Depois de tentar liberar desinformação eleitoral, ministro do STF dá sua própria contribuição para as mentiras que os lulistas disseminam. Após tentar liberar desinformação eleitoral, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino (foto) deu nesta quarta-feira, 30, sua própria contribuição para as mentiras que os lulistas disseminam sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usando Nossa Senhora Aparecida. Baseando-se em dez notícias esparsas sobre ataques de contexto religioso, inclusive com duas histórias sobre casos que dizem respeito a religiões de matriz africana e uma ocorrida no ano passado, Dino chamou a atenção para uma “aparente onda de ataques nos últimos meses contra IMAGENS RELIGIOSAS“ (o grifo é dele), e pediu a abertura de uma investigação. Esse despacho não foi provocado por ninguém oficialmente, apesar de o ministro mencionar “no primeiro caso abaixo mencionado, o envio foi providenciado pelo Ilustre Decano deste STF, Ministro Gilmar Mendes”.
Para pedir a abertura de investigação à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República (PGR), Dino usou o mesmo processo sobre Deltan Dallganol (Novo) que já tinha usado para cassar a decisão de André Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proibira a publicação de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida — o caso voltou ao TSE após intervenção de Luiz Fux.
Oficial
Com mais esse despacho injustificável, Dino se une a Lula, Janja, Geraldo Alckmin e Simone Tebet, entre outros que surfaram a onda da fake news de Nossa Senhora Aparecida, com a diferença de que o ministro do STF oficializou a mentira, ao reforçar um dos seus pilares. Desde que Mendonça mandou tirar do ar essa fake news, alguns lulistas e jornalistas tentam convencer que não é mentirosa a história de que Flávio Bolsonaro pretende tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Antes de tudo, um presidente não poderia fazer isso, porque quem declara a padroeira é a própria Igreja Católica. Além disso, a proposta legislativa que embasa essa fake news trata apenas da forma como o feriado de 12 de outubro seria rotulado, para se restringir a uma homenagem católica.
O que restou
Restou, portanto, falar sobre o alegado temor na cúpula da Igreja Católica sobre o avanço evangélico no Brasil, em meio aos outros elementos difusos, como a declaração de Flávio de que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo” e o fato de que o autor da proposta de alteração no feriado, Victório Galli (PP), trabalhou no governo de Jair Bolsonaro e é candidato a deputado federal neste ano. O pedido de investigação de Dino sobre a “aparente onda de ataques” se localiza nesse contexto, para reforçar uma tensão que não existe e endossar as suspeitas que os lulistas fazem circular.
Depois de passar mais de sete anos enxergando fake news até em verdades que os desagradavam, os ministros do STF passaram a disseminar suas próprias mentiras, sempre em nome da democracia.
O Antagonista