O Serviço Social da Indústria – Sesi criou e por muitos manteve em plena atividade, na avenida Roberto Simonsen, no bairro do Santa Cruz, as escolas Lara Ribas especializada no ensino fundamental e o Jardim de Infância Pato Donald. Não eram apenas dois estabelecimentos de ensino, mas duas grandes referências pela qualidade da educação que ofereciam a crianças e adolescentes de todo o eixo do Outeiro da Cruz e de filhos de comerciários. Elas dentro das suas inúmeras referências destacavam-se o quadro de professores não só pelo profissionalismo, mas pela sensibilidade e dedicação, que dentre as lideranças, destacava-se uma mulher que fez da profissão um sacerdócio à educação e formação de crianças e adolescentes, a professora Sebastiana Leão, merecedora de reconhecimentos de muitos pais e alunos.
Por 36 anos morei no Conjunto Radional e tive dois filhos que tiveram oportunidade e privilégio de estudar no Lara Ribas e ambos têm lembranças saudosas do período em que viveram com colegas, professores, o aprendizado e a disciplina dentro de princípios e valores de família.
Ao ver uma escola totalmente destruída por vândalos em um momento tão cruciante em que a população de São Luís cobra e chega a mendigar estabelecimentos de ensino para milhares de crianças e adolescentes, precisamos de resposta e providências sérias para a tamanha prática criminosa.
Estive conversando com alguns moradores e a maioria me falou com bastante indignação, de quando o Sesi, decidiu transferir os alunos das duas unidades para o bairro da Alemanha e para a BR, teria feito um acordo de comodato com o Governo do Estado, que assumiu a responsabilidade de instalar nos prédios escolas estaduais, que inclusive chegou a funcionar. Desconhecem as motivações para o fechamento das escolas e o total abandono dos prédios, que foram depredados por vândalos e viciados em drogas. Para que se tenha uma dimensão da destruição até telhados foram levados, sem falarmos em bibliotecas e materiais didáticos.
Posicionamento dos Ministérios Públicos Estadual e Federal
Os prédios que estão totalmente destruídos são patrimônios públicos. Construídos pelo Sesi têm com certeza recursos federais e há necessidade de investigação para responsabilização cível e criminal dos gestores, assim como o Ministério Público Estadual, que deve apurar se houve convênio através de comodato entre o Governo do Estado e o Sesi, para que a instauração de procedimentos cíveis e criminais, sobre o fechamento das escolas e de quem efetivamente é a responsabilidade da destruição do patrimônio público.
O mais vergonhoso é que na recente pesquisa do Atlas da Violência em que o Maranhão desponta como o quarto Estado brasileiro mais violento, os pesquisadores registraram que entre os sérios problemas que geram aumento da violência está a alta deficiência na educação infantil e adolescente.
Como cidadão e como jornalista, eu senti uma forte indignação quando olhei o abandono e a revolta diante da destruição. Não se pode mais ficar naquela hipocrisia vergonhosa de que problema que veio de outro governo, o atual não tem responsabilidade. Diante dos fatos que estão expostos no bairro do Santa Cruz, não se pode calar e seria muito oportuno que os senhores deputado e vereadores olhem a realidade e exerçam o seu papel de defensores de direitos da sociedade, exatamente quando a educação está na UTI.



