Cinaldo Oliveira e Douglas Cunha
O Desterro figura entre os bairros mais antigos de São Luís. Pela sua proximidade com a Praia Grande, era no seu porto que descarregavam os produtos do setor primário oriundos da Baixada maranhense, considerada ao longos dos anos, até à década de 60, o celeiro de São Luís. A movimentação das embarcações que descarregavam ali, era muito grande na Praia do Desterro que também detinha grande número de casas comerciais, como as quitandas de Seu Zé Reis, João Gia, Amadeu Pinto, Charuto, Camarão e seu sócio Calé, e casa de Dona Zelinda que vendia frutas e cocadas.
No Portinho que tinha um igarapé que possibilitava as embarcações de médio e pequeno portes como as “geleiras” que traziam pescados frescos do litoral do estado e os igarités que traziam carvão e lenha de mangue, chegarem até bem próximo da Praça do Mercado Central, tendo como porto de desembarque, o final da Rua da Manga a partir da confluência com a Travessa da Lapa com suas casas comerciais, destacando Luís Sabão, “Rádio”, que negociava com suínos abatidos, o armazém A Meruóca, de Nagib Hayckel, que se tornou político importante no estado.
Ali, estava também a alegria dos barqueiros que, à noite, após o banho na casa de Dona Chiquinha e comprar o perfume Zezé, a “retalho”, na quitanda de Amadeu, buscavam as benesses das prostitutas dos lupanares como “Mata Homem”, na esquina da Travessa da Lapa com a Rua Afonso Pena, e ”Espoca”, a Afonso Pena, onde o sexo era mais barato, mesmo que na próxima viagem, dias depois, tivessem que buscar socorro com Seu Zequinha, na Farmácia do Povo, na Rua Jacinto Maia, para curar a DST adquirida. Os mais abastados iam adiante e tinham as alegrias das putas das ruas Da Palma e 28 de Julho, onde estavam as casas que tinham “mercadorias” de melhor qualidade.
