Ao tentar impor as suas próprias regras e se negar a entendimentos com a comunidade da Aurora, sobre a instalação de uma unidade na Funac para menores infratores, dentro de uma área residencial do bairro da Aurora, o Governo do Estado decidiu medir forças com uma comunidade pobre, mas não avaliou que ela é formada por cidadãos dignos e defensores dos seus direitos.
Se tivesse havido um diálogo para entendimentos, todo o problema poderia ter sido resolvido e com certeza as partes definiriam um consenso e todos juntos não encontrariam dificuldades para construir uma plena harmonia, destacam várias lideranças do bairro da Aurora.
A verdade é que o autoritarismo da imposição e a presença ostensiva da força policial para intimidar os moradores da Aurora, acendeu dentro das pessoas, o sentimento de luta por direitos e dignidade. A organização comunitária prevaleceu e todos descobriram o quanto são capazes, ignorando totalmente o quero, posso e mando.
Durante audiência de conciliação na Vara dos Direitos Difusos e Coletivos, que tem como juiz titular Douglas Martins, os prepostos do governo do estado e as lideranças comunitárias não conseguiam chegar a um denominador comum, tendo o magistrado se colocado como mediador, gerando um consenso. O Governo do Estado assumiu o compromisso de retirar a unidade da Funac, que abriga menores infratores, muitos dos quais de elevado índice de periculosidade, até o mês de dezembro do presente exercício. Como compensação, o governo também firmou compromisso de manter na área da Aurora, um policiamento de 24 horas por dia e recuperar uma quadra esportiva e equipá-la para diversas modalidades esportivas e exercícios físicos.
A comunidade da Aurora sente-se amplamente vitoriosa e entende que a organização comunitária conseguiu perfeitamente se sobrepor a força e ao poder, além de constituir o caminho correto para a dignidade coletiva.
