O Relatório do Caderno de Conflitos no Campo 2014, da um grande destaque à problemática no Maranhão. Embora o registro de 2014 apresente um número superior a 120 de conflitos pela posse da terra, a realidade atual mostra que são mais de 200 com tendências de crescimento. Os posseiros seculares, principalmente quilombolas são os mais perseguidos e expulsos das suas terras para atender interesses do agronegócio sempre protegido pela classe politica. Os conflitos mudaram bastante, uma vez que até pouco tempo o negócio eram terras para as monoculturas extensivas e para a pecuária. Agora os avanços seguem para áreas onde existe água, de rios e afluentes nos municípios que não foram afetados com a estiagem.
O bispo Dom Enemézio Lazzaris, da Diocese de Balsas e presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra, deverá falar sobre a violência no campo, durante a 53ª Assembleia Geral da CNBB, que teve início hoje no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. O bispo Dom Sebastião Bandeira, da Diocese de Coroatá, que tem enfrentado conflitos graves em sua região, principalmente no município de Codó, com certeza deve se manifestar nos debates. Há uma união de políticos, grileiros, latifundiários e empresários do agronegócio para perseguir milhares de famílias no meio rural. As ameaças são muitas e muita gente teme pela vida de muitos padres já ameaçados e até mesmo pela de Dom Sebastião Bandeira, que não tem se intimidado e constantemente vai a várias comunidades de Codó para celebrar com o Povo de Deus, oprimido, perseguido e com a negação aos seus direitos. Casas de trabalhadores rurais e Igrejas Católicas já foram incendiadas.
Inúmeras denúncias foram feitas a inúmeras instituições dos Poderes Público, mas de nada adiantou, e apesar das mudanças politicas, não há qualquer otimismo com vistas a pelo menos trégua. A problemática terá solução com as desapropriações das áreas em conflito e a regularização fundiária, o que ao longo dos anos foram postergadas pela Superintendência do INCRA, principalmente nos últimos quatro anos, quando muitas foram as demonstrações dadas pelo órgão público federal em atender interesses políticos partidários. No Maranhão há necessidade de uma politica séria, determinada e corajosa para avançar com a reforma agrária tanto pelo governo federal como pelo estadual. Precisam-se arrecadar terras devolutas que estão incorporadas ao patrimônio de grandes empresas. Há denúncias de grandes áreas em poder do grupo Suzano Papel Celulose, na região do Baixo Parnaíba, que o ITERMA tem se omitido a arrecadar naturalmente por conveniências politicas. Agora é esperar se haverá um basta e se realmente as terras podem ser destinadas para a agricultura familiar.
