Temendo ser investigado pelas ‘estranhas’ decisões no caso Itaú, Fux quer se aproximar de Bolsonaro

Luiz Fux foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal por Dilma Rousseff que atendeu a um pedido pessoal de Sérgio Cabral, então governador do Rio de Janeiro, amigo de Fux. Antes, o pretenso candidato a ministro, pediu ajuda a José Dirceu, a quem Fux garantiu que ‘daria um jeito’ no processo que ficou conhecido como ‘Mensalão’, caso fosse alçado ao posto de ministro.

Dirceu, mais esperto que Dilma, preferiu deixar pra lá a proposta e se fez de ‘gato morto’ diante do pedido. Mas Cabral foi mais insistente. Tempos depois, de acordo com a imprensa carioca, em uma festa, Fux teria agradecido a Cabral e sua então esposa, Adriana Ancelmo pelo ‘mimo’ do cargo.

Desde então, Fux vem deixando sua marca na mais alta Corte de justiça do país. Ele engaveta processos importantes, segura a pauta, decide arbitrariamente, até mesmo contra seus próprios entendimentos anteriores, e desde 2020 segura ilegalmente uma interferência direta que ele promoveu, através do Conselho Nacional de Justiça atuando como Corregedor interino, a favor do Banco Itaú. A esquisitice da decisão envolve ainda o escritório que pertence à família do ministro Luís Roberto Barroso, outro que foi indicado por Dilma ao Supremo.

Curiosamente, Fux e Barroso são lavajatistas convictos, adoramdiscursar contra a corrupção e a necessidade de se preservar a segurança jurídica, mas fazem exatamente o contrário do pregam.

Devido a esse escândalo envolvendo o banco Itaú, e sabendo que mais cedo ou mais tarde terá que prestar contas por essas e outras, Fux decidiu se aliar ao golpismo de Jair Bolsonaro. De acordo com Bela Megale, no jornal O Globo deste fim de semana,”Bolsonaro disse a pessoas próximas que saiu de um bate-papo com o ministro tendo a “nítida impressão” de que, assim como ele, Fux não gostaria de ver o PT retornar ao poder. A comunicação entre os dois, inclusive, passou a ser mais frequente“.

Na mesma  publicação, a jornalista prossegue: Fux afirmou à coluna que “é um magistrado e que não pode ter lado e nem ideologia política”. “Não tem gosto nem desgosto”, disse. O presidente do Supremo afirmou que qualquer interlocução que estabeleça tem o objetivo de, “nesse momento importante para a democracia do Brasil, ajudar o país a ter um clima de paz”. 

Mas, não é  bem assim que a banda toca. Na sexta-feira, em evento no Pará, Fux saiu em defesa de Bolsonaro ao declarar que ‘“ninguém pode esquecer” que houve corrupção no Brasil e que decisões judiciais na Lava-Jato anulando processos foram tomadas por questões formais. Sem citar nomes, mencionou as malas com R$ 51 milhões, do ex-ministro Geddel Vieira Lima e os US$ 98 milhões que o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco confessou ter desviado e que depois devolveu.

Mas o que Fux omitiu em sua fala é que a delação de Barusco foi editada por Deltan Dallagnol para incluir o PT, conforme revelaram conversas do ex-coordenador da Lava Jato, ou seja, Dallagnol cometeu um crime para incriminar um partido, e Geddel Vieira Lima era ligado ao MDB e toda a roubalheira foi feita exatamente após Michel Temer assumir o governo.

Fux teme que o PT volte ao poder exatamente por saber que se isso acontecer ele será investigado e convocado para dar explicações sobre seus atos. E Fux quer salvar a própria pele. Ele também sabe que se Bolsonaro for eleito, alguns ministros irão para a fogueira e ele não quer se queimar.

O risco maior para Fux é a volta de Lula. Daí a tentativa de ressuscitar a Lava Jato e a desfaçatez em favorecer Bolsonaro e as milícias digitais, que passaram todo o fim de semana exaltando o ministro.

Fux ignora até o fato de que é o mesmo Jair que no 7 de setembro de 2021 incitou seus seguidores mais radicais a invadir o Supremo. E esses mesmos extremistas não vão poupa-lo. Vide o exemplo de Sérgio Moro, virou um zumbi político. Fux segue o mesmo caminho. Melhor um julgamento justo e democrático que uma fogueira da inquisição.

Fonte: Painel Político

 

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