Toda vez que um trabalhador ou trabalhadora do serviço de transporte coletivo de São Luís é vitima de violência ou um passageiro, despontam indignações e revoltas de cidadãos e cidadãs e de entidades de classe. São oportunidades para num clima de revolta, se questione a segurança pública e naturalmente com cobranças bem procedentes. Se por acaso, durante três meses, forem registrados diariamente assaltos a coletivos em nossa capital e não houver vítimas de violência física, apenas as perdas materiais já banalizadas, com certeza absoluta não haverá movimentos de luta e revolta.
A violência de todos os dias, como os assaltos que feitos à luz do dia em qualquer local desta cidade, está banalizada de tal forma que as pessoas fazem registros, quando necessário em busca da reposição dos seus documentos. A violência está sempre associada às drogas e com absoluta certeza afirmo que os assaltos do dia a dia nos transportes coletivos e nas ruas, avenidas e residências de todos os bairros da capital, os criminosos estão sob o efeito da droga e sempre estão à procura de dinheiro e objetos para saciar os seus vícios. Do outro lado da violência estão os traficantes, cada vez mais exigentes e obscuros para as autoridades policiais. Prender viciados e distribuidores das drogas não afeta em nada os traficantes, que geralmente têm muita gente para fazer a substituição imediata, proporcionando a que as drogas alcancem espaços cada vez maiores.
Quando ocorrem assassinatos dentro dos transportes coletivos, o primeiro mote de responsabilização é o aparelho policial e o segundo a imediata suspensão dos serviços, que acaba penalizando milhares de trabalhadores, que acabam ficando impedidos de ir em busca do pão de cada dia.
O assassinato violento e covarde de um trabalhador rodoviário dentro de um coletivo, causa revolta e indignação e particularmente eu não consigo avaliar a dor e o sofrimento dos seus familiares. Entendo que ela é de uma profundidade, que apenas quem sente é capaz de avaliar a dimensão que chega a essência do coração.
O povo e a polícia
Quando do registro de um ato de violência exacerbada, trabalhadores do sistema de transporte e os mais diversos segmentos sociais se identificam pelo sentimento da dor e da perda. A polícia entra no radar de todos, como a responsável pelo fato, diante da omissão, da falta de responsabilidade e outros argumentos mais contundentes, que costumam fazer.
Geralmente as pessoas não vêm o policial militar como trabalhador e cidadão detentor de direitos e deveres. Ele para exercer muito bem a sua dura missão, teria que contar com instrumentos modernos que lhes possibilitem garantir a ordem e a segurança, em inúmeras ocasiões por falta deles, acabam perdendo a vida. A dor em sua plena dimensão na sua família, não é diferente do que ocorre com o trabalhador do transporte coletivo.
Particularmente acredito na competência, na seriedade e no ímpeto de querer sempre fazer o melhor em defesa dos cidadãos, do secretário Jeferson Portela, assim como avalizo a determinação da maioria dos delegados da polícia civil e de todo o sistema policial civil, assim como o militar desde o soldado ao Comandante Geral. Afirmo com plena e absoluta certeza por conhecer e até privar de amizade de alguns policiais civis e militares.
O cerne de toda problemática do Sistema Segurança Pública do Maranhão, está na falta de uma política séria, determinada e comprometida com os anseios coletivos, que passa pelos três poderes constituídos: O Executivo, O Legislativo e o Judiciário, que infelizmente no contexto da Segurança Pública não são harmônicos.
O Sistema de Segurança Pública do Maranhão clama por investimentos para modernização e aparelhamento, precisa de mais pessoal militar e civil com remuneração digna e humanizada. Se hoje, o governador adquirisse duas mil viaturas para a segurança pública, iria apenas fazer a substituição das sucatas e outras duas mil para proporcionar mais ações e chegar a todos os municípios maranhenses. A questão dos assaltos a bancos no interior não e omissão da segurança pública, muito pelo contrário é falta de condições mínimas para enfrentamento a bandidagem. O sucesso da maioria das operações é mais pelos esforços dos policiais, que em muitas vezes conseguem superar as próprias dificuldades.
O que não se pode é esperar por milagre. Se a superlotação nos coletivos não é enfrentada como prevenção ao covid-19, simplesmente por omissão irresponsável, o que se pode esperar? Uma nova onda da pandemia? Não merecemos, mas não sei o que passa na cabeça dos gestores públicos.
A população pede respeito e dentro do seu direito constitucional clama por saúde e justiça e também a garantia de ir e vir.