Gilbson Cutrim Júnior recebe benefício pouco mais de 2 anos depois da condenação de 13 anos de prisão. O caso Tech Office, que resultou na condenação de Gilbson César Soares Cutrim Júnior pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, voltou ao centro da disputa política e institucional do Maranhão, após uma sequência de movimentações entre 2025 e 2026. E, nesta quinta (21), o ministro do Flavio Dino, ex-governador do Estado, concedeu ao criminoso o regime semiaberto após pouco mais de dois anos de sua condenação a 13 anos, 1 mês e 15 dias de prisão. A decisão foi possível após Dino avocar o processo do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O condenado por assassinato cumpria pena no sistema prisional maranhense quando, a partir de 2025, ocorreram mudanças de versões apresentadas por familiares, transferência do preso para Brasília, federalização do debate e posterior avocação do processo pelo ministro do STF Flávio Dino. Agora, Dino concedeu o regime semiaberto ao condenado.
Entenda histórico do caso:
- Em dezembro de 2024, Gilbson Cutrim foi condenado pelo Tribunal do Júri da capital maranhense a 13 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em regime fechado.
- A investigação policial e a sentença judicial apontaram que o crime teve origem em disputas financeiras relacionadas a pagamentos referentes à empresa SH Vigilância e Segurança LTDA.
- A cobrança teve origem em dezembro de 2014, envolvendo serviços de vigilância armada prestados em escolas estaduais da regional de Imperatriz.
- O processo administrativo começou a tramitar em 2015, no início da gestão do então governador Flávio Dino, período em que Felipe Camarão (PT) ocupava o cargo de secretário de Educação.
- O processo permaneceu sem avanço durante anos e acabou paralisado. Em 2019, foi reativado no âmbito da Secretaria de Educação do Maranhão.
- O reconhecimento formal da dívida e o encaminhamento da ordem de pagamento foram assinados por Camarão.
- Documentos apontam ainda que o morto, João Bosco, foi posteriormente nomeado por Felipe Camarão para cargo de confiança na estrutura da própria Secretaria de Educação em 2021.
- João Bosco possuía extensa ficha criminal, incluindo processos por homicídio e acusações relacionadas ao cárcere privado do então prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, em episódio ligado à cobrança de dívidas envolvendo recursos públicos municipais.
- Em abril de 2022, Camarão deixou a Secretaria de Educação para disputar o cargo de vice-governador.
- O pagamento passou a ser operacionalizado posteriormente por Delmar Matias Júnior, então subsecretário financeiro da pasta, que permaneceu no cargo juntamente com a maior parte da equipe administrativa.
- Mesmo após condenação e início do cumprimento da pena, o caso voltou a ganhar repercussão pública a partir de 2025.
- A nova fase do caso foi marcada por mudanças de versões apresentadas por familiares do condenado, além de manifestações públicas tentando vincular politicamente o episódio ao entorno do governador Carlos Brandão.
- O processo, que tramitava no Superior Tribunal de Justiça sob relatoria do ministro Humberto Martins, foi avocado no final de 2025 pelo ministro Flávio Dino para relatoria junto ao Supremo Tribunal Federal.
- As movimentações passaram a chamar atenção no meio político e jurídico maranhense por ocorrerem em meio ao agravamento do distanciamento político entre o governador Carlos Brandão e o grupo político ligado ao ex-governador Flávio Dino.
- Nesta quinta-feira (21), Flávio Dino concedeu regime semiaberto a Gilbson César Soares Cutrim Júnior no âmbito do processo, agora no STF.
- A retomada do caso e transferência do preso ocorre também em um momento em que o Maranhão vinha recebendo reconhecimento nacional por avanços no sistema prisional.
- Em 2025, o Estado foi citado pelo Ministério da Justiça e por integrantes do STJ como referência em ressocialização, após atingir índices superiores a 80% da população carcerária inserida em atividades laborais.
DIÁRIO DO PODER