Polícia de SP fecha rua para casamento de filho de Alexandre de Moraes e morador é agredido

População teve que contornar quarteirão de área nobre de São Paulo e local da festa tinha restrição de acesso. O filho homônimo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes causou constrangimento a cidadãos e convidados, ao promover seu casamento com forte aparato público de segurança, neste sábado (26), com policiais fechando ruas e restringindo acesso ao local da festa, na Casa Fasano, no luxuoso bairro Cidade Jardim, em São Paulo. Quem ousou reclamar passagem para voltar para casa foi o empresário Gabriel Rocha Kanner, que tomou tapa no celular e empurrão, ao ser obrigado a deixar o local e contornar por um caminho mais longo até sua residência. Kanner filmou a cena truculenta de um dos seguranças, que ele classificou de “capanga”, após o morador da região ter descido do carro e começar a filmar sua indignação, interrompida por uma sequência de agressões e intimidações. “O Brasil é um Estado de exceção”, concluiu, ao publicar as imagens.

O vexame evitava protestos e escondia outro constrangimento, o dos convidados da família do ministro, envolvida em repasses milionários do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, cujos filhos Giuliana e Alexandre Barci de Moraes receberam limites de R$ 300 mil de cartão do Banco Master.

Segurança pública para evento privado

Para ninguém ver quem chegava para prestigiar o evento familiar do protagonista da crise institucional na cúpula da Justiça do Brasil, o clã Barci de Moraes mobilizou a Polícia Judicial, Polícia Militar e a Companhia de Engenharia de Trafego (CET).

Foi a garantia de que ninguém que não tivesse sido convidado acessasse ultrapassasse a distância de 200 metros até o local da festa, que chega a cobrar quase R$ 300 mil por um evento com 100 convidados, sendo R$ 200 mil de aluguel e quase R$ 900 por convidado, fora as bebidas e decoração.

Foram raros os protestos contra o que o empresário Kanner chamou de “patifaria”. Tanto que o jornalista e candidato a deputado estadual Carlo Cauti (Novo), criticou a apatia de quem vive nas redes sociais e não foi manifestar indignação com o aparato de segurança pública destinado à segurança privada do casamento entre Alexandre Barci de Moraes e sua noiva identificada como Thaís.

Segundo o escritório jurídico dos Barci de Moraes, os cartões de crédito de R$ 300 mil para os irmãos Alexandre e Giuliana jamais foram usados. E o ministro do STF tem refutado suspeitas de que contratos de R$ 208 milhões entre o escritório de sua esposa com empresas do ex-dono do Master serviriam para eventual favorecimento a Vorcaro, que chegou a lhe perguntar por mensagens se deveria fugir do Brasil, antes de ser preso.

O Diário do Poder enviou questionamentos à assessoria do STF sobre o aparato de segurança e as agressões registradas. E publicará eventuais esclarecimentos.

 

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