O empresário Joesley Batista, da JBS, está liberado para ocupar cargos executivos na empresa e naturalmente retomar as suas práticas ilícitas. A decisão é um sério incentivo à impunidade, principalmente quando a justiça que comprovou e o condenou por negociatas criminosas com políticos para se beneficiar com bilhões de reais dos brasileiros. Agora, ela o libera e o privilegia.
A sexta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (26), por unanimidade, liberar o empresário Joesley Batista a ocupar funções executivas nas empresas do grupo J&F, controlador da JBS.
O colegiado acompanhou o voto do relator Rogério Schietti, segundo o qual não se justificava manter a proibição — que vigorava desde 2017 — da participação dele diretamente ou, por interposta pessoa, de ocupar cargos no conglomerado empresarial.
O advogado Pierpaolo Bottini, que representa Batista, disse que a decisão tem efeito imediato. “Corrigiu-se uma injustiça que perdurou por dois anos e meio. O tribunal reconheceu a ilegalidade da situação, evitando a continuidade de uma cautelar desarrazoada”, disse o advogado.
O relator do STJ disse que a decisão de liberar Joesley se embasou em três fatos principais: o cumprimento de regras de compliance, a colaboração com a Justiça e o acordo de leniência no valor de 10,3 bilhões de reais da J&F. O magistrado disse que cumprir esse valor não é fácil e exige um “empenho máximo” das empresas para produzir esse capital. Em março, Rogério Schietti já havia autorizado Joesley e o irmão dele, Wesley Batista, a participar de reuniões da diretoria e dos demais órgãos administrativos das empresas do grupo J&F, mas sem direito a voto.