O Brasil tem 1,5 milhão de crianças no trabalho infantil, diz o IBGE. Elas são invisíveis ao governo Lula

Dados apontam que 4% da população de 5 a 17 anos estava nessa condição; incidência é maior entre adolescentes e na Região Norte. O Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% da população nessa faixa etária. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo   Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A incidência aumenta conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, o índice foi de 1,1%. Na faixa de 14 a 15 anos, são 5,9%, e entre adolescentes de 16 e 17 anos atingiu 14,5%. Em números absolutos, o Sudeste concentrou o maior contingente, com 481 mil crianças e adolescentes nessa situação, seguido pelo Nordeste, com 408 mil; Norte, com 249 mil; Sul, com 233 mil; e Centro-Oeste, com 128 mil. Proporcionalmente à população jovem de cada região, o Norte apresentou a maior taxa, de 6,3%, enquanto o Sudeste a menor, de 3,3%. Pretos ou pardos correspondiam a 67% do total de jovens em situação de trabalho infantil.

A pesquisa também identificou diferenças na escolarização. Entre adolescentes de 16 e 17 anos submetidos ao trabalho infantil, 79,6% frequentavam a escola, ante 89,6% da população total da mesma faixa etária, uma diferença de 10 pontos percentuais. O comércio e a reparação de veículos lideraram as atividades econômicas identificadas, com 29% dos casos. Em seguida, apareceram agricultura, pecuária e pesca (16,7%), indústria geral (12,5%), alojamento e alimentação (12,2%) e serviços domésticos (6,5%).

Entre crianças e adolescentes residentes em domicílios beneficiários do Bolsa Família, 4,4% estavam em situação de trabalho infantil. Além disso, 67,9% das pessoas de 5 a 17 anos também realizavam afazeres domésticos ou tarefas não remuneradas de cuidado. Considerando toda a população de 5 a 17 anos, 47,9% das meninas e 36,6% dos meninos realizavam tarefas domésticas ou cuidavam de pessoas no próprio lar ou para parentes.

Diário do Poder

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