O ditador Daniel Ortega, aliado do governo Lula, derrubou a cúpula da Corte Suprema de Justiça (CSJ) e colocou sua esposa, Rosario Murillo, no comando da última instância do Judiciário da Nicarágua, correspondente a Supremo Tribunal Federal do Brasil.
A presidente da CSJ, Alba Luz Ramos, e a desembargadora Yadira Centeno González, da Câmara Cível da corte, foram retiradas dos seus cargos. O despejo das duas juízas foi realizado por um grupo de policiais liderados pelo comissário geral reformado Horácio Rocha, assessor presidencial com posição ministerial em assuntos de segurança nacional. Os policiais mandaram as magistradas para suas casas.
A intervenção política foi coordenada pelo conselheiro de segurança Néstor Moncada Lau e pela própria Rosario Murillo. A advogada Carla Lucía Flores Centeno, filha de uma das juízas destituídas, foi presa pela polícia sandinista.
A destituição da juiz Alba Ramos ocorreu logo após as demissões de Berman Martínez, secretário de organização da Frente Sandinista de Libertação Nacional (partido de Ortega) e secretário-geral administrativo do Poder Judiciário, e de Martín García, diretor da unidade de Tecnologia da Informação. Ambos são investigados por acusações de corrupção.
Com a medida, Ortega amplia seu poder sobre todas as instâncias do Estado nicaraguense, já que comanda o Executivo com mão de ferro desde 2007 e controla a Assembleia Nacional da Nicarágua.
Jornal da Cidade Online