”O terrorismo fundamentalista rejeita Deus”, afirma Francisco

 

O terrorismo fundamentalista “rejeita a Deus mesmo”. E, diante das implicações “arrepiantes” para a propagação do terrorismo, “espero que os líderes religiosos, políticos e intelectuais, especialmente muçulmanos, condenem qualquer interpretação fundamentalista e extremista da religião” que justifica a violência. Foi isso que Francisco disse na manhã dessa segunda-feira, ao receber o corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé, no tradicional encontro de início de ano, ocasião para que o papa apresente um olhar sobre a situação do mundo.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider

Lembrando os relatos da natividade, o papa disse que, desde o início, o Menino Jesus foi descartado, deixado do lado de fora, no frio. “E se assim foi tratado o Filho de Deus, quanto mais o são tantos de nossos irmãos e irmãs.” O emblema dessa atitude é o rei Herodes, que faz matar todas as crianças de Belém: o pensamentos logo se volta para o Paquistão, onde há um mês mais de 100 crianças foram trucidadas com ferocidade inaudita”, disse Francisco, assegurando sua proximidade às famílias das vítimas.

À cultura que “rejeita o outro” e gera “violência e morte”, o pontífice associa os “numerosos factos referidos nas notícias cotidianas, como o trágico massacre que ocorreu em Paris há alguns dias”. Os outros “são vistos como objetos”, e “o ser humano, de livre que era, torna-se escravo das modas, do poder, do dinheiro e por vezes até mesmo de formas equivocadas de religião”.

Falando das consequências dessa mentalidade, Francisco fala de uma “guerra mundial combatida por pedaços”, que acontece em várias partes do planeta, “a começar pela vizinha Ucrânia, que se tornou um dramático teatro de confronto e para a qual almejo que, através do diálogo, se consolidem os esforços em ato para fazer cessar as hostilidades e que as partes envolvidas empreendam o mais rapidamente possível, num renovado espírito de respeito pela legalidade internacional, um sincero caminho feito de confiança mútua e reconciliação fraterna”

Francisco fala, depois, do Oriente Médio, cita a intensidade do encontro no Vaticano com Peres e Abbas, deseja que cessem as violências e que se chegue a “a uma solução que permita tanto ao povo palestino como ao povo israelense viver finalmente em paz, dentro de fronteiras claramente estabelecidas e reconhecidas internacionalmente, tornando-se real a ‘solução de dois Estados'”.

Então lembra os outros conflitos na região, “cujas implicações são espaventosas, nomeadamente pelo alastramento do terrorismo de matriz fundamentalista na Síria e no Iraque. Este fenômeno é consequência da cultura do descarte aplicada a Deus. Na verdade, o fundamentalismo religioso, ainda antes de descartar os seres humanos perpetrando horrendos massacres, rejeita o próprio Deus, relegando-O a mero pretexto ideológico”.

“Diante dessa injusta agressão – acrescenta –, que atinge os próprios cristãos e outros grupos étnicos e religiosos da região, é preciso uma resposta unânime que, no quadro do direito internacional, detenha o alastrar das violências, restabeleça a concórdia e cure as feridas profundas provocadas pelos sucessivos conflitos. Por isso, daqui faço apelo à comunidade internacional inteira, bem como aos vários governos interessados para que assumam iniciativas concretas pela paz e em defesa daqueles que sofrem as consequências da guerra e da perseguição, e são forçados a deixar as suas casas e a própria pátria.” Um Oriente Médio sem cristãos, observa, “seria um Oriente Médio desfigurado e mutilado”.

O papa convida os islâmicos a levantarem a voz contra as violências: “Ao instar a comunidade internacional a não ser indiferente diante dessa situação, espero que os líderes religiosos, políticos e intelectuais, especialmente muçulmanos, condenem qualquer interpretação fundamentalista e extremista da religião, voltada a justificar tais atos de violência”.

Francisco recorda as vítimas entre as crianças e cita a Nigéria, “onde não cessam as violências que atingem indiscriminadamente a população, verificando-se um crescimento contínuo do trágico fenômeno do sequestro de pessoas”, muitas vezes de “jovens raptadas para serem objeto de comercialização”, um “comércio execrável, que não pode continuar”.

Depois, o papa olha, “com apreensão, os numerosos conflitos de carácter civil que afetam outras partes da África, a começar pela Líbia, dilacerada por uma longa guerra interna que causa sofrimentos indescritíveis entre a população e tem graves repercussões sobre os delicados equilíbrios da região”. Ele cita “a dramática situação na República Centro-Africana” e a do “Sudão do Sul e em algumas regiões do Sudão, do Chifre da África e da República Democrática do Congo, onde não cessa de crescer o número de vítimas entre a população civil e milhares de pessoas”. Também neste caso, Francisco pede o compromisso dos governos e da comunidade internacional.

O papa fala, depois, do ” horrendo crime que é o estupro” e que se acompanha das guerras. “É uma ofensa gravíssima à dignidade da mulher, que é violada não só na intimidade do seu corpo, mas também na sua alma, com um trauma que dificilmente poderá ser apagado, e cujas consequências são também de carácter social. Infelizmente, mesmo onde não há guerra, verifica-se que muitas mulheres são ainda hoje vítimas de violência.”

Francisco recorda ainda que, “entre os leprosos do nosso tempo, temos as vítimas desta nova e terrível epidemia de ebola, que já dizimou mais de seis mil vidas, especialmente na Libéria, Serra Leoa e Guiné“, e agradeceu aqueles que “prestam todo o cuidado possível aos doentes e aos seus familiares”.

Um parágrafo importante é dedicado aos prófugos e refugiados. “Quantas pessoas perdem a vida em viagens desumanas, sujeitas aos vexames de verdadeiros algozes ávidos de dinheiro!” Além disso, “muitos migrantes, especialmente nas Américas, são crianças sozinhas, presas ainda mais fáceis dos perigos, que necessitam de maior cuidado, atenção e proteção”. Portanto, é necessário, explica o papa, “uma mudança de atitude em relação a eles”, com leis que protejam os direitos dos cidadãos e a acolhida dos migrantes.

Mas, explica ainda o papa, além dos migrantes, há “muitos outros ‘exilados ocultos’, que vivem dentro das nossas casas e das nossas famílias. Penso sobretudo nos idosos e nos deficientes, assim como nos jovens”, lembrando que “não há pobreza pior do que aquela que priva do trabalho e da dignidade do trabalho” e que torna o trabalho uma forma de escravidão.

Depois, “a própria família é frequentemente tornada objeto de descarte, por causa de uma cultura individualista e egoísta cada vez mais difundida, que rompe os vínculos e tende a favorecer o dramático fenômeno da queda da natalidade, além de legislações que privilegiam diversas formas de convivência, em vez de apoiar adequadamente a família para o bem de toda a sociedade. Entre as causas de tais fenômenos, há uma globalização uniformizadora que descarta as próprias culturas, eliminando, assim, os fatores próprios da identidade de cada povo que constituem a herança imprescindível na base de um sadio desenvolvimento social”.

À “cara nação italiana”, o papa dirigiu um pensamento de esperança, “para que, no persistente clima de incerteza social, política e econômica, o povo italiano não ceda à indiferença e à tentação do confronto”.

Por fim, depois de recordar a viagem que começa nessa segunda-feira, Francisco deseja “uma retomada do diálogo entre as duas Coreias“, citando a experiência positiva de diálogo que pôde encontrar na Albânia. E fala do exemplo positivo do degelo entre Cuba e Estados Unidos, pondo fim “a um silêncio recíproco que durou mais de meio século e reaproximando-se pelo bem dos respectivos cidadãos”.

Nessa perspectiva, o papa pensa no povo de Burkina Faso, envolvido em um período de importantes transformações políticas e institucionais, olha com “com satisfação a assinatura, em março passado, do acordo que pôs fim a longos anos de tensões nas Filipinas“, encoraja “o empenho em favor de uma paz estável na Colômbia, bem como as iniciativas que visam restabelecer a concórdia na vida política e social da Venezuela“.

Francisco deseja que “se possa chegar a um entendimento definitivo entre o Irã e o chamado Grupo dos 5+1 sobre a utilização da energia nuclear para fins pacíficos, valorizando os esforços realizados até agora” e acolhe “com satisfação a vontade dos Estados Unidos de fechar definitivamente a prisão de Guantánamo“.

O discurso concluiu com uma citação do discurso de Paulo VI à ONU em 1965: “Não mais a guerra, não mais a guerra! A paz, a paz deve guiar os destinos dos povos e da humanidade inteira”.

Fonte – IHUSINOS

Papa quebra o último tabú: “Amamentem seus filhos na igreja”

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Capela Sistina, sede do Conclave, sob os afrescos de Michelangelo. Às 09:30 da manhã de mães – falou – deem aos vossos filhos o leite – mesmo agora. Se choram de fome, amamente domingo o Papa Francisco lança um olhar improvisadamente e se fala às mulheres: “Vocês -os, tranquilas”. Algumas, de forma tímida, tiram para fora as mamadeiras.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada pelo jornal La Repubblica

Consciente ou não de abrir um novo – o enésimo de sua parte – assunto para debate, Jorge Bergoglio celebrou a missa em um local solene como a magnificência “Michelangeloniana” da Capela Sistina, dando pela primeira vez as costas aos fiéis, como era feito nos rituais antigos. Não havia sido colocado, de fato, um altar móvel que permitiria fazer a missa olhando para o povo, como normalmente era feito depois do Concílio Vaticano II.

Mas frente aos choramingos de 33 recém-nascidos (20 meninas e 13 meninos), filhos de dependentes do vaticano a serem batizados, o Pontífice argentino encorajou as mães de não ignorar o choro dos seus filhos.

Com uma simples frase pronunciada frente a uma exigência humana, o aleitamento materno dos bebês, o Papa rompeu outro tabu, fazendo assim justiça para os limites impostos recentemente em alguns locais públicos. Locais não sagrados: como hotéis, museus, aeronaves. O caso que mais alarmou aconteceu a pouco mais de um mês, em Londres, quando uma mãe na sala de chá do hotel 5 estrelas Claridgés iniciou a amamentar sua filha de 12 semanas e um funcionário a ordenou que se cobrisse com uma grande toalha de mesa. O gesto causou indignação, fazendo com que outras mulheres organizassem um aleitamento coletivo na frente do hotel. Mas em 2007 o protesto foi mais incisivo na Espanha, por uma mãe que foi posta pra fora do Museu do Prado em Madrid.

Não é a primeira vez que o Papa Francisco afronta essa questão. Já havia feito logo após o episódio londrino, durante sua visita à paróquia romana de São José, em Aurélio. “As crianças choram, fazem barulho – disse às famílias no último ano – vão de um lado para outro… e me irrita quando uma criança chora e as outras pessoas querem que sejam levadas pra fora. Não! É a melhor oração! O choro de uma criança é a voz de Deus!. Nunca, jamais os coloquem pra fora da igreja!”. No domingo, Bergoglio, em um local mais augusto, aumentou a dose: “Demos graças ao Senhor pelo dom do leite – continuou durante a homilia – e rezemos por essas mães – infelizmente tantas – que não tem condições de dar de comer aos seus filhos. Rezemos e procuremos ajudar estas mães”.

Durante o Angelus pediu para que os fiéis rezem pela sua nova viagem. No final da tarde de hoje o Papa partirá para sua sétima visita apostólica, volta à Ásia depois da última feita no último mês de agosto à Coréia do Sul. Amanhã pela manhã chegará ao Sri Lanka, e então será a vez das Filipinas. Sete dias de uma viagem complexa, em terras atingidas por catástrofes e violência. A guerra civil ensanguentou o Sri Lanka entre 1983 e 2009, e o país teve a apenas dois dias novas eleições presidenciais com uma mudança no vértice do Estado. O povo filipino pagou um preço altíssimo com terremotos, tufões e conflitos armados como aquele ocorrido na Ilha de Mindanao

Fonte – IHUSINOS.

Gastão Vieira faz peregrinação em Brasília à procura de cargos e quer ser candidato a prefeito de São Luís

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Gastão Vieira, deputado federal em fim de mandato tem se constituído no politico que ainda não conseguiu encarar a realidade do fim da oligarquia Sarney. Fez toda sua vida politica servindo os Sarney’s, muito embora em inúmeras oportunidades tenha tentado impor posições suas dentro do grupo, mas todas frustradas e não foram poucas as ocasiões em que foi chamado a desmentir as suas próprias declarações e se expor ao ridículo. É muito hábil e muitas vezes conseguia vencer batalhas dentro do grupo e no próprio PMDB, com o cacife do senador José Sarney, que chegou a fazê-lo Ministro do Turismo. Para o Maranhão reservou migalhas e nenhum projeto de maior alcance deixou a marca da sua administração no nosso Estado.

     O deputado Gastão Vieira terá o seu mandato encerrado dentro de 18 dias e atualmente vive fazendo peregrinações em órgãos públicos federais em Brasilia e já declarou que a presidente Dilma Rousseff quer tê-lo integrando o seu governo, mas sabe que para alcançar algum dos principais cargos do segundo escalão terá necessidade de força. Com Sarney também se despedindo do Senado e os cargos que poderiam ser dele estão sendo destinados para o senador Renan Calheiros, presidente do Senado Federal e candidato à reeleição com o apoio do vice-presidente Michel Temer, a situação fica bem difícil.

      Há poucos dias, sem qualquer discernimento, Gastão Vieira criticou o secretariado do governador Flavio Dino e vergonhosamente se colocou à disposição do Chefe do Executivo Estadual para integrar a sua equipe, como arauto de conhecimentos teóricos, científicos e práticos. O pior de tudo é que ele simplesmente foi ignorado e suas declarações se transformaram em chacotas. Ao criticar o seu partido o PMDB e sinalizar a filiação em outro partido, demonstrou claramente que pretende uma agremiação da base do governador Flavio Dino. Como ainda não absorveu totalmente a queda do grupo Sarney, Gastão Vieira sonha em ser candidato a prefeito de São Luís, mas fora do PMDB. Ricardo Murad e João Alberto  e quem estão disputando o controle do partido no Maranhão  e o ex-secretário de saúde admite que será candidato a prefeito de São Luís. A verdade é que Gastão Vieira teria chegado ao partido com conversas de que o seu nome seria o melhor, principalmente que o capital politico que é detentor  é grande, o que acabou por acelerar o descarte de qualquer possibilidade de candidatura.

Funcionários da Câmara de São Luís começarão a ser recadastrados a partir de quarta-feira

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O presidente da Câmara Municipal vereador Astro de Ogum explicou as razões do recadastramento.

Terá início nesta quarta-feira, (14) até o próximo dia 30, das 08:30 às 14:30, um processo de recadastramento dos servidores da Câmara Municipal de São Luís. O anúncio foi feito, no final da manhã desta segunda-feira, (12), pelo presidente da Casa, vereador Astro de Ogum (PMN), durante uma reunião realizada no plenário do Legislativo Ludovicense, para a qual conclamou todos os funcionários.

 A reunião teve como objetivo tranquilizar os funcionários, bem como deixá-los a par dos problemas que serão enfrentados pela administração que se inicia. O presidente evidenciou que as decisões, indigestas ou não, deverão ser comunicadas não apenas aos vereadores, mas, também, aos próprios servidores, já que estes são os mais afetados.

 “Espero contar com o apoio e a compreensão de todos, até por considerarmos este mês de janeiro muito complicado e muito difícil”, completou ele. Enumerando os desafios, além do recadastramento para fazer uma radiografia da situação funcional do parlamento da capital maranhense, Astro de Ogum elencou o caso da ameaça de demissão de 387 servidores, movida por decisão da justiça, e dos ocupantes de cargos em comissão que estão exonerados, bem como dos débitos com a previdência social e com o IPAM.

 Para tratar desses assuntos já existe uma comissão nomeada pelo presidente, composta pelo procurador geral e pelo diretor geral administrativo e financeiro da Câmara, respectivamente, Walter Cruz e Itamilson Corrêa Lima, e pela advogada especialista em direito previdenciário Itamary Corrêa Lima.

 Sobre o recadastramento Astro de Ogum disse esperar que o mesmo seja concluído no mais breve espaço de tempo possível, para que de posse do resultado cada direção faça análise de caso a caso que seja considerado excepcional. Continuando, ele também falou sobre a exoneração dos ocupantes de cargo de confiança, feita pelo seu antecessor, vereador Antonio Isaias Pereirinha que tomou esse decisão por ter sido obrigado “numa prerrogativa de quem exerce a presidência da Casa”.

CONCURSO E OUTRAS AÇÕES – Astro de Ogum aproveitou para anunciar a realização do primeiro concurso público da Câmara Municipal para o próximo mês de maio. Outras iniciativas da atual administração também foram já anunciadas como a instalação do painel eletrônico de votação e da Rádio Câmara, que irá transmitir as atividades do Legislativo logo na primeira sessão após o retorno do recesso parlamentar; a implantação da tribuna do povo, quando representantes de segmentos da população ocuparão a tribuna para apresentar suas solicitações, e o apoio a reestruturação da Associação dos Servidores do Poder Legislativo Municipal.

Superintendência de Comunicação da Câmara Municipal

Governador Flávio Dino anula decreto que desapropriava a comunidade Cajueiro

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O governador do Maranhão, Flávio Dino, revogou decreto da gestão anterior que desapropriava a área da comunidade Cajueiro, na zona rural de São Luís. A área é habitada por cerca de 350 famílias divididas em quatro povoados. O decreto levou em consideração a existência de conflitos na área e prevê a realização de melhores estudos sobre os impactos socioambientais na implantação de um terminal portuário na localidade.

 O decreto anulado nesta segunda-feira (12) foi assinado no dia 30 de dezembro do ano passado pelo governador interino Arnaldo Melo. O documento declarava de utilidade pública a área em favor da WPR Gestão de Portos e Terminais Ltda. A medida previa a desapropriação emergencial da área, o que agravou os conflitos entre a empresa beneficiada e a comunidade local.

 Com a decisão do governador Flávio Dino em revogar o dispositivo, os efeitos do Decreto nº 30.610/2014 foram anulados. O anúncio do governador era esperado com anseio pela comunidade. Além de solucionar os conflitos na região, a medida também determina a realização de estudos socioambientais dos impactos da construção de um terminal portuário na região.

 A decisão do governador será publicada como um novo decreto no Diário Oficial do Estado na edição do dia 13 de janeiro de 2014.

Cresce o número de jovens que não estudam nem trabalham no Brasil

Há mais de um ano, Rogério de Lucena, de 21 anos, está sem trabalhar. O rapaz, que vive com a mãe e o irmão no Conjunto AE Carvalho, na Zona Leste de São Paulo, também parou de frequentar as salas de aula aos 18, quando só então completou a oitava série, e nunca mais voltou a estudar. “Se soubesse que ficaria tanto tempo parado, poderia ter voltado à escola, mas agora o meu foco é conseguir um emprego”, lamenta. A última oferta que recebeu foi no início do ano passado na área de siderurgia, mas como o salário “não era muito tentador”, preferiu recusar e continuar recebendo as parcelas do seguro-desemprego. Após meses esperando uma nova oportunidade, ele se diz desestimulado. “Nem entrego mais meu currículo nas empresas. Elas nunca chamam para entrevistas. Por enquanto, vou vivendo com a ajuda da minha mãe”.

A reportagem é de Heloísa Mendonça, publicada por El País

  Num Brasil com baixas taxas de desemprego, histórias como a de Lucena são comuns entre pessoas de 15 a 29 anos. De acordo com o IBGE, em 2013, um a cada cinco jovens brasileiros (20,3%) não trabalhava nem estudava. O perfil do chamado “nem-nem” mostra que ele tem geralmente escolaridade menor em relação aos outros jovens e 44,8% deles vivem em famílias com renda de um quarto do salário mínimo por pessoa, na condição de filho. Quanto à localização, a maior parte dos representantes dessa “geração” está concentrada no Nordeste do País.

Apesar de uma parcela desse grupo não estar fora do mercado de trabalho por escolha própria, a maioria deles não procura emprego e agregam um “nem” a mais ao apelido pouco honroso. São os chamados “nem-nem-nem”, que em números absolutos representam 7,334 milhões de jovens brasileiros que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego.

“Nos últimos dez anos, o número de nem-nens que procuravam emprego diminuiu. Em 2004 eles totalizavam 32% e, em 2013, caiu para 26%”, explica a pesquisadora do IBGE Cíntia Agostinho, uma das autoras do informe Síntese de Indicadores Sociais 2014. O estudo conseguiu traçar o perfil desse grupo de jovens, mas não analisou os motivos pelos quais essas pessoas desistem do mercado de trabalho.

Uma das razões para entender esse fenômeno pode ser atribuída ao aumento de renda das famílias chefiadas por trabalhadores menos qualificados. De acordo com o coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, entre 2003 e 2013, o salário mensal desses trabalhadores aumentou 50% em termos reais, enquanto o dos profissionais com ensino superior subiu apenas 10%. “O jovem, filho de profissionais menos qualificados, que antes trabalhava ou procurava emprego por necessidade de complementar a renda da família, já não precisa mais fazê-lo agora que o pai ganha mais”, afirma.

O especialista explica ainda que, “livres” da obrigação de ajudarem em casa, esses jovens deveriam estar estudando. “O problema é que eles não têm muito interesse de ir ao ensino médio. Acham que a escola é enfadonha e que não servirá para o mercado de trabalho, não encontram sentido. A base da maioria desses jovens é muito fraca, eles possuem muita dificuldade de concentração. Oferta de escolas públicas e cursos gratuitos no Pronatec não faltam, bastava querer “, afirma.

Marcelo Henrique dos Santos, de 18 anos, por exemplo, desistiu dos estudos há 3 anos, quando chegou ao ensino médio. Decidiu, segundo ele, começar a trabalhar, ao invés de apenas “fazer bagunça na sala de aula”. A escola já não lhe despertava mais interesse. Passou por dois empregos informais e há 5 meses está desempregado. Santos vive com a mãe, que trabalha como empregada doméstica, e às vezes consegue alguns “bicos” consertando computadores. “Quero fazer um curso de manutenção de micro, mas antes preciso de um emprego, em qualquer setor mesmo, para poder pagar”, explica.

Projeções

O grupo dos nem-nem-nens não faz parte da população economicamente ativa do País (PEA), mas é capaz de interferir nas taxas de desemprego. Se deixam de procurar trabalho, não pressionam a taxa de desemprego. Para Naercio, a desaceleração da economia pode reverter esse panorama.

De acordo com o especialista, nos últimos anos, o número absoluto de jovens caiu pela primeira vez na história – principalmente pela queda da fecundidade-, mas projeções do IBGE indicam que o número começará aumentar novamente a partir de 2015, criando um problema para uma economia de crescimento pífio.

“Se a geração de empregos estagnar, esse contingente de jovens que chegarem no mercado ficarão desempregados, o que causará pressões para redução dos salários. É um ciclo. Se esse processo atingir o salários e o emprego dos adultos menos qualificados, os filhos que hoje estão fora do mercado, terão que voltar a procurar trabalho, o que pode aumentar ainda mais a taxa de desemprego”, explica. “Para que isso não ocorra, o país precisaria aumentar rapidamente a sua produtividade, mas não há muito indícios que isso aconteça no curto prazo”, conclui.

Respiro e novos caminhos

Os quase 10 milhões de nem-nens no Brasil possuem diferentes perfis. Dentre eles, há quem tenha decidido parar os estudos e o trabalho, para dar um respiro, viver um período sabático e repensar a vida profissional.

O publicitário Mateus Martins, de 29 anos, resolveu parar tudo em novembro do ano passado, após 3 meses “de trabalho exaustivo” na campanha eleitoral de um dos candidatos ao Governo de Minas Gerais. “Pretendo voltar a trabalhar só em março. Já fiz uma viagem de 20 dias para o Sul do Brasil, estou agora 40 dias no Sudeste Asiático e, quando voltar, ainda quero mais duas semanas em Jericoacoara”, conta o publicitário, que está financiando esse momento de descanso com algumas economias e o salário do último emprego.

Mais do que umas férias prolongadas, Martins quer aproveitar o período para repensar a carreira, adquirir “mais repertório” e tentar novos rumos em 2015. “Uma nova agência, uma nova cidade, outra função dentro do mercado de comunicação. Tudo isso junto ou nada disso. Ainda estou pensando”, explica o publicitário que, enquanto se decide, resolveu deixar todos seus pertences na casa do pai.

Fonte – IHUSINOS

Kátia Abreu a ministra que desmata até a razão

De 2011 a 2014, a presidenta Dilma Rousseff incorporou 2,9 milhões de hectares à área de assentamentos e beneficiou 107,4 mil famílias sem-terra, segundo o mais recente balanço do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, divulgado na quarta-feira 7. É a menor média anual de assentamentos desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A petista distribuiu terras a 26,8 mil famílias a cada ano, contra 76,7 mil no período Lula e 67,5 mil nos dois mandatos do tucano.

 

 A reportagem é de Rodrigo Martins

 Apesar do incremento de programas sociais no campo e dos investimentos em assistência técnica, os movimentos rurais queixam-se do baixo ritmo de desapropriações e da manutenção da secular estrutura agrícola, baseada no latifúndio e na monocultura voltada para a exportação. Enquanto isso, 120 mil famílias permanecem acampadas à espera da reforma agrária.

Devem perder a esperança? Sim, se depender da nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, uma escolha pessoal de Dilma. Em seu discurso de posse, a ruralista chegou ao cúmulo de negar a existência de latifúndios no País. Por consequência, defendeu uma desaceleração ainda maior no programa de reforma agrária. “Ele tem de ser pontual, para os vocacionados. E se o governo tiver dinheiro não só para dar terra, mas garantir a estrutura e a qualidade dos assentamentos. Latifúndio não existe mais.”

Escalado para fazer o contraponto a Kátia Abreu neste novo governo, Patrus Ananias, agora ministro do Desenvolvimento Agrário, foi obrigado a rebater a colega logo em seu primeiro pronunciamento oficial, durante a posse. “Ignorar ou negar a existência das desigualdades e injustiças é uma forma de perpetuá-las. Não basta derrubar a cerca dos latifúndios, é preciso derrubar também as cercas que nos limitam a uma visão individualista e excludente do processo social.”

Os números oficiais revelam a dimensão do lapso da ministra. O Brasil possui cerca de 130,3 mil latifúndios ou grandes propriedades rurais, que concentram uma área superior a 244,7 milhões de hectares. O tamanho médio é de 1,8 milhão de hectares (ou 18 mil quilômetros quadrados). Ou seja, 2,3% dos proprietários concentram 47,2% de toda área disponível à agricultura no País. Os números foram atualizados no fim de 2014 e constam na base do Cadastro de Imóveis Rurais do Incra. Referem-se apenas aos imóveis rurais privados, excluídas da soma as terras públicas ou devolutas.

Um estudo da Associação Brasileira da Reforma Agrária estima que ao menos metade dessas grandes propriedades são improdutivas. Além disso, há tempos os movimentos sociais reivindicam a atualização dos índices de produtividade da terra, um dos principais critérios utilizados na desapropriação de áreas para novos assentamentos. “O problema é que esses índices estão baseados no Censo Agropecuário de 1975”, explica o engenheiro agrônomo Gerson Teixeira, presidente da Abra. “Utilizam-se os mesmos parâmetros de 40 anos atrás, sem levar em conta a gigantesca evolução tecnológica ocorrida no campo nesse período.”

Dados compilados pela Companhia Nacional de Abastecimento comprovam o progresso mencionado por Teixeira. A produtividade de algumas culturas mais do que triplicou nas últimas quatro décadas. Na safra de 1976/77, o Brasil produziu 1.501 quilos de arroz ou 1.632 quilos de milho por hectare. Em 2013/14, a colheita rendeu mais de 5 mil quilos dos mesmos produtos por hectare. Segundo um estudo do Ipea, o índice de produtividade agrícola brasileiro multiplicou-se em 3,7 vezes de 1975 a 2010, quase o dobro do crescimento observado nos EUA. Esse incremento corresponde a um avanço médio anual de 3,6% ao longo dos 35 anos considerados na pesquisa.

Patrus promete revisar esses índices e encampar um debate público sobre a função social da terra. Não é a primeira vez que o Executivo estimula a discussão. Em diferentes momentos, o governo Lula propôs a atualização dos indicadores, mas cedeu às pressões da bancada ruralista no Congresso. No primeiro mandato, Dilma evitou a arenga. Agora, os movimentos sociais renovam as esperanças de uma efetiva redistribuição de terras.

“A correlação de forças no Congresso não é das melhores e a presença no governo de uma latifundiária, como Kátia Abreu, desanima. Mas o discurso de Patrus indica uma nova orientação política, que pode acelerar os processos de desapropriação de terras”, afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST. “É possível assentar ao menos 50 mil famílias a cada ano.”

Embora necessária, a atualização dos defasados índices de produtividade agrícola deve encontrar forte resistência dos representantes do agronegócio. Um levantamento preliminar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar indica a presença de ao menos 139 ruralistas na Câmara dos Deputados a partir de 2015. A Frente Parlamentar da Agropecuária, por sua vez, garante ter uma base de apoio ainda maior: cerca de 250 deputados e 16 senadores.

Na avaliação do economista Bastiaan Reydon, professor da Unicamp e consultor do Banco Mundial, o maior desafio do governo é conhecer melhor sua situação fundiária e reforçar o combate à especulação com terras. “Enquanto Napoleão fez o cadastramento de todos os imóveis rurais da França no início do século XIX, o Brasil ainda não concluiu o seu mapeamento”, alerta.

“Hoje, mesmo quem não tem lucros expressivos com a agropecuária prefere ficar na terra, pois sabe que ela se valorizará com o tempo. Pela atual legislação, um latifúndio improdutivo deveria pagar cerca de 20% de seu valor em impostos por ano. Em cinco anos, o especulador perderia o imóvel. Mas o governo nem sequer conhece com exatidão os proprietários de todas as terras. Apenas 64% do território nacional está georreferenciado.”

No Brasil a polícia prende e a Justiça solta?

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Gilson Vasco, Especial para Opinião Pública

Não raro, muitos comentaristas de programas policiais de televisão ou mesmo aqueles que, não sendo policiais, acabam abordando assuntos voltados para o problema da violência costumam dizer que, no Brasil, a polícia prende a e justiça solta e, por conta disso, chegam a defender a redução da maioridade penal, a prisão perpétua ou até a pena de morte para quem for taxado de bandido.

Verdade é que a história não é bem assim, ora, recentemente o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou uma cifra de mais de 711.463 como sendo a nova população carcerária brasileira, entre presos dos regimes fechado, semiaberto, aberto, provisório e domiciliar. O que não é surpresa, uma vez que os números apresentados já eram esperados. Com um agravante, se se cumprisse o número de mandados de prisão em aberto, a população carcerária brasileira saltaria para mais de 1.000,000 de presos!

Com essas estatísticas, o Brasil ultrapassou a Rússia e passou a ser o detentor da terceira maior população carcerário do mundo.

Lamentavelmente, duas coisas esses comentaristas de telejornais não contam: a quantidade exorbitante de presos que é de mais de 700 mil e quem são eles. Mas se você ainda não sabe, passará, a saber, a partir de agora.

Essa história de dizer que, no Brasil, a polícia prende e a justiça solta não é bem assim como tentam fazer descer em nossas gargantas. No Brasil, somente ficam presos pessoas que não conhecem as brechas da lei, negros e pobres. Como assim, ricos, brancos e magistrados não podem ser bandidos? Bem, se analisarmos de um ângulo voltado para indivíduos ricos, brancos e magistrados quando momentaneamente recolhidos para os presídios brasileiros, chegaremos à conclusão, num passo acelerado de que realmente não, haja vista que a prisão por si só não deve, de modo algum, ser tomada como uma referência segura para se saber quem comete crime no Brasil, ora, quem de fato está preso no Brasil por desvio de verbas do metrô de São Paulo, da Petrobras, pelas muitas lavagens de dinheiro e pelas muitas outras animações criminais e corruptivas?

Como sempre, o perfil do preso brasileiro se desenha por jovens pardos e de baixa escolaridade, ou seja, os presos brasileiros são os negros, os pobres, analfabetos, desempregados, desabitados e as pessoas que não possuem sequer o quarto ano escolar ou o ensino fundamental completo. Sendo aqueles entre 18 e 24, a maioria dos presos.

Claro, num País com uma população de 200 milhões de habitantes, no qual, as autoridades públicas não apresentam políticas públicas capazes de inserir a juventude no seio social, os resultados não poderiam tomar outros rumos: menos escolas e mais presídios.

(Gilson Vasco, escritor)

 

Para se entender o terrorismo contra o Charlie Hebdo. Artigo de Leonardo Boff

“Formalizemos um conceito do terrorismo: é toda violência espetacular, praticada com o propósito de ocupar as mentes com  medo e pavor”, escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.

 

Eis o artigo.

Uma coisa é se indignar, com toda razão, contra o ato terrorisa que dizimou os melhores chargistas franceses. Trata-se de ato abominável e criminoso, impossível de ser apoiado por quem quer que seja.

Outra coisa é procurar analiticamente entender por que tais eventos terroristas acontecem. Eles não caem do céu azul. Atrás deles há um céu escuro, feito de histórias trágicas, matanças massivas, humilhações e discriminações, quando não de verdadeiras guerras preventivas que sacrificaram vidas de milhares e milhares de pessoas.

Nisso os USA e em geral o Ocidente são os primeiros. Na França vivem cerca de cinco milhões de muçulmanos, a maioria nas periferias em condições precárias. São altamente discriminados a ponto de surgir uma verdadeira islamofobia.

Logo após o atentado aos escritórios do Charlie Hebdo, uma mesquita foi atacada com tiros, um restaurante muçulmano foi incendiado e uma casa de oração islâmica foi atingida também por tiros.

Que significa isso? O mesmo espírito que provocou a tragédia contra os chargistas está igualmente presente nesses franceses que cometeram atos violentos às instituições islâmicas. Se Hannah Arendt estivesse viva, ela que acompanhou todo o julgamento do criminoso nazista Eichmann, faria semelhante comentário, denunciando este espírito vingativo.

Trata-se de superar o espírito de vingança e de renunciar à estratégia de enfrentar a violência com mais violência. Ela cria uma espiral de violência interminável, fazendo vítimas sem conta, a maioria delas inocentes.

Paradigmático foi o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. A reação do Presidente Bush foi declarar a “guerra infinita” contra o terror; instituir o “ato patriótico” que viola direitos fundamentais ao permitir prender, sequestrar e submeter a afogamentos a suspeitos; criar 17 agências de segurança em todo o país e começar a espionar todo mundo no mundo inteiro, além de submeter terroristas e suspeitos em Guantánamo a condições desumanas e a torturas.

O que os USA e aliados ocidentais fizeram no Iraque foi uma guerra preventiva com uma mortandade de civis incontável. Se no Iraque houvesse somente ampla plantação de frutas e cítricos, nada disso ocorreria. Mas lá há muitas reservas de petróleo, sangue do sistema mundial de produção.

Tal violência barbárica, porque destruiu os monumentos de uma das mais antigas civilizações da humanidade, deixou um rastro de raiva, de ódio e de vontade de vingança.

A partir deste transfundo, se entende que o atentado abominável em Paris é resultado desta violência primeira, e não causa originária. O efeito deste atentado é instalar o medo em toda a França e em geral na Europa. Esse efeito é visado pelo terrorismo: ocupar as mentes das pessoas e mantê-las reféns do medo.

O significado principal do terroismo não é ocupar territórios, como o fizeram os ocidentais no Afeganistão e no Iraque, mas ocupar as mentes. Essa é sua vitória sinistra.

A profecia do autor intelectual dos atentados de 11 de setembro, o então ainda não assassinado Osama Bin Laden, feita no dia  8 de outubro de 2001, infelizmente, se realizou: “Os EUA nunca mais terão segurança, nunca mais terão paz”.

Ocupar as mentes das pessoas, mantê-las desestabilizadas emocionalmente, obrigá-las a desconfiar de qualquer gesto ou de pessoas estranhas, eis o que o terrorismo almeja e nisso reside sua essência. Para alcançar seu objetivo de dominação das mentes, o terrorismo persegue a seguinte estratégia:

(1) os atos têm de ser espetaculares, caso contrário, não causam comoção generalizada;

(2) os atos, apesar de odiados, devem provocar admiração pela sagacidade empregada;

(3) os atos devem sugerir que foram minuciosamente preparados;

(4) os atos devem ser imprevistos para darem a impressão de serem incontroláveis;

(5) os atos devem ficar no anonimato dos autores (usar máscaras) porque quanto mais suspeitos, maior o medo;

(6) os atos devem provocar permanente medo;

(7) os atos devem distorcer a percepção da realidade: qualquer coisa diferente pode configurar o terror. Basta ver alguns rolezinhos entrando nos shoppings e já se projeta a imagem de um assaltante potencial.

Formalizemos um conceito do terrorismo: é toda violência espetacular, praticada com o propósito de ocupar as mentes com  medo e pavor.

O importante não é a violência em si, mas seu caráter espetacular, capaz de dominar as mentes de todos. Um dos efeitos mais lamentáveis do terrorismo foi ter suscitado o Estado terrorista que são hoje os EUA. Noam Chomsky cita um funcionário dos órgãos de segurança norte-americano que confessou: “Os EUA são um Estado terrorista e nos orgulhamos disso”.

Oxalá não predomine no mundo, especialmente no Ocidente, este espírito. Aí sim, iremos ao encontro do pior.

Fonte IHUSINOS

Pasmem: Ex-Diretor do DETRAN afirma que não deixou rombo na instituição e que foi transparente e democrático

ALDIR

DIREITO DE RESPOSTA

 

Caro Aldir

     Gostaria na minha pessoa de homem público e gestor, de informar ao jornalista que não houve rombo no DETRAN-MA na minha gestão.  Suas citações me deixaram um tanto estarrecidos e não condizem com a realidade e sinto a necessidade de fazer alguns esclarecimentos pertinentes:

  1. Não há e nunca houve sucateamento interno do DETRAN-MA. O órgão desde 1992 não passava por melhorias em sua estrutura física, principalmente interna. O que foi feito na nossa gestão como prioridade e isso é notório na sociedade maranhense foi trabalhar a melhoria nas instalações do atendimento ao público. Fizemos um novo hall de atendimento, com novos equipamentos de informática, máquina de senhas, climatização, mobília nova e confortável, além do Complexo da Vistoria. Todos os postos da capital passaram por reformas que não se limitam a apenas a pintura de fachada dos prédios, como mencionado.  Toda a rede lógica foi trocada e nada foi feito com superfaturamento, foram licitações e adesões à ata que atenderam as prerrogativas da lei. Vale ressaltar que a nossa intenção era reformar toda a parte interna do órgão, que de fato precisa urgente de reparos, mas o tempo não foi hábil e o projeto encontra-se no departamento para a apreciação do novo gestor .
  2.  Os contratos firmados pelo DETRAN-MA com a empresa VTI não tratam do mesmo objeto: um dos contratos trata da tão sonhada baixa de plataforma do departamento que vai garantir e já garante a disponibilidade de aplicativos móveis nos smartphones por exemplo e que vai tornar o órgão independente tecnicamente da Secretaria Adjunta de Informática –SEATI, evitando as famosas e intermináveis quedas do sistema. O outro contrato trata da gestão dos processos do DETRAN-MA que é algo que vai agilizar e desburocratizar os serviços prestados pelo órgão. Todos os dois contratos foram adesões à ata do Governo Federal e também estão rigorosamente dentro da lei.
  3. Em relação a MS Informática e Consultoria, a empresa realiza a organização do arquivo central do DETRAN-MA e a digitalização dos processos. Além do mais todo o trabalho foi feito e concluído. No que o nobre jornalista se refere à aquisição de 18 camionetas hilux para as Ciretrans da instituição em todo o Estado, informo que na verdade são 20 carros e não 18. As cinco maiores Ciretrans receberam dois carros para facilitar o trabalho dos chefes das mesmas que têm em média mais de 30 municípios em suas jurisdições de trabalho. Os carros foram locados, não adquiridos e não houve qualquer irregularidade com o processo. As caminhonetas adquiridas pelo DETRAN-MA por meio dos recursos do convênio com a FENASEG são de antes da minha gestão e algumas estão com a vida útil precária e outras totalmente inoperantes.
  4. Quem me conhece caro jornalista Aldir Dantas sabe que sou um gestor democrático. Assusta-me um jornalista de sua estirpe ser usado para praticar tais ofensas a minha pessoa sem que eu possa pelo menos me defender. Mas vamos aos esclarecimentos: nunca usei de agressões, expulsões e assedio moral para com os funcionários (eu sim fui vítima de ameaças e agressões por parte de alguns servidores que foram afastados/demitidos por suspeitas por prática de irregularidades dentro do órgão.
  5. O DETRAN-MA é um órgão de trânsito sério e não um patrimônio particular, se o órgão tem algum dono esse dono é o povo que paga todos os seus impostos, taxas e serviços e foi para esse povo que prestamos serviços à frente do órgão e que tenho a satisfação que em nome da minha equipe de dizer que recebi e recebo ainda diversos elogios pela gestão realizada no departamento nos últimos dois anos.

                                                    André Campos

 

            André Campos faltou com a verdade

 

            Depois de ter me enviado o direito de resposta, o senhor André Campos me encaminhou algumas considerações afirmando que todos os contratos assinados com a empresa Diplomata, foram licitados publicamente, mesmo estando publicados no Diário Oficial do Estado com o registro de aditivos. Foi o que prevaleceu durante os dois anos da sua administração, inclusive o último contrato no valor superior a 10 milhões de reais, assinado no dia 19 de novembro do ano passado e publicado no Diário Oficial do Estado, no dia primeiro de dezembro 2013.

Diante da falta aos princípios da verdade, o senhor André Campos demonstra que não age com seriedade, uma vez que contratos idênticos foram assinados com a VTI e outras empresas.

Quanto a questão do autoritarismo ele deve ter esquecido que mandou  uma empresa terceirizada demitir quatro funcionárias que foram denunciadas por capachos por estarem em um restaurante com roupas vermelhas. Ele atribuiu que elas comemoravam a vitória de Flavio Dino e foram punidas, e teriam sido   filmadas por subservientes do ex-diretor. Se tivessem em comemorações era um direito democrático de manifestação pública, que não pode ser atrelado a vontade de quem procurava interferir no direito da expressão do pessoal do DETRAN.

Como mantenho muitas informações sobre praticas ilícitas registradas no DETRAN, logo voltarei com mais detalhes. A propósito tenho informação de que equipes de auditores já estão trabalhando no DETRAN e que os problemas são mais sérios do que se imagina. Há denuncias de que uma pessoa tinha quatro empresas prestando serviços para a instituição. Quanto ao rombo não há como escapar da realidade e da