Indígena Kaapor é morto por madeireiros no Maranhão

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No município de Centro do Guilherme, Maranhão, Euzébio Kaapor foi baleado com dois tiros nas costas e faleceu ontem (27). O seu corpo foi velado na aldeia Axiguirendá.

              A luta dos Kaapor em defesa do território desagrada madeireiros há algum tempo. Várias violências já ocorreram e os indígenas reivindicam a proteção do território. A Assembleia Kaapor deste ano confirmou o compromisso com a defesa da floresta. A promiscuidade existente entre madeireiros e até autoridades locais incentiva a exploração ilegal da madeira, um crime lucrativo.

Em 07 de agosto de 2014, os Kaapor Guardiões da Floresta expulsaram vários madeireiros no interior da Terra Indígena Alto Turiaçu. A TI Alto Turiaçu tem 5.305 km² de área e compreende seis cidades do Maranhão. A ação acabou com um caminhão queimado e a abordagem de não indígenas envolvidos na destruição da floresta amazônica. Os guerreiros Ka’apor contaram com a ajuda de outras quatro aldeias da região. Os acampamentos encontrados foram destruídos.

O governo federal é responsável por este homicídio. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a política indigenista em curso no país é omissa no que tange ao cumprimento das diversas obrigações constitucionais e da efetivação dos direitos indígenas. A total paralisação dos processos de demarcação de terras indígenas, os altos índices de mortalidade infantil, suicídio, assassinato, racismo e de desassistência nas áreas de saúde e educação indicam uma atitude de extremo descaso do governo em relação às populações indígenas.

 (Por Luis Antônio Pedrosa, advogado da Sociedade Maranhese de Direitos Humanos e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA e Diogo Cabral, advogado da CPT/Ma e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos)

 

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