Desmatamento do Cerrado cresceu 3% e o Maranhão foi quem mais suprimiu a vegetação nativa

O Cerrado perdeu 11.011 quilômetros quadrados (km²) de vegetação nativa de agosto de 2022 a julho de 2023 de acordo com com projeto Prodes Cerrado, que faz o monitoramento por satélite do bioma. A área suprimida é 3% superior ao resultado anterior, no mesmo período, porém de 2021 a 2022. As informações foram divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nesta terça-feira (28). O instituto é vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (Mcti).

De acordo com o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas Brasileiros do Inpe, Cláudio Almeida, 75% da vegetação suprimida se concentrava na região dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – área conhecida pela sigla Matopiba, apontada como a nova fronteira agrícola do país.

Em termos absolutos, o estado do Maranhão registrou a maior área de vegetação nativa suprimida (2.928 km²). Em seguida vem o Tocantins (2.233 km²), Bahia (1.971 km²) e Piauí (1.127 km²). A maior variação entre os dois últimos períodos foi registrada na Bahia, onde o bioma perdeu o equivalente a uma área 38% superior à degradada entre agosto de 2021 e julho de 2022. Em seguida vem o Mato Grosso do Sul (14%); Tocantins (5%) e Maranhão (3%).

Na contramão, os estados de Goiás (-18%); Mato Grosso (-18%); Minas Gerais (-12%) e o Piauí (-5%) – que também integra Matopiba –, conseguiram reduzir o desmatamento. Desde 2019, a área de vegetação suprimida no Cerrado vem aumentando – ainda que, neste último período, o percentual tenha sido inferior aos dos quatro períodos anteriores. A título de comparação, entre agosto de 2021 e julho de 2022, o Cerrado perdeu 10.688 km², um resultado 25,29% superior aos 8.531 km² desmatados entre 2020/2021.

Jornal do Agro Online

 

Coronel da PM do DF pode ser a próxima vítima a morrer no xadrez depois de Cleriston

Informações que acabam de ser divulgadas, dão conta de que o coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Jorge Eduardo Naime Barreto, teve mais uma crise causada por problemas de saúde e foi submetido a atendimentos médicos de emergência. Essa é a terceira vez que o militar precisou ser cuidado por uma equipe médica desde que foi detido, em 7 de fevereiro. A esposa do militar, Mariana Adôrno Naime, afirmou que o coronel tem sofrido com “fortes dores na cabeça”, “dormência nos braços” e “vômitos”.

“Naime já estava com problemas na saúde desde antes da prisão e vinha passando por tratamento, suspenso desde que foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Em julho agora, ele desmaiou na cela e, dias depois, teve de passar por segundo atendimento. Desde 19 de novembro o Naime vem apresentando fortes dores na cabeça, dormência nos braços e vômitos”, disse.

O militar passou por atendimento na UPA de São Sebastião.

“Ontem [(27/11)], me ligaram do batalhão informando que ele foi levado ao hospital, depois de uma semana sem melhorar. Lá [na unidade de saúde] Naime tomou medicamentos e hoje está em observação”, afirmou a esposa do militar

“Estamos muitos preocupados com a saúde dele. São quase 10 meses, ou 300 dias na prisão. A saúde dele não está boa, por isso entramos com pedido de revogação. Ele tem emprego fixo, tem residência fixa. Ele pode responder [ao processo] em casa, com uso de tornozeleira”, mas infelizmente estamos preparados para o pior, completou.

Jornal da Cidade Online

 

Flavio Dino deixará o cargo sem atender quase 100 convocações do Congresso

Indicado pelo presidente Lula para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino não coleciona relação com o Congresso, ignorando 97 convocações para depor. Já nesta segunda (27), ele iniciou no Senado o “beija mão” buscando aprovação. A oposição promete tentar barrar sua indicação e os números indicam que Flavio Dino não deve ter vida tão fácil quanto o ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula e o mais recente sabatinado, que venceu resistências e acabou aprovado por 58×18 votos. O entrave é decorrente de Flavio Dino não ter atendido convocações para prestar esclarecimentos da sua pasta, quanto a violência e o seu jeito debochado e desrespeitoso como trata os políticos, até mesmo da sua própria base.

Fritura intensa

O jeitão debochado de Flavio Dino rendeu 97 pedidos convocação só na Câmara, afora outras dezenas de “convites” e pedidos de informação.

CPMI ignorada

No Senado, na CPI do 8 de janeiro, Dino foi alvo de 15 pedidos de convocação e outros quatro pedidos de quebra de sigilo telemático.

DPU foi recado

Magno Malta (PL-ES) lembra que o Senado rejeitou indicação de Lula para a DPU e diz: “confiando em Deus, rejeitaremos essa também”.

Politiqueiro

Eduardo Girão (Novo-CE) teme agravar o quadro do que chamou de “tribunal politiqueiro” e questiona, “vai colocar um político nato lá dentro?”

Coluna do Claudio Humberto

 

Desoneração deve ser estendida a todos os setores da economia

Apesar de ser tratada como privilégio concedido a setores politicamente poderosos, e de fato tem sido assim desde 2011, a desoneração da folha de salários transcende esse rótulo limitante. Em realidade, deve ser configurada como um direito a ser estendido a todos os setores da economia e não somente a uma minoria. E mais, não apenas a empregadores, mas também aos empregados. Além de reduzir os custos trabalhistas das empresas e estimular a geração de empregos, a desoneração tem outras vantagens inequívocas, como maior competitividade das exportações, pois encargos sociais não são desonerados no comércio internacional, e redução da litigiosidade trabalhista que no Brasil bate todos os recordes internacionais.

A prorrogação aprovada no Congresso e vetada pelo governo não apenas mantém esse privilégio de poucos, mas ainda dificulta um debate mais amplo acerca da desoneração do trabalho para toda a economia brasileira. Particularmente relevante é o fato de que a atual desoneração, ainda que justificável por si mesma dentro dos limites em que vem sendo utilizada, não abrange setores empregadores de atividades exercidas pela população mais carente, como por exemplo, a mão de obra terceirizada em condomínios, manutenção, limpeza e serviços pessoais, como evidenciado no relatório “Radiografia econômica do setor de serviços” publicado pela Federação Brasileira das Empresas de Asseio e Conservação (Febrac).

 Embora o impacto da desoneração da folha de salários seja de difícil quantificação, alguns estudos sugerem que tal medida poderia estimular o crescimento do emprego, principalmente como uma política ampla e sustentada a médio e longo prazos, já que o mercado de trabalho é notoriamente rígido no curto prazo. Por outro lado, a desoneração da folha também possui potenciais desvantagens, incluindo a diminuição na receita para o financiamento da seguridade social, que já se encontra em estado pré-falimentar. A atual desoneração é concedida sem uma fonte alternativa de financiamento, e sem qualquer condicionante ou cobertura para a receita perdida. Em 2020, o governo estimou um impacto fiscal de aproximadamente R$ 10 bilhões com a desoneração da folha, tendo no passado atingido mais de R$ 30 bilhões anuais. Entre 2011 e 2018 o custo médio dessa política atingiu R$ 25 bilhões por ano.

Como resultado, a desoneração da folha além de ter sido transformada em privilégio permanente para os setores politicamente organizados, ainda implica uma significativa carga adicional a ser suportada pelos setores excluídos desse benefício, e que serão chamados a cobrir os crescentes e explosivos déficits previdenciários, ou então, perderem benefícios como ocorreu com a reforma previdenciária de 2019.

Ademais, deve ser firmemente salientado que a reforma tributária em votação no Congresso Nacional, a PEC 45, implicará elevação significativa da carga tributária sobre os prestadores de serviços. Minhas estimativas sugerem que, considerando a atual configuração da PEC 45, e supondo-se uma alíquota de 27,5% (que considero grosseiramente subestimada), os serviços terão elevação média de 22,7% na carga de impostos sobre a produção.

Algumas atividades deverão suportar aumentos altamente desestabilizadores, como mão de obra temporária 28%, arquitetura e engenharia 38%, condomínios 44%, serviços administrativos 40%, serviços de impressão, cinematografia, desenvolvimento de sistemas e serviços imobiliários com aumentos superiores a 50%, e vigilância e segurança 106%. Dessa forma, a desoneração da folha, desde que acompanhada por algum mecanismo de compensação de receitas perdidas, emergiria como elemento fundamental para reequilibrar o indesejável deslocamento de carga gerado pela PEC 45, que desfavorece os setores mais empregadores do país.

A desoneração da folha de salários não deve ser tratada como uma concessão ou privilégio, mas sim como uma estratégia de política econômica que visa 1) reconstruir o equilíbrio tributário vigente, potencialmente abalado pelos efeitos que advirão da PEC 45 e, 2) alavancar e expansão do emprego e do crescimento econômico e 3) garantir formas mais eficientes de financiamento da moribunda seguridade social brasileira, ponto a merecer uma futura e mais detalhada análise.

Marcos Cintra é doutor em economia pela Universidade de Harvard – EUA

Fonte: CONJUR

 

OAB pede ao STF que ações penais originárias sejam julgadas presencialmente

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil enviou nesta segunda-feira (27/11) ofício ao Supremo Tribunal Federal solicitando que o regimento interno da corte seja alterado para que as ações penais originárias sejam, como regra, julgadas sempre presencialmente. A entidade argumenta que a medida possibilitará sustentações orais nas sessões e, consequentemente, maior direito à ampla defesa.

O documento é assinado pelo presidente da OAB, Beto Simonetti, pelo vice-presidente, Rafael Horn, pelos secretários Leonardo Campos, Sayury Otoni e Milena Gama, e pelos presidentes das 27 seccionais da entidade. O ofício foi enviado ao presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso.

“Não se ignora que o julgamento em Plenário Virtual assegura a manifestação oral do defensor, embora de forma assíncrona ao julgamento. Contudo, diante da relevância e excepcionalidade das ações penais, o julgamento presencial reveste-se de um valor inestimável em prestígio à garantia da ampla defesa, assegurando aos advogados a realização da sustentação oral em tempo real e o esclarecimento de questões de fato relevantes”, diz a OAB.

Um dos argumentos da entidade é que as ações originárias são julgadas no Supremo em única instância, tornando de “extrema relevância e sensibilidade” que as sessões sejam presenciais, com sustentação oral também presencial. Segundo a OAB, a apreciação de inquéritos e de ações penais envolve a análise de fatos e de provas, o que não se compatibiliza com o formato e os tipos de interação permitidos no Plenário Virtual. “Em razão da natureza dos bens jurídicos envolvidos, que incluem a própria liberdade, e da gravidade das possíveis repercussões sobre a esfera jurídica das pessoas afetadas, o processo penal exige a mais ampla garantia das faculdades processuais, que somente se realiza pelo plenário físico”, afirma a instituição no documento.

Por fim, a “complexidade e relevância dos casos e das matérias penais examinadas pelo Tribunal em sua competência originária também atraem o julgamento em plenário físico, uma vez que demandam debate aprofundado e maior interlocução dos Ministros entre si e com as partes”. Além disso, a OAB pediu que os advogados tenham o direito de fazer sustentação oral em recurso interposto contra decisão monocrática de relator que julgar o mérito ou que não conhecer dos recursos.

“Não se trata de mero ato formal, mas de garantia processual que permite a efetiva defesa das partes, representadas pelos advogados, e expressa em lei federal que, quer pelo critério cronológico ou de especialidade, deve preponderar e não pode ser casuisticamente afastada com base em norma regimental de cada tribunal”, diz a OAB.

Fonte: CONJUR

 

Petição do Partido Novo contra Flavio Dino no STF já tem mais de 125 mil assinaturas.

A indicação de Flávio Dino para ocupar a vaga de ministro do STF está causando a maior indignação de todos os tempos, ganhando repercussão negativa em todos os setores da sociedade. Covarde, Lula largou a bomba, arrumou as malas e viajou. O Partido Novo lançou o abaixo-assinado logo após o anúncio oficial do nome do comunista, no início da tarde desta segunda-feira, 27. Para o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, a quantidade de assinaturas em tão pouco tempo aponta o descontentamento da população com “A indicação de Flávio Dino é um deboche. Justamente no momento em que o STF está no centro do debate em razão dos seus abusos, Lula indica seu ministro mais autoritário e prepotente. Essa não é uma decisão de quem quer pacificar o país, mas de quem quer incendiá-lo”, disse.

Eis abaixo a íntegra do comunicado.

Fonte: Jornal da Cidade Online

Vereador Francisco Chaguinhas defende união de instituições e a sociedade para conter a violência

Durante sessão de hoje (27), da Câmara Municipal de São Luís, o vereador Francisco Chaguinhas (Podemos) trouxe à tona a violência crescente não apenas na capital, mas em todo o Estado. O vice-presidente do legislativo municipal, que é um vereador comunitário com presença quase que diária em vários bairros, ouve constantemente o clamor do povo. Lembrou que a população não tem qualquer segurança nas ruas, nos coletivos e nas suas residências, salientando que em muitos bairros a violência assume proporções graves, inclusive com a audácia de violação de residências a qualquer hora do dia. O vereador reconhece esforços das autoridades, mas não se pode negar a falta de contingente, viaturas, atualização profissional e melhoria salarial para os integrantes das forças públicas. Chaguinhas registrou no parlamento, ação da criminalidade na residência do colega de parlamento Domingos Paz, manifestando a sua solidariedade ao colega, mas bem prudente reconheceu que um vereador é parte integrante da sociedade e está passível de ações criminosas, daí é que se tornam ações conjuntas entre instituições para o enfrentamento a violência, principalmente pela invasão do tráfico de drogas, cada mais intenso em São Luís.  

O vereador destacou a necessidade de uma resposta eficaz por parte das autoridades de segurança pública, pedindo investigações rigorosas para identificar e responsabilizar os responsáveis pelos atos criminosos, que tomam proporções graves em nossa capital.

“Entendo que o sistema de segurança deve dar atenção a todos os casos de violência, inclusive o do vereador Domingos Paz que, junto com outras famílias, sofreu a aterrorizante invasão do seu domicílio. Um registro se faz necessário, uma vez que a bandidagem de agora, não teme nem mesmo a polícia, e assim como foi o vereador Domingos Paz, amanhã pode ser um outro membro desta casa e no qual entre as vítimas possa até eu, ser uma delas, daí a necessidade de ações efetivas e contundentes, disse o vereador.  

Segurança Direitos de Todos: O vereador Francisco Chaguinhas concitou os colegas de parlamento para a união de esforços junto aos Sistemas de Segurança Municipal, Estadual e Federal com ações que possam contribuir para pelo menos diminuir a violência em São Luís, afinal de contas a segurança é dever do estado e direitos de todos, mas ninguém pode se negar a fazer a sua parte, destacou Chaguinhas, salientando a união de instituições públicas e privadas e a sociedade para o enfrentamento a bandidagem.

Fonte: AFD

 

 

Não permita, Deus…

Carlos Nina*

Desde que assumiu a presidência da Academia Maranhense de Letras Jurídicas, o advogado Júlio Moreira Gomes Filho tem feito uma administração atuante naquele sodalício, mesmo atravessando os difíceis tempos da pandemia no início dos anos 2020. Estimulou a produção literária de seus membros, lançou uma alentada edição da revista da AMLJ, divulgou a Academia fazendo-se presente em eventos de diversas instituições e, em parceria com outras ou isoladamente, promoveu eventos culturais, além da eleição e posse de novos acadêmicos. Abriu espaços virtuais (mídias sociais) para a AMLJ. Conquistou para a Instituição a condição de entidade de interesse público, nos âmbitos municipal, em 2021, e estadual, em 2023. E já está prestes a lançar mais uma edição da revista da Academia.

No começo de 2023, a AMLJ firmou Termo de Cooperação Técnica com a Defensoria Pública do Estado do Maranhão, do qual resultou um projeto de significativa importância social: Concurso Literário de Poemas “Bicentenário Gonçalves Dias”, cujo edital (Nº 001/2023 – ESDPEMA) previa que o certame se destinava “a fomentar a produção escrita com foco na cultura e no gênero literário em forma de poema, contribuindo para a reinserção de mulheres internas do sistema prisional maranhense“, restringindo a participação às mulheres desse universo.

O Edital Nº 001/2023 – ESDPEMA, assinado dia 14 de agosto de 2023 pela Diretora da Escola Superior da Defensoria Pública do Maranhão, Dra. Elainne Alves do Rêgo Barros Monteiro, esclarece que se trata de concurso literário promovido pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão, pela Academia Maranhense de Letras Jurídicas e pela Secretaria de Administração Penitenciária do Maranhão, com apoio do Centro Universitário UNDB, e “faz parte das comemorações do bicentenário de nascimento de Antônio Gonçalves Dias, poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo maranhense.” O tema, portanto, previsto no Edital é “Justiça” e suas “correlações em alusão à vida e legado do homenageado”.

Distinguido pelo presidente da AMLJ, Júlio Moreira Filho, para integrar a Comissão Julgadora do Concurso, nas honrosas companhias dos escritores Desembargador Lourival Serejo e Ministro Reynaldo Fonseca, ambos membros da AMLJ, tive a oportunidade de ler os poemas concorrentes, escritos por mulheres privadas de sua liberdade de ir e vir, mas que souberam usar a criatividade de suas mentes para viajar no espaço – saindo dos limites físicos de onde se encontravam – para os lugares onde nasceu e andou Gonçalves Dias – e no tempo, voltando à época do autor de Canto do Piaga e pensando com esperança no próprio futuro, como disse uma delas, no penúltimo verso de seu poema, parafraseando a Canção do Exílio: “Não permita, Deus, que eu morra aqui, sem que volte para casa.”

No dever de tão desafiadora missão, tive o cuidado de ler verso a verso cada um dos 34 poemas, procurando dar-lhes uma classificação, conforme previsto no edital do concurso, para a escolha das que deveriam ser o primeiro, o segundo e o terceiro lugares. Foi uma riquíssima experiência porque a circunstância limitadora a que estavam impostas as concorrentes inspiraram-lhes uma convergência inevitável para os valores de liberdade e (in)justiça; desabafos de dor, sofrimento, indignação e angústia, mas, também, alentos de humildade, esperança e amor, como se extrai de versos como:

– “Todo dia acordo com uma grande esperança dentro de mim”; “Liberdade que demora, Mas um dia vai chegar”; “Do lado de cá tem mãe que chora, Do lado de lá tem filho que ora”; “Quero um novo recomeço, começar, Pois para o cárcere não quero mais voltar, Porque é ruim esse lugar. Quero pra sociedade voltar Pra construir um novo lar”; “As humilhações e a distância da família Cortam o coração, Mas com Deus a gente supera tudo”; “Se estou aqui, é para pagar os meus erros! Os meus filhos lá fora a me esperar, Será que um dia com eles estarei lá”; “O que é justiça? Se nesse Brasil só vemos injustiça. As mulheres são as que mais sofrem. Com essa desigualdade, a injustiça está em todo lugar”; “Mundão de ingratidão pra quem não tem profissão. Não sei se vou vencer, Mas vou lutar até morrer”, “Justiça vivemos no meio da corrupção, Direitos humanos só no papel”; “Como ser um cidadão que a sociedade quer Para um mundo melhorar se a justiça é a primeira a falhar”.

Independentemente, porém, da classificação a que foi compelida a Comissão, estão de parabéns cada uma das 34 participantes do concurso, pois todas foram vencedoras, pela superação de suas próprias circunstâncias e pela coragem de enfrentar um julgamento que haveria de ser feito sobre o que emergiu de suas almas, como sói acontecer aos poetas.

Parabéns, portanto, aos promotores e todos os que contribuíram para o concurso, que, com certeza, teve e terá benéfica repercussão na vida daquelas mulheres, quiçá de suas famílias e da própria comunidade, para a qual hão de voltar e reintegrar-se, vendo satisfeitos seus clamores.

É inevitável, diante da realidade que brota dos poemas, lembrar de Cleriston Pereira da Cunha, morto nas masmorras da injustiça, a quem foi negado tudo, pela prepotência impune com que aboliram todas as esperanças nas garantias constitucionais. Com certeza pensou como as autoras dos versos de esperança que ouvi (porque me ressoaram como vozes): “Só peço a Deus que permita Que eu volte para o meu lar, Com vida, para perto de minhas filhas”, ou “Não permita, Deus, que eu morra aqui, sem que volte para casa.”

O “deus” da maldade não permitiu. Reencarnado de Palermo, reconstruiu a procissão dos sentenciados da Inquisição, com a bênção papal e aprovação do silêncio e da omissão daqueles a quem se referiu Luther King em memorável discurso. Cleriston já não poderá voltar para suas filhas, nem mesmo para sua casa. Simplesmente porque, como disseram em versos as corajosas poetas: “Justiça vivemos no meio da corrupção, Direitos humanos só no papel”; “Como ser um cidadão que a sociedade quer Para um mundo melhorar se a justiça é a primeira a falhar”.

Que o verdadeiro Deus responda aos versos de uma delas: “Onde fica a Justiça? Onde posso buscar, Onde posso exercer Para que os meus direitos eu venha a ter!”

* Advogado e jornalista.

 

Lula indica Flavio Dino para o STF e cabe aos senadores a aprovação

Se o objetivo era incendiar o país, que reclama da politização da corte, ele conseguiu. Flávio Dino é de longe o pior ministro de Lula, ainda que os demais se esforcem para supera-lo. Comunista, arrogante, lacrador, tem péssimo relacionamento. É uma bomba relógio. Ao encaminhar nesta tarde, o nome do atual Ministro da Justiça e senador licenciado, ao presidente do Senado Federal, o presidente espera que o indicado após ser sabatinado seja aprovado pelos senadores em votação no plenário, onde existem resistências ao indicado.

Nos bastidores, todos sabem que Dino está sendo demitido “para cima”. A segurança pública é a pior avaliação do governo e ele é o maior culpado. PT, Lula e todos os seus aliados querem se livrar dele.

Crime organizado com livre acesso ao ministério da justiça para “debater” as condições dos presos é uma piada de mau gosto protagonizada pela sua gestão.

Perseguição a opositores políticos e coletivas midiáticas para casos de menor periculosidade são desperdício de recursos para se projetar politicamente.

Dino chegou a abrir inquérito para investigar donos de postos de gasolina que não baixavam os preços quando o governo retomava os impostos sobre combustíveis.

Chamou entrevista coletiva para anunciar água “grátis” em show de uma cantora internacional. O show foi cancelado. 

Sem contar o episódio das imagens do 8/1 apagadas, as ausências para explicações e o tom arrogante e debochado com que trata parlamentares.

Os exemplos são quase infinitos.

Se os Senadores tiverem a coragem de aprovar seu nome, de nada adiantou aprovar PEC sobre o Supremo. Estão plantando no Supremo mais uma semente do caos. Ele é o candidato preferido de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes e está sendo indicado pelos seus erros e não pelos seus acertos.

Ramiro Rosário. Vereador em Porto Alegre.

 

Multidão na Avenida Paulista protesta contra Alexandre de Moraes e a morte de Cleriston Cunha

Dezenas de milhares de pessoas se concentraram hoje (26), na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, como mostram fotos e imagens nas redes sociais e em veículos de comunicação, para protestar contra a morte do comerciante Clériston Pereira da Cunha, de 46 anos, que, apesar de várias advertências de risco de morte em laudos médicos, ele foi mantido preso na penitenciária da Papuda até falecer de mal súbito, como temiam os médicos. A manifestação já é considerada uma das maiores dos últimos tempos, na Avenida Paulista, e a maior desde a campanha eleitoral encerrada há um ano. Havia milhares à frente e também atrás do palanque posicionado nas imediações do Museu de Arte Moderna (MAM). Para parlamentares presentes, o protesto pode significar que os brasileiros perderam o medo.

Grito contra Alexandre de Moraes

“Alexandre de Moraes, o Brasil não tem medo de você! – proclamou Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal mais votado do país e apontado como um dos principais alvos da fúria de Moraes, que inclusive chegou a proibir manifestações do parlamentar em redes sociais. Durante seu discurso, Nikolas pediu que dessem um grito quem queria Alexandre de Mopraes fora do STF. E se ouvindo um grito uníssino, ensurdecedor, em toda a multidão. Ao final, ele pediu um minuto de aplausos em homenagem a Clériston e foi atendido.

Perigo de morte ignorado  

O protesto foi convocado apenas durante três dias, mas foi suficiente para reunir na Paulista um número impressionante de manifestantes que ouviram discursos contundentes contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de negligenciar o risco de morte enfrentado por Clériston, portador de comorbidades decorrentes de 33 dias de internação em estado grave, após diagnosticado com covid-19. Além dos problemas de saúde que tornariam sua sentença de prisão sem julgamento em “sentença de morte”, como advertiram seus advogados em petição a Alexandre de Moraes, Clériston teve a liberdade recomendada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 1º de setembro últimos, mas ambos os documentos foram também ignorados.

‘Lula, ladrão…”, gritou a multidão

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que também participou do ato, destacou o fato de que todas aquelas pessoas que pintaram a Avenida Paulista de verde e amarelo terem sido mobilizadas durante apenas três dias. Em vários momentos, a multidão entoou o refrão “Lula, ladrão”, seu lugar é na prisão”. No trio elétrico foi possível ver alguns parlamentares como os deputados federal Nikolas Ferreira (PL-MG), Marcel van Hatten (Novo-RS) e o senador Magno Malta (PL-ES). Em discurso para a multidão, Nikolas usou o microfone para protestar contra o ministro Alexandre de Moraes (STF).

Diário do Poder