Depois que o Governo do Maranhão decidiu utilizar em massa, a mão de obra de presos de todos as unidades prisionais do Sistema Estadual Penitenciário para a produção de bloquetes de cimento, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária ganhou destaque e é hoje é a grande referência, envolvendo milhões de reais, em um negócio tratado entre o secretário Murilo Andrade, a sua república mineira, da qual fazem parte vários elementos e parentes do titular da pasta, prefeituras e Secretária de Infraestrutura.
De acordo com denuncias que já chegaram a ser enviadas a Coordenação do Sistema Penitenciário do Tribunal de Justiça do Maranhão e Ministério Público do Trabalho com pedidos de fiscalização, de nada adiantou. Como a produção tem sido crescente, os presos são obrigados a trabalhar e muitos já chegaram a atingir a exaustão, uma vez que políticos, gestores e até empresas privadas acabam se beneficiando com a produção através da exploração humana dos presos.
Um grande projeto iniciado na administração do ex-governador Flavio Dino é que muitas ruas centrais de dezenas de municípios tenham calçamento feito com bloquetes, a exemplo do que foi feito na rua Grande em São luís, que pode ser confeccionado praticamente a custo zero pelos presentes, explorados como escravos, percebendo remuneração correspondente à metade do salário mínimo sem número de horas de trabalho por dia, em que não estão isentos os finais de semana.
As fugas mais recentes ocorreram quando dois detentos abandonaram o trabalho na produção de bloquetes e conseguiram escapar, uma vez que não existia escolta, o que tem sido constante. Depois houve o caso de fugas em razão de ameaças de torturas, que teria sido revelado por alguns dos recapturados. Outro fato sério é que muitos presos conhecidos como perigosos estão sendo encaminhados para a produção de bloquetes, numa articulação facilitada para fugas, o que já mereceu denúncia, mas de nada adiantou.
A fuga desta semana, teria ocorrido com a escavação de um túnel e na lista dos 11 que escaparam, constam nomes de elementos de alta periculosidade e de outros que temem morrer de exaustão pela escravidão a que são submetidos todos os dias. Dois dos 11 fugitivos já teriam sido recapturados. Quanto as providências para apuração dos fatos, a partir da escravidão ficam apenas nas especulações e como tem muita gente se dando bem com a exploração dos presos e outros se fazem de desentendidos, a esculhambação avança, mas dentro do contexto existem muitos recursos, principalmente de origem federal.
Perante o Conselho Nacional de Justiça, o Sistema Penitenciário do Maranhão é uma das referências de ressocialização e padrão para todo o Brasil, em que fugas, mortes dentro do cárcere e torturas denunciadas não são levadas em conta. Para muitas autoridades locais, a exaltação é feita totalmente com conquistas, indiferente à realidade dos fatos.
Fonte: AFD








