Globo expõe desigualdade de gênero no JN. Renata tem salário de um terço ao de William Bonner

O jornalista William Bonner, desafeto “eterno” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acusado de ter dado uma “ajudinha” ao Lula (PT) em entrevista ao Jornal Nacional durante a campanha de 2022, recebeu um belíssimo aumento em 2023. Bonner, além de ter renovado contrato com a empresa da Família Marinho até 2025, continuará no comando do JN e ainda ganhou um reajuste substancial. Uma grande recompensa.

Cogitava-se que o salário do global era em torno de R$ 1 milhão e 800 mil. Agora, ele passa a receber R$ 2 milhões e 340 mil por mês. Renata Vasconcellos, mulher com não menos trabalho no jornalístico e sua colega de bancada, vai ganhar R$ 800 mil mensais. O valor do contracheque de Renata, que faz o mesmo trabalho de Bonner, no entanto, ainda é, inexplicavelmente, três vezes menor. 

Parece uma situação vexatória, que inclusive certa feita foi exposta ao vivo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, na presença dos dois jornalistas, causando profunda irritação em Renata. Ora, não obstante ser um salário altíssimo, não parece justificável ela ganhar bem menos que ele.

O que mais faz o Bonner para justificar diferença tão grande? Onde está a igualdade de tratamento de gênero tão defendida pelo jornalismo global?

Sebastião Teodoro – Jornal da Cidade Online

 

Estadão se arrepende do apoio dado a Lula e se manifesta publicamente

O centenário jornal paulistano, O ESTADO DE SÃO PAULO (o Estadão) um dos três maiores do país, fez parte do ‘consórcio de imprensa’ que dedicou os últimos quatro anos a sabotar o governo Bolsonaro e promover Lula, omitindo os gravíssimos processos onde ele foi réu.

Agora, assustado com a sede de vingança dos petistas, o jornalão revê sua posição em editorial. Segundo o Estadão, o Diretório Nacional do PT que aprovou uma resolução crivada de ressentimentos e mentiras, tenta reescrever a história recente do país:

“Quem lê aquele documento sai com a nítida impressão de que o Brasil tem uma dívida praticamente impagável com os petistas, sobretudo com a sra. Dilma Rousseff e com o presidente Lula da Silva. O único objetivo parece ser reescrever a história recente do país para lavar a alma da militância depois de uma série de reveses políticos e judiciais sofridos”, escreve o editorial.

O Estadão aponta que Lula se recusa a ‘descer do palanque’ e administrar o país, ele parece preferir tentar lavar sua honra e se vingar daqueles que, com fatos, o denunciaram e processaram pelos sucessivos escândalos de corrupção. O editorialista continua:

“Ao que parece o triunfo eleitoral de lula na difícil eleição presidencial passada, aos olhos dos petistas, tem o condão de autorizar o presidente a privilegiar os interesses particulares do PT e trair a aspiração maior de muitas forças políticas (consorcio incluído) que o apoiaram no segundo turno da eleição de 2022.”

Uma pena que o Estadão não aproveitou para fazer o seu ‘mea culpa’, uma vez que o grupo colaborou decisivamente para esse 3º mandato, um erro grosseiro. Esse texto estranhamente publicado numa terça de carnaval, quando o índice de leitura é baixíssimo, termina assim:

“O rancor nunca foi um bom guia. Do presidente Lula se espera a grandeza de compreender que, nessa quadra histórica do País, é justam a divers que deve prevalecer e não o espírito de corpo”.

Primeiro, o Estadão apoia um candidato que liderou o maior esquema de corrupção do mundo nos últimos 50 anos, que atingiu mais de 40 países e apesar de ter terminado em pizza no Brasil, mundo afora provocou prisões, devolução de milhões de dólares, cassação de presidentes, assassinatos e até suicídio de um ex-presidente. E o Estadão sequer pode alegar desconhecimento pois o jornal noticiou essas denúncias com grande destaque desde 2013 a 2021.

Mais do que um editorial, o Estadão não deve desculpas apenas aos brasileiros. O Estadão e seus jornalistas devem desculpas à História.

Eduardo Negrão

Consultor político e autor de “Terrorismo Global” e “México pecado ao sul do Rio Grande” ambos pela Scortecci Editora.

 

Governo Lula defende regulação de redes sociais em fórum global da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a regulação das redes sociais para evitar que a democracia seja ameaçada por plataformas online em carta enviada da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). “Não podemos permitir que a integridade de nossas democracias seja afetada por decisões de poucos atores que controlam as plataformas digitais”, diz a carta endereçada à diretora-geral Audrey Azoulay e lida pelo secretário de Políticas Digitais da Secom, João Brant, nesta quarta (22) durante a conferência global “Internet for Trust”, em Paris.

O texto assinado pelo petista pleiteia uma legislação “que corrija as distorções de um modelo de negócios que gera lucros com a exploração dos dados pessoais dos usuários”.

A conferência da Unesco tem debatido diretrizes globais para regulação da internet. A carta de Lula foi lida em meio à discussão no governo brasileiro para a adoção de legislação que obrigue as redes sociais a remover conteúdo que viole a Lei do Estado democrático de Direito, que enfrenta vários obstáculos.

Após oposição do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o governo recuou da intenção de elaborar uma medida provisória que impunha às plataformas o “dever de cuidado” de impedir que se dissemine conteúdo que viole a lei —ou seja, que peça a abolição do Estado de Direito, encoraje a violência para deposição do governo ou incite animosidade entre as Forças Armadas e os Poderes.

Agora, a ideia é incorporar as medidas no PL (projeto de lei) 2630, conhecido como PL das fake news, mas há dúvidas sobre a viabilidade. De relatoria do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o projeto tramita há três anos no Congresso. Foi aprovado no Senado, mas empacou na Câmara diante de pontos controversos.

Um deles é a previsão de estender a imunidade parlamentar para as plataformas de internet. O ponto é prioridade para Lira, mas enfrenta resistência em alas do governo e da sociedade civil, onde é visto como liberdade para políticos desinformarem impunemente.

FOLHAPRESS

 

Deputado viu desrespeito a direitos, dignidade humana e injustiça a mulheres na Penitenciária Feminina do DF

Na semana que passou pude ver de perto o que está ocorrendo com as mulheres presas durante a manifestação de 8 de janeiro e que estão encarceradas na Colmeia – penitenciária feminina do Distrito Federal. Todas estão atrás das grades sem que o devido processo legal tenha sido respeitado.

Audiências de custódia ilegais, impossibilidade de acesso à defesa, aos autos do processo e, agora, até as imagens das invasões ao Palácio do Planalto, após Lula impor sigilo. Os direitos humanos são direitos para todos os humanos, independentemente de posição política. O que estamos vendo em Brasília é uma covardia, um desrespeito total à nossa Constituição por quem deveria respeitá-la.

A covardia e prepotência parecem não ter mais limites, há quem se ache acima do bem e do mal. Há mulheres presas que chegaram ao acampamento no domingo à noite, que sequer foram à manifestação que desbordou em atos de vandalismo, mas isso parece não importar nada, pois a individualização da conduta do processo legal foi deixada de lado.

As citações recebidas pelas presas são uma cópia e cola umas das outras. Diante de tantas irregularidades, um grupo de parlamentares liderado pelo deputado Sanderson está atuando para que a lei seja respeitada e a Constituição seguida, sempre.

Nesta semana apresentaremos ofícios à Ordem dos Advogados do Brasil e à Defensoria Pública para que todos os presos possam ter direito à defesa. Já para a Procuradoria-Geral da República solicitaremos a individualização das condutas, algo básico na lei penal. Também estamos em contato com o Conselho Federal de Medicina para que possamos contar com médicos voluntários, pois muitos dos presos possuem comorbidades e o atendimento médico é limitado.

Sempre serei a favor da punição rigorosa a quem comete atos de vandalismo, doa a quem doer. Por isso mesmo, não posso concordar com as injustiças que temos observado, com punições e restrições de liberdade, a quem não deve. O Parlamento brasileiro não pode mais se curvar diante de tamanhas arbitrariedades.

Tanto a CPI do abuso de autoridade do TSE e do STF como a CPMI do 8 de janeiro são urgentes!

(Texto do deputado Marcel van Hattem)

 

STF afasta decisão do TCU e suspende uso do Censo 2022 no cálculo do FPM de 2023

A decisão do plenário foi tomada na sessão encerrada na última sexta-feira, 17. O plenário do STF, por unanimidade, referendou liminar que determinou que a distribuição do FPM – Fundo de Participação dos Municípios deste ano tenha como patamar mínimo os coeficientes de distribuição utilizados no exercício de 2018. A Corte manteve suspensa decisão normativa do TCU que determinava a utilização dos dados populacionais do censo demográfico de 2022, que ainda não foi concluído.

Alegações

Na ação, o PCdoB argumenta que a decisão normativa 201/22 do TCU causa prejuízo ao valor recebido pelos municípios, pois o critério estipulado não contempla a totalidade da população, uma vez que a coleta de dados não foi finalizada. Para o partido, foi descumprida a LC 165/19, segundo a qual não é possível determinar coeficientes de FPM abaixo dos fixados em 2018 até que um novo censo seja concluído.

Segurança jurídica

Em seu voto pelo referendo, o ministro explicou que o último censo de fato concluído pelo IBGE foi o de 2010, e, para salvaguardar a situação de municípios que apresentem redução de seus coeficientes decorrente de mera estimativa anual do IBGE, a LC 165/19 manteve os critérios de distribuição do FPM utilizados no exercício de 2018.

Na análise preliminar do caso, no entanto, o ministro verificou que o ato do TCU desconsiderou esse comando legal e promoveu, a apenas três dias antes do início do exercício de 2023, “profunda alteração dos coeficientes a serem utilizados no cálculo das cotas do FPM”, impactando negativamente os valores a serem repassados a 702 municípios. Essa situação, em seu entendimento, afronta os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança legítima.

Para ele, mudanças abruptas de coeficientes de distribuição do FPM, especialmente antes da conclusão do censo demográfico em curso, podem interferir no planejamento e nas contas municipais e acarretar “uma indesejável descontinuidade das políticas públicas mais básicas, sobretudo de saúde e educação dos referidos entes federados”.

Informações: STF.

 

 

Cemitérios prestam serviços e se sujeitam à cobrança de ISS, decide STF

A cessão de uso de espaços em cemitérios para sepultamento abarca a custódia e a conservação de restos mortais, atividade que se enquadra no conceito tradicional de “serviço”.

O entendimento é do Supremo Tribunal Federal, que considerou constitucional a inclusão da cessão de espaços para sepultamento na lista de serviços da Lei Complementar 116/2003, o que atrairia à atividade a incidência do Imposto Sobre Serviços (ISS). A Corte julgou uma ação da Associação de Cemitérios e Crematórios do Brasil (Acembra) contra o artigo 3º da Lei Complementar 157/2006, que altera a lista de serviços contida na LC 116. A norma de 2006 incluiu a cessão de uso de espaços em cemitérios no rol de serviços, em que há a incidência do ISS. 

Segundo a Acembra, a atividade não poderia ser incluída na lista, uma vez que não envolve obrigação de fazer, esforço humano ou oferecimento de utilidade para outras pessoas, mas somente a transferência de direito de uso de bem a cessionário. Ou seja, não seria um serviço, mas a mera locação de um espaço físico.

O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, discordou. Segundo ele, há, sim, a prestação de um serviço, já que a atividade envolve a guarda e conservação de restos mortais. Gilmar foi acompanhado por todos os integrantes do Supremo. A análise foi feita no plenário virtual entre os dias 10 e 17 de fevereiro.

“A previsão de incidência do ISS sobre ‘cessão de uso de espaços em cemitérios para sepultamento’ não pode ser reduzida a uma mera obrigação de dar, no sentido de locação do espaço físico. Isso porque tal atividade abarca também a custódia e a conservação dos restos mortais, as quais indubitavelmente se enquadram no conceito tradicional de serviços”, disse o relator.

O ministro também afirmou que a Constituição atribuiu aos municípios a competência para a tributação de serviços e deu ao legislador complementar a tarefa de defini-los, exceto os que se sujeitam ao ICMS.

“Dessa forma, consoante a jurisprudência deste Tribunal, resta constitucional a cobrança do ISS sobre a referida atividade, haja vista estar contemplada na lista de serviços anexa à Lei Complementar n° 116/2003”, concluiu Gilmar.

Superação de jurisprudência
O procurador do município do Rio de Janeiro Ricardo Almeida Ribeiro da Silva, em artigo publicado na ConJur, destacou um aspecto importante da decisão, de reconhecer que a jurisprudência do Supremo caminha para superar a “divisão entre obrigação de dar e de fazer para fins de definição de qual tributo incidirá, se ISS ou ICMS”, para respeitar o que quer que esteja definido em lei complementar.

Segundo o procurador, já seria possível afirmar que o Supremo tem subsídios suficientes para revisar a Súmula Vinculante 31 (“É inconstitucional a incidência do imposto sobre serviços de qualquer natureza [ISS] sobre operações de locação de bens móveis”) e do RE 116.121, que marcou a virada de jurisprudência da Corte sobre o assunto.

Fonte: CONJUR

 

Ministro do STF manifesta preocupação sobre prisão indiscriminada de manifestantes

A declaração foi feita em voto proferido em um julgamento no plenário virtual do STF. A Corte analisava recursos contra decisões do ministro Ricardo Lewandowski, que havia negado habeas corpus apresentados pela defesa de manifestantes pedindo a liberdade. O ministro Nunes Marques disse que são “preocupantes” as prisões em “larga escala” de manifestantes que participaram do 8 de janeiro em Brasília, feitas de forma “indiscriminada”, e a continuidade do encarceramento.

“Todavia, neste momento processual, segundo me parece, as prisões em larga escala, realizadas de forma indiscriminada, em razão dos fatos ocorridos no dia 08/01/2023, investigados no Inquérito nº 4.879, e a extensão temporal dos encarceramentos revelam-se preocupantes e levam-me a consignar, desde logo, algumas ressalvas que considero necessárias”, disse Nunes Marques.

O inquérito tramita de forma sigilosa no STF.

Lewandowski, na condição de relator, citou o entendimento consolidado do STF para rejeitar os pedidos. Conforme a Súmula 606 do Tribunal, não é possível aceitar a tramitação de habeas corpus questionando decisão de ministro ou de colegiado do Supremo.

Nunes Marques acompanhou com ressalvas o entendimento do relator. O ministro reiterou seu “total e veemente repúdio aos atos de vandalismo contra o patrimônio público” no 8 de janeiro, além do “desrespeito e afronta aos poderes constituídos, protagonizados por inúmeros participantes do movimento ocorrido na Praça dos Três Poderes”.

“A Constituição Federal assegura o exercício do direito de reunião e de liberdade de manifestação, desde que de forma pacífica e nos locais abertos ao público (art. 5º, XVI), não tendo essa regra sido observada por aqueles que realizaram as invasões e depredações do patrimônio público e demais ilícitos criminais ocorridos no domingo do dia 08/01/2023”, declarou.

Entretanto, Nunes Marques disse que as prisões em flagrante e a eventual conversão em prisões preventivas ou em medidas cautelares diversas da prisão “exigem, necessariamente, a identificação precisa dos responsáveis pelos ilícitos criminais ocorridos no dia 8 de janeiro de 2023 e a individualização de suas respectivas condutas”.

“Vale ressaltar, ademais, que a prisão preventiva constitui sempre o [último recurso], tornando-se necessário verificar sempre a possibilidade da adoção das medidas alternativas”, declarou.

Até o início desse mês, dos.1.398 manifestante presos no 8 de janeiro, 916 seguiam detidos em penitenciárias do Distrito Federal, segundo a SEAPE-DF (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária).

 Jornal da Cidade Online

 

O Maranhão é o 4º Estado do Brasil com maior número de áreas de risco para desastres naturais

De acordo com mapeamento feito pelo Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil, através do Serviço Geológico do Brasil, o Maranhão detém 92 áreas de riscos para desastres naturais, com um número considerável na capital, sendo superado apenas por Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo

O Brasil tem 13.542 áreas de risco, passíveis de desastres naturais. O número consta num levantamento feito pelo Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil, através do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), que realiza o mapeamento para desastres geológicos e hidrológicos. De acordo com o SGB, as regiões estão localizadas nos 1.632 municípios mapeados. Das 117 cidades analisadas no estado de São Paulo, foram identificadas 848 áreas de risco.

Confira os estados com mais municípios mapeados:
Santa Catarina: 294
Minas Gerais: 199
São Paulo: 117
Maranhão: 92
Bahia: 90

De acordo com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o país tem cerca de 4 milhões de pessoas que vivem em áreas com altíssimo risco de desastre natural como o que aconteceu no litoral paulista no final de semana.

“Isso requer um esforço preventivo muito grande, ao mesmo tempo que precisamos dar resposta aos desastres que podem ocorrer. É preciso que se avance muito em outras medidas preventivas”, comentou o ministro em entrevista à Record TV.

Um dos problemas mais sérios nas cidades em existem riscos sérios de desastres naturais, os gestores públicos geralmente enfrentam os problemas nos períodos de chuvas. Quando passa o inverno, todos ignoram a problemática e esperam o outro inverno, quando deveriam proceder no verão as obras de prevenção. Há necessidade mais do que urgente, de que governos estaduais, prefeituras e câmaras municipais despertem para ações importantes, uma que além de protegerem vidas, evitam desperdícios de recursos públicos e muitos transtornos. As observações acima, são do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil. No caso do Maranhão, a maioria das áreas de risco estão concentradas na capital, que por falta de prevenção, todos os anos são feitos serviços paliativos, decorrente da falta de compromisso com a população atingida, seriedade, zelo e transparência com os recursos públicos.

Fonte: R7

 

CNBB lança a Campanha da Fraternidade sobre a fome no Brasil nesta quarta-feira de cinzas

No Brasil, mais de 33 milhões de pessoas estão em situação de fome, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. O país voltou a aparecer no Mapa da Fome das Organizações das Nações Unidas, a ONU, depois de uma década, ainda mais durante e depois da epidemia.

A emergência sobre o assunto fez com que, pela terceira vez, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumisse a realização de uma Campanha da Fraternidade que trouxesse luz ao tema, buscando fomentar ações, em todos os níveis, para minimizar os impactos desta realidade na vida do povo brasileiro.

Convocando todos a considerar a fome como referência para reflexão e propósito de conversão, a Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema “Fraternidade e Fome” e o lema bíblico, extraído de Mateus 14, 16: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”.

O lançamento acontece oficialmente hoje, dia 22 de fevereiro (quarta-feira de cinzas), às 10h, na sede da CNBB, em Brasília (DF), e um dos objetivos é propor aos fieis um caminho de conversão para não ceder à cultura da indiferença frente ao sofrimento humano conforme pede o Papa Francisco.

Programação  

A cerimônia de lançamento da CF 2023 terá início com a Santa Missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, na sede da CNBB, às 9h, presidida pelo secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, e concelebrada pelos padres assessores da CNBB. Na sequência, às 10h, dom Joel e o assessor do Setor de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, farão a acolhida e saudação no auditório Dom Helder Câmara, na sede da entidade.

Na programação estão previstas a apresentação de um vídeo com práticas solidárias da Igreja no Brasil no enfrentamento à fome, bem como a apresentação da mensagem do Papa Francisco para a Campanha da Fraternidade 2023. O atendimento à imprensa, programado para acontecer às 11h, será feito, presencialmente, no final da cerimônia.

A Campanha da Fraternidade  

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe à Igreja e a todos os homens e mulheres de boa vontade, pela 60ª vez, desde 1964, a Campanha da Fraternidade. No Brasil, a Campanha da Fraternidade é um modo de a igreja celebrar o tempo da Quaresma, com oração, jejum e caridade associado à reflexão e ação sobre um tema específico.

Expressão de comunhão, conversão e partilha, a Campanha desperta o espírito cristão e comunitário na busca do bem comum; educa para a vida em fraternidade e renova a consciência da responsabilidade de todos pela ação evangelizadora, em vista de uma sociedade de irmãos.

A Coleta Nacional da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade, acontece em todas as comunidades do Brasil, no Domingo de Ramos. Em 2023, a Coleta será realizada no dia 2 de abril. Do total arrecadado, as dioceses enviam 40% ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), gerido pela CNBB, ação responsável pelo atendimento a projetos sociais em todo território brasileiro. A outra parte, 60%, permanece nas dioceses para atender projetos locais, pelos respectivos Fundos Diocesanos de Solidariedade (FDS).

Fonte: CNBB NACIONAL

 

Com escândalo em Portugal, casos de abuso sexual se aproximam de 360 mil na Igreja Católica

Estimativas mostram que maior parte dos casos ocorreu na França, com cerca de 330 mil menores vítimas de padres desde 1950. O Brasil ainda não aparece na lista, embora haja registro de centenas de casos  

Os quase 5.000 crianças e adolescentes que foram vítimas de abusos sexuais de integrantes da Igreja Católica, somente em Portugal, engrossam uma lista com centenas de milhares de vítimas de padres, religiosos e pessoas próximas à instituição religiosa nas últimas décadas.

Com as descobertas hoje em Portugal, a estimativa de vítimas de abuso sexual dentro da Igreja Católica chega à marca de 359.279 casos desde os anos 1950 — a maior parte na França, com mais de 330 mil casos, de acordo com os cálculos. O número representa o somatório de casos apontados em países como França, EUA, Chile, Irlanda, Alemanha, Polônia e Austrália — veja a lista abaixo.

Portugal

Precisamente, o número de menores que sofreram abusos de membros da Igreja Católica alcança 4.815 no país ibérico, de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira (13), feito por uma comissão independente depois de ouvir centenas de depoimentos. Desse total, 112 testemunhos de vítimas foram oficialmente validados. Do número de denúncias recebidas, o grupo encaminhou ao Ministério Público apenas 25, porque a maioria já prescreveu — embora esteja sendo preparada uma lista de abusadores que ainda estão na ativa. As investigações já estão em andamento.

“Não é possível quantificar o total de crimes”, disse o coordenador do grupo, o psicólogo Pedro Strecht, que garantiu que “a maioria das vítimas foi abusada por mais de uma vez”, de acordo com as conclusões da apuração feita pela comissão dos casos ocorridos na Igreja Católica nos últimos 70 anos em Portugal.

A investigação foi solicitada em 2021 pela Igreja de Portugal, um país de arraigada tradição católica. Em outubro, uma equipe de seis especialistas, liderada por Strecht, anunciou que havia registrado 424 testemunhos legítimos de supostas vítimas, mas advertiu que o número total era “muito maior”. Os fatos denunciados revelam “situações graves que persistiram durante décadas, que se tornam mais evidentes à medida que se recua no tempo e que, em alguns locais, adquiriram proporções verdadeiramente endêmicas”, concluiu a equipe em outubro, em um relatório preliminar.

Um dos 25 casos é o de Alexandra, o segundo nome de uma mulher de 43 anos que prefere permanecer no anonimato e que foi estuprada por um padre quando se preparava para a vida de freira aos 17 anos.

Perfil das vítimas de abuso

A maioria dos autores dos abusos era homem (96% do total) e exercia a função de padre — cerca de 70%. Na maior parte das vezes, os atos aconteceram em seminários, centros de acolhimento, escolas ou instituições esportivas. A média de idade das vítimas era de pouco mais de 11 anos, com a maioria em torno de 52 atualmente. Grande parte era de crianças, que se afastaram da Igreja.

Por regiões, os crimes ocorreram em todo o país, com maior incidência em Lisboa, Porto e Braga. A comissão cobrou ações da Justiça local e pediu acompanhamento psicológico para as vítimas e a suspensão da prescrição dos crimes, que é de 30 anos.

Escândalo na França

O documento divulgado hoje em Portugal integra uma série de escândalos sexuais que envolvem padres da Igreja Católica. Em outubro de 2021, outra comissão independente, da França, emitiu um relatório que chocou o mundo. Na ocasião, a investigação sobre a violência sexual dentro da Igreja Católica francesa calculou em 330 mil o número de menores que foram vítimas de padres, religiosos e pessoas próximas a instituições católicas desde 1950. Esses números são uma estimativa.

Crimes nos EUA

Entre 1950 e 2018, a Igreja Católica nos Estados Unidos recebeu denúncias de mais de 20 mil menores que afirmaram ter sido vítimas de abuso por parte de cerca de 7.000 membros do clero, segundo o site bispo-accountability.org, que compila casos.

Em 2002, o jornal Boston Globe revelou que a hierarquia católica de Boston, incluindo o arcebispo Bernard Law, encobriu agressões sexuais cometidas por quase 90 padres ao longo de décadas. Em 2019, o papa Francisco expulsou o cardeal Theodore McCarrick da Igreja sob acusação de ter abusado sexualmente de adolescentes na década de 1970.

Chile

Mais de 200 membros da Igreja chilena foram investigados por 150 casos de agressões sexuais. Mais de 240 vítimas foram identificadas, 123 delas menores de idade.

O escândalo mais divulgado foi o que envolveu o padre Fernando Karadima por seus ataques contra menores entre as décadas de 1980 e 1990 em uma rica paróquia da capital, Santiago. Em uma polêmica visita ao Chile em 2018, o papa Francisco foi censurado por não agir, ao apoiar um bispo acusado de encobrir crimes atribuídos a Karadima. O pontífice fez um mea culpa e em Roma aceitou a renúncia de sete bispos chilenos.

Abusos sexuais na Alemanha

Uma pesquisa de 2017 descobriu que pelo menos 547 menores de um coro católico de Regensburg foram abusados entre 1945 e o início dos anos 1990. Em 2018, um estudo de acadêmicos concluiu que 3.677 menores foram vítimas de violência sexual na Alemanha entre 1946 e 2014.

O papa Bento 16, que morreu em dezembro do ano passado, foi questionado quando já era emérito em 2022 por sua gestão da pedofilia na Alemanha quando era arcebispo de Munique. Segundo um relatório dessa diocese, entre 1945 e 2019 pelo menos 497 pessoas, a maioria crianças e adolescentes, foram vítimas de agressões sexuais.

Escândalos da Igreja Católica na Irlanda

Na Irlanda, as primeiras alegações surgiram na década de 1980. A partir de 2008, a Igreja iniciou uma série de investigações internas sobre a alegação de agressões sexuais cometidas desde 1975 por pelo menos 85 padres.

Polônia

Desde 2018, a Igreja Católica na Polônia recebeu centenas de denúncias sobre agressões sexuais contra menores atribuídas ao clero. Em 2019, admitiu que quase 400 padres abusaram sexualmente de crianças ao longo de três décadas.

Austrália

Após uma série de escândalos, uma comissão do governo investigou, entre 2013 e 2017, a Igreja Católica e outras instituições que abrigam menores. O relatório concluiu que 7% dos religiosos católicos receberam denúncias de agressão sexual contra menores entre 1950 e 2010, sem que isso implicasse uma investigação dos fatos.

Fonte: R7