Por inúmeras vezes comentei aqui no blog, questões relacionados a violência no Maranhão. Tem se procurado fazer uma cobrança acentuada ao atual governo com apenas um pouco mais de três meses de administração. Para quem encontrou o Sistema de Segurança Pública sucateado, viciado e endividado e sem referências na maioria dos municípios maranhenses e a pistolagem em plena ascensão e as drogas infernizando a vida da população com o crescente número de assassinatos, realmente se constitui em um autêntico desafio o enfrentamento. São observações que considero bem importante sob o ponto de vista da realidade, mas entendendo que para uma atuação firme e bem determinada faltam elementos para o combate. O secretário Jeferson Portela, da Segurança Pública é sem quaisquer dúvidas um homem experiente, sério, determinado e que está com os melhores propósitos, mas faltam-lhes muitas condições de trabalho, que passam por pessoal capacitado, viaturas, armamentos, serviços com tecnologias avançadas e paralelamente politicas sociais. Elas se fazem necessárias voltadas para a juventude e para os segmentos mais pobres, desde a geração de emprego e renda, empreendedorismo, sem falarmos em educação, saúde e saneamento básico e água tem gerado muitos conflitos dentro das próprias comunidades.
Dentro de todo o contexto, o governo acabou criando um sério problema, que pode ter reflexos negativos dentro do enfrentamento a violência. A transferência de quase a metade dos coronéis da Policia Militar para reserva, através de uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado, que retirou deles direitos adquiridos, acabou criando sérios problemas na corporação com prejuízos graves, quanto aos oficiais altamente experientes, treinados e capacitados em segurança pública e prontos para o enfrentamento à criminalidade, que não tiveram nem oportunidade de treinar contingentes, principalmente nas questões relacionadas ao planejamento estratégico. Eram recursos humanos do mais elevado nível e que seriam da mais alta importância para o momento, além de abrir questionamentos na justiça, que com certeza devem chegar às mais diversas instâncias judiciais.
Outro fato, que acabou por proporcionar criticas ao governo, foram as sucessivas informações de que está havendo redução da criminalidade na capital e no interior, que inclusive agora mereceu esclarecimentos por parte da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos. Os fatos não são como se tenta repassar para a sociedade. Se realmente houve, foi uma redução tão mínima, que não ainda não merecia tal destaque, levando-se em conta que a violência é grande com proporções graves e os seus números não são maiores, decorrente de que as dezenas de assaltos diários não são mais registrados pelas vítimas devido a banalização, a não ser quando documentos são levados e a necessidade do registro do Boletim de Ocorrência. O que se tem constituído em verdadeiro desafio são as explosões a caixas eletrônicos e assaltos a agências dos Correios, praticados por quadrilhas com ramificações diversas, daí que quando a policia retira algumas de circulação, elas retornam com novos grupos, numa demonstração clara de organização.
A verdade é que a violência continua em plena ascensão tanto na capital como no interior e há a necessidade de enfrentamento. A responsabilidade não é só do Governo do Estado através do Sistema de Segurança Pública, mas de todos os poderes constituídos e da sociedade como um todo, com cada segmento fazendo efetivamente a sua parte e com a devida responsabilidade de combater a violência. A droga é o grande câncer do crescimento de mortes de pessoas, principalmente jovens, que quando não perdem a vida decorrente do vicio, acabam sendo assassinados a mando e traficantes, além das disputas de pontos com as facções cada vez mais cruéis em defesa dos seus interesses.
