Casas de quilombolas e Igreja Católica foram incendiadas em Codó. Lideranças comunitárias e vários padres estão ameaçados de morte. Os casos são públicos e denunciados as autoridades, que aguardam o registro da violência com morticínio para se manifestarem.
Os conflitos agrários no Maranhão envolvendo trabalhadores rurais, quilombolas, povos indígenas e outras comunidades tradicionais, do outro lado estão grileiros, latifundiários, empresários da agropecuária e do agronegócio, com defesas de grupos políticos com fortes influências nas instituições do Executivo e do Judiciário. São muitas denúncias feitas por entidades da sociedade civil organizada a órgãos públicos estaduais e federais e de pouco ou nada adianta, uma vez que a opressão se torna mais acentuada. Apenas como exemplo temos o município de Codó, em que os ex-prefeitos Biné Figueirêdo e Zito Rolim já estiveram na lista suja do trabalho escravo e o deputado César Pires, que utilizaram muitas vezes a Policia Militar contra quilombolas e há casos de assassinatos com a marca de jagunços.
O INCRA durante o período em que foi manipulado pelo Partido dos Trabalhadores no Maranhão postergou desapropriações e até regularizações fundiárias e a maioria foi para atender interesses de políticos. Na Baixada Maranhense e no Baixo Parnaíba perderam-se a conta de pessoas que abandonaram suas posses seculares e as mortes praticadas por jagunços a serviço de elementos protegidos por políticos.
Muitos dos assassinatos praticados em nosso Estado foram denunciados a Organização dos Estados Americanos e a Anistia Internacional, mas de pouco ou nada adianta, uma vez que a problemática continua crescente.
Para se ter uma dimensão da crueldade, os povos indígenas das áreas de Barra do Corda e Grajau, para garantir direitos legítimos à saúde, a escolas, merenda escolar, professores e respeito a dignidade deles , são obrigados a fazer interdições na principal rodovia do local e com estratégia eles conseguem alguma coisa, mas muitos dos seus direitos são roubados.
Há poucos dias a Comissão Nacional da Pastoral da Terra divulgou o caderno de conflitos no campo, em que estão registrados todos os problemas relacionados ao Maranhão. A CPT estadual afirma que o Governo do Maranhão tem informação de todos os 360 conflitos agrários no Estado e dos casos na iminência de confronto. É também público, que em 2016 foram registrados 196 casos de ocorrências de violência contra os povos do campo, além de 13 pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte.
Diante dos fatos registrados com os povos indígenas Gamela, em Viana, em que pesam acusações graves de incitação a violência pelo ex-Secretário de Segurança Pública do Maranhão e atual deputado federal Aluísio Mendes, precisa ser investigado, assim como de outros políticos grandes responsáveis pelo derramamento de sangue no meio rural do Maranhão, mas apenas procuro lembrar, mesmo com a convicção plena de que a impunidade é certa.
