A ex-presidente Dilma Rousseff (Futura Press)
Por Marcelo Coelho
— As imagens da ex-presidente Dilma Rousseff e do governador Fernando Pimentel foram rapidamente apagadas das paredes do comitê estadual do PT instalado em uma casa na região central de Belo Horizonte. Dias após o resultado do primeiro turno, as pinturas das duas principais lideranças petistas no estado foram substituídas pela tinta branca, que passou a dominar as paredes da sede da campanha. Apenas um resquício da antiga parede permaneceu intocado, com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os dizeres “Lula Livre”.
As derrotas de Dilma (que ficou em quarto lugar na disputa pelo Senado), e de Pimentel (que não passou para o segundo turno na tentativa de reeleição ao governo de Minas) caíram como um balde de água fria na militância. Por outro lado, parlamentares comemoram sobrevivência da bancada petista em comparação com redução das bancadas do PSDB e MDB e já organizam oposição ao próximo governador.
Nesta semana, em encontro na capital mineira dos parlamentares e militantes petistas para o lançamento da “Frente Ampla pela Democracia Contra o Fascismo” – ação em apoio à candidatura de Fernando Haddad ao Palácio do Planalto –, o discurso principal era de resistência e de mobilização até o último dia de campanha para tirar votos do candidato Jair Bolsonaro (PSL). No entanto, entre os presentes, um dos assuntos mais comentados era sobre o resultado surpreendente das urnas no primeiro turno. Principalmente a derrota da ex-presidente Dilma Rousseff, que liderou todas as pesquisas de intenção de voto durante a campanha para o Senado e causou decepção entre os petistas mineiros. Esperados no evento, ela e o governador Pimentel não participaram do ato.
“Foi de fato uma surpresa, já que até as pesquisas mais pessimistas davam sua vitória na véspera. Houve muita ‘fake news’ atacando a presidenta Dilma, como se ela fosse culpada pelos problemas do Brasil. Quando na verdade ela foi vítima de um golpe e os problemas foram resultado do governo Temer. Houve também uma onda bolsonarista que chegou muito forte em Minas e atingiu os votos em Dilma”, analisou o deputado eleito Rogério Corrêa (PT).
Ao longo da campanha a ex-presidente foi recebida como principal liderança do PT nos eventos pelo estado – até mais badalada do que o governador Fernando Pimentel, que enfrentava críticas pelo atraso no pagamento dos servidores. Dilma tinha vantagem folgada para o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto. Dias antes da eleição, ela aparecia com percentuais próximos de 30% na preferência do eleitorado mineiro. Como foram duas vagas em disputa, sua vitória era considerada garantida. O resultado mostrou que as pesquisas passaram longe da realidade e Dilma terminou como quarta colocada, com 15% dos votos válidos.
“A criminalização da atividade política de forma geral foi colocada na conta do PT. Tivemos a mistura de um sentimento da antipolítica com a criminalização injusta do partido entre grande parte dos eleitores. Sem dúvida isso afetou os nomes mais fortes do PT. No caso do governador Pimentel houve ainda um cerco feito pelo governo Temer que prejudicou ainda mais a situação dos cofres estaduais”, avalia o deputado Reginaldo Lopes (PT), segundo parlamentar mais votado em MG e um dos coordenadores da campanha petista no estado. Após o resultado, Dilma agradeceu os 2,7 milhões de votos e prometeu participar das mobilizações de campanha pela eleição de Haddad. Porém, até agora ela não voltou a participar de eventos públicos do partido.
“Quero agradecer aos 2.709.223 mineiros e mineiras que me honraram com seus votos para o Senado. É uma honra lutar pela democracia, nesses tempos de retrocessos. Honro Minas e nosso povo. A luta agora é para formar uma Frente Ampla em defesa da democracia e contra a desigualdade. Vamos marchar juntos contra o ódio, o atraso e a violência”, escreveu Dilma horas após o resultado do primeiro turno.
Fonte: Yahoo Noticias
