

Cada ministro recebe subsídio mensal de R$ 46.366,19. O salário, entretanto, é apenas a parte visível do edifício.

Ao redor das cadeiras do Supremo existe uma estrutura que inclui residências funcionais em áreas valorizadas de Brasília, internet paga pelo contribuinte, veículos oficiais blindados, motoristas, segurança, assistência médica institucional, viagens, diárias, gabinetes amplos e dezenas de assessores.

Somente em 2023, o Tribunal adquiriu 11 SUVs Toyota SW4 blindadas por aproximadamente R$ 5 milhões. Cada veículo custou cerca de R$ 458,5 mil. Há também estruturas de escolta e contratos destinados à locação de veículos em deslocamentos fora de Brasília. Agora surgiu uma contratação no valor de R$ 202.722 para fornecer internet durante cinco anos a 13 instalações residenciais (13?) vinculadas aos ministros. Treze. Embora o STF tenha apenas 11 integrantes. O valor mensal por instalação, isoladamente, não chega a ser extraordinário. O problema está no princípio: por que autoridades que recebem o maior salário do funcionalismo precisam ter até a internet residencial paga pela população?

E por que existem 13 pontos residenciais para apenas 11 cadeiras?

A Corte deve uma explicação clara. Dizer apenas que a estrutura é necessária em razão da “missão institucional dos senhores ministros” não responde a todas as perguntas. Afinal, milhões de brasileiros também cumprem suas missões profissionais utilizando computadores, celulares, energia elétrica e internet pagos com o próprio salário.

Os ministros não recebem atualmente auxílio-alimentação nem auxílio-moradia mensal regular. Essa informação precisa ser registrada para que a crítica não seja contaminada por exageros. Entretanto, a inexistência desses dois depósitos no contracheque não elimina o custo real das vantagens colocadas à disposição das autoridades.

Uma residência funcional no Lago Sul pode representar benefício econômico equivalente a dezenas de milhares de reais por mês. Um carro blindado, um motorista, equipes de segurança e dezenas de assessores também custam dinheiro. O fato de essas despesas não aparecerem como salário não faz com que deixem de sair dos cofres públicos.

A famosa licitação envolvendo lagostas, camarões e vinhos importados também precisa ser colocada em seu devido lugar. Não se tratava do almoço diário dos ministros, mas de alimentação destinada a recepções, solenidades e eventos institucionais.

Mesmo assim, permanece uma pergunta incômoda: por que o padrão de hospitalidade do poder precisa estar tão distante da mesa do brasileiro que o financia?  Enquanto aposentados contam moedas no supermercado, o poder público debate a qualidade do vinho servido em recepções oficiais.

Enquanto famílias dividem a senha da internet para economizar, autoridades com salário superior a R$ 46 mil recebem conexão residencial custeada pelo Estado. Enquanto trabalhadores passam horas dentro de ônibus, cada ministro dispõe de veículo oficial blindado, motorista e segurança.

Mas a discussão não termina no orçamento oficial.

Integrantes de tribunais também podem exercer atividades acadêmicas permitidas pela legislação, publicar livros e participar de eventos. O problema começa quando palestras remuneradas, relações profissionais externas, escritórios ligados a cônjuges ou familiares e contratos com pessoas interessadas em decisões judiciais produzem dúvidas sobre independência e conflito de interesses.

Não se pode afirmar que toda palestra, todo escritório familiar ou toda relação profissional represente irregularidade. Mas também não se pode exigir que a sociedade aceite tudo em silêncio. Quem possui poder para tomar decisões capazes de atingir bancos, empresas, políticos e milhões de brasileiros deve observar um padrão de transparência muito superior ao exigido de um cidadão comum.

Quanto foi recebido? Quem pagou? Qual era o interesse do contratante? Existia processo no Tribunal? O ministro declarou impedimento? O escritório ligado à família atuava direta ou indiretamente perante a Corte? O problema brasileiro não é a existência de um Supremo Tribunal Federal. Uma democracia necessita de uma Corte constitucional forte, independente e respeitada.

O problema surge quando a estrutura criada para servir à Justiça passa a transmitir a impressão de que a população existe para servir aos seus ocupantes. O contribuinte não pode continuar sendo tratado como patrocinador silencioso de uma aristocracia institucional. Quem paga a conta tem direito de conhecer cada contrato, cada benefício, cada viagem e qualquer relação privada capaz de produzir conflito com o exercício da função pública.

E talvez seja justamente por isso que precisamos olhar com mais humanidade para o outro lado dessa conta. Aquele cidadão parado na esquina, aparentemente sem fazer nada, não é necessariamente um vagabundo. Talvez esteja desempregado, desanimado ou simplesmente vencido por uma realidade na qual trabalhar o mês inteiro já não garante alimentação, moradia, transporte e dignidade.

Ele não se recusa a sobreviver. Ele apenas não consegue sobreviver com um salário mínimo.

Enquanto uma estrutura pública consome milhões de reais todos os dias para cercar de conforto e segurança autoridades que recebem o maior salário do funcionalismo, milhões de brasileiros precisam escolher entre comprar comida, pagar a conta de luz ou colocar crédito no celular.

É esse cidadão que sustenta tudo.

É ele quem paga o salário, a residência funcional, o veículo blindado, o motorista, a segurança, os gabinetes, as viagens — e agora até a internet residencial daqueles que deveriam servir à nação. (13??) O brasileiro que mal consegue sobreviver não pode continuar sendo tratado como um número distante no orçamento. Porque, no final, é justamente daquele bolso quase vazio que o Estado retira os recursos para manter os salões mais caros da República.

Manter o STF custa aproximadamente:

– R$ 33 por segundo.

– R$ 1.992 por minuto.

– R$ 119,5 mil por hora.

– R$ 2,87 milhões por dia.

– R$ 20,13 milhões por semana.

– R$ 87,25 milhões por mês.

– R$ 1,047 bilhão por ano.

Por esse preço, o Brasil não está comprando favores, silêncio ou majestades. Está pagando — e pagando muito caro — por Justiça, equilíbrio, imparcialidade e respeito absoluto à Constituição. Se não estiver recebendo exatamente isso,  então o problema não é apenas o tamanho da conta.

É a qualidade do serviço entregue à nação.

Jayme Rizolli

Jornalista.

 

Ministros aliados de Alexandre de Moraes tentam chicanas para adiar julgamento, diz a Folha de S. Paulo

Um trecho do editorial da Folha deste sábado (12) é elucidativo:

“Convicto de sua inocência, como tem se mostrado, Alexandre de Moraes deveria ser o primeiro a incentivar a abertura do inquérito. Sem ela, a sua convicção jamais terá oportunidade de materializar-se como verdade pública.

Causa espécie, portanto, o tumulto processual promovido por um grupo de ministros —Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin— na tentativa de sabotar e adiar o julgamento desta terça-feira. A algazarra alveja Edson Fachin com um sem-número de petições e ameaças veladas carentes de propósito que não seja apostar na confusão.

Esse clube de juízes comporta-se como uma turma de maus alunos atazanando o professor para cancelar a prova iminente, atitude imatura e lamentável para integrantes da corte constitucional.”

O arremate:

“A procrastinação embalada em chicanas e cochichos de corredor desonra o Supremo Tribunal Federal. Transforma a instituição em joguete de raposas da politicagem. Juízes que agem à sombra para desviar-se da sua obrigação transmitem à sociedade desconfiança na corte que representam.

A crise do STF chegou a este ponto em razão da leniência dos ministros com indícios de má conduta de colegas. É preciso dar um fim a esse período de trevas.”

Jornal da Cidade Online