Tudo ou nada em 2027: O plano da oposição para conquistar o Senado e frear o STF

O deputado federal Nikolas Ferreira resumiu, dois dias depois das eleições, o novo programa da oposição: “O único freio institucional que teremos é a presidência do Senado”. Isso significa dizer: enquanto o governo tem a caneta e o Supremo Tribunal Federal usa toga, a direita ficou com apenas uma trincheira para fevereiro de 2027. Por trás das cortinas, já há uma conta feita. Segundo o senador eleito Sanderson (RS), 48 senadores na nova formação da Casa seriam favoráveis a processos de impeachment contra ministros do STF. Sete a mais que os 41 necessários para eleger o presidente do Senado.

A direita já escolheu seu nome para a disputa: o senador Rogério Marinho. Contudo, há outros candidatos, como a senadora Tereza Cristina, que mantém sua candidatura à presidência do Senado, apesar das tentativas de unificação da oposição em torno de Rogerio Marinho. O senador Jorge Seif vê como natural que uma bancada que fez o maior número de deputados e senadores desde a redemocratização do Brasil, tenha sua candidatura própria.

“Sem contar que saímos das urnas com 60 milhões de votos. Logo, não há outro caminho, inclusive diante da sociedade, do que o PL apoiar ou lançar candidatura própria. Além de Rogerio Marinho, temos outros nomes excelentes, como Tereza Cristina. Estamos sintonizados com nossos 60 milhões de eleitores que querem mudanças, que não acreditam mais no Supremo Tribunal Federal. Temos que procurar uma independência para o Senado e não essa concordância entre o Executivo, Congresso e Judiciário”, destacou, em entrevista exclusiva à Revista A Verdade.

Alcolumbre sentiu a mudança

Para atrair votos da direita, o atual presidente do Senado começou a sinalizar com pautas antes bloqueadas, como a PEC que cria mandatos no STF e até mesmo a anistia para Jair Bolsonaro. A iniciativa, porém, esbarra na desconfiança. Parlamentares linha-dura, como Carlos Jordy, chamam a proposta de “conversa fiada”, enquanto outros festejam o fato de que senadores de peso não devem seguir a recomendação de seus partidos — como União Brasil e PP — para apoiar o atual comando.

No fim das contas, o recado das urnas que deu à direita a maior bancada do Senado valerá pouco se a presidência continuar nas mãos de quem controla as gavetas. Alcolumbre sabe disso e, por isso, oferece hoje o que negou até agora. Como a votação para a presidência da Casa é secreta, o desafio da oposição será manter a lealdade de sua base sob a pressão das negociações. Freio institucional não se negocia na última hora: ou o Senado freia agora, ou o país descobrirá em 2027 que nunca teve freio algum.

Jornal da Cidade Online

 

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