Quando vieram a público as imagens de policiais militares em ação de selvageria destruindo duas casas de bingo e agredindo empregados e pessoas flagradas na contravenção penal, fui bem taxativo ao afirmar que o fato se tratava de falta de comando com desvios de comportamentos, não apenas dos militares que executaram a ação, mas de quem estava no comando da operação e que deve ter autorizado a truculência exacerbada. Se houve alguma providência, ela não foi socializada à população, que merecia até por respeito e uma resposta das autoridades a sociedade e mais precisamente do próprio Governador do Estado.
A Policia Militar é uma instituição muito maior do que todos os seus atuais integrantes e das autoridades do governo. Ela é um instrumento da ordem e da segurança a serviço do Estado. Como tal não se pode tentar criar uma imagem negativa dela, por práticas de atos isolados de alguns dos seus integrantes, principalmente quando fica caracterizada falta de comando e os desvios de comportamentos.
O caso dos estudantes do C.E. Bacelar Portela, os alunos praticavam um ato em defesa de direitos, que o Governo do Estado vem lhes negando a ter escola pública de qualidade com condições dignas para eles e os professores. Qualquer desculpa dos militares, os quais teriam sido agredidos verbalmente pelos alunos, não dá direito a que façam uso da força em condições desiguais e covardes. Todos são treinados para ter equilíbrio emocional necessário e a utilização de qualquer tipo de arma é para casos extremos, quando mesmo em confrontos com bandidos.
As imagens mostram os militares de ordem desordenada aplicando spray de pimenta contra os estudantes e uma jovem de maneira covarde e truculenta sendo puxada pelos cabelos, que não teve nenhuma iniciativa de defesa, porque são estudantes e que estavam em ato público cobrando direitos constitucionais por educação de qualidade.
A Policia Militar não pode e nem deve se constituir em força de opressão à população, muito pelo contrário ela deve procurar interação com os segmentos sociais com respeito mútuo. O que estamos vendo e felizmente em casos isolados são desvios de comportamentos e falta de comando, o que consiste na ausência de capacidade técnica dos militares, que ainda não estão capacitados para atividades inerentes a segurança pública.
Entendo, que além das penalidades a serem aplicadas aos militares infratores e covardes, o governador Flavio Dino, o Secretário Jeferson Portela e o Comandante Geral da PM, coronel Pereira devem desculpas aos estudantes do C.E. Bacelar Portela, que acima de tudo são cidadãos e cidadãs maranhenses, e que buscam construir um futuro digno através de uma educação com qualidade, deixando bem claro que os atos praticados não são orientações das instituições públicas.
