A produtora do filme Dark Horse registrou em documento juramentado que a Polícia Federal bateria à sua porta se ela não aceitasse delatar o candidato Flávio Bolsonaro. A polícia cumpriu a ameaça. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (10) e acabou apreendendo a certidão de óbito do próprio método inquisitorial da PF de Brasília. Dentro da casa de Karina Gama, produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, os agentes recolheram um documento de quatro páginas.
Declaração Juramentada
É uma declaração juramentada, redigida e datada antes da operação acontecer, que descreve com precisão de minutos e nomes o roteiro da coação política no Brasil. A empresária deixou registrado: Disseram a ela que, se não aceitasse forjar uma delação premiada contra Flávio Bolsonaro, viraria alvo de uma operação policial cinematográfica por pura retaliação política.
Hoje, os camburões bateram à porta dela. Não foi a polícia que desvendou um crime. Foi o Estado que cumpriu, com atraso de semanas, a ameaça criminosa, que ela havia registrado em cartório. O documento detalha a anatomia dos três emissários do poder:
Primeiro contato: 22 de maio de 2026, às 9h07
O empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, ofereceu apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o ministro Flávio Dino, colocando-se à disposição caso a produtora quisesse fazer uma delação premiada. A empresária recusou por não ter o que delatar.
Segundo contato: 27 de agosto de 2026, às 11h22
Um líder religioso com trânsito no governo federal e no Supremo Tribunal Federal procurou a empresária a pedido de interlocutores dessas autoridades. O recado foi explícito: se ela fizesse a delação, nada aconteceria com ela e ela não seria alvo de nenhuma operação policial. Ela recusou novamente.
Terceiro contato:
Um jornalista da imprensa tradicional entrou em cena para pressionar, afirmando que ela estaria servindo de bucha de canhão para o candidato e que a recusa em colaborar resultaria em medidas judiciais imediatas. O desfecho do documento redigido por Karina antes de sofrer a busca é devastador:
“Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito
Está tudo aí, do preto no branco
A delação premiada em Brasília deixou de ser investigação para obtenção de prova para se tornar instrumento de extorsão estatal. Aperta-se o elo mais fraco da corrente, manda-se o recado pelo filho do oligarca, pelo pastor e pelo repórter amestrado.
Se o alvo se recusar a mentir contra o adversário político da vez, o aparato repressivo do Estado é acionado para fabricar a culpa na marreta. E por que o desespero em caçar Flávio Bolsonaro a qualquer custo?
Basta olhar a pesquisa do Poder Data divulgada hoje: Flávio lidera no segundo turno contra o presidente da República. Quando o sistema percebe que as urnas estão escapando do controle, o tribunal e a polícia entram em campo como linha de montagem eleitoral.
O documento apreendido pela Polícia Federal nesta manhã não incrimina a produtora. Ele incrimina a República.
Jornal da Cidade Online