O silêncio do padre Roberto Perez na CPI do Sistema Carcerário

         aldir

Durante o período dos assassinatos, fugas e barbáries no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, cobrei por sucessivas vezes um posicionamento público da Pastoral Carcerária. Por já ter integrado a pastoral e conhecer a realidade e de ter a dimensão da decisão do compromisso e profissão de fé, estranhei o silêncio profundo, até mesmo diante das criticas contundentes feitas aqui no blog. A principio cheguei a pensar, que estivesse desarticulada, mas logo fui informado que o coordenador exercia um função no sistema, a convite do então Secretário de Justiça e Administração Penitenciária, mas mesmo assim, ninguém bem perto de quadros diários criminosos, jamais poderia calar, principalmente um religioso comprometido  com a defesa da dignidade humana.

           Por ocasião da audiência pública com a CPI do Sistema Carcerário da Câmara dos Deputados, o agente penitenciário Cézar Bombeiro, na sua oitiva fez importantes declarações relacionadas aos fatos no Maranhão, municiado com importantes documentos, o que posteriormente mereceu considerações bem objetivas dos parlamentares integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito. Ao encerrar as suas palavras, Cézar Bombeiro disse que lamentavelmente a Pastoral Carcerária tinha exercido um papel de omissão e até conivência com todos as praticas criminosas que resultaram na banalização da vida no Complexo de Pedrinhas. O padre Roberto Perez estava presente no local e assistiu a tudo. Esperava-se que na abertura dos espaços para os presentes, ele pedisse espaço para rebater ou esclarecer as denúncias, mas muito pelo contrário ouviu em silêncio e saiu do recinto calado.

          Sobre a Pastoral Carcerária, tenho orgulho de dizer que integrei o grupo orientado pelo Frei Carlito e as religiosas Irmãs Josefina, Alverne, Gabriela e inúmeras outras da Ordem da Redenção. A Semana do Encarcerado foi criada pelo grupo e conseguimos trazer a São Luís, Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo. Como a assistência jurídica no Sistema Penitenciário era deficiente, conseguimos importante apoio do juiz José de Ribamar Castro, hoje desembargador e da juíza Sonia Amaral. Por inúmeras vezes, o arcebispo Dom Paulo Ponte e o bispo auxiliar Dom Geraldo Dantas de Andrade celebraram no presidio. O promotor de justiça Gladston Araújo, quando diretor das promotorias da capital esteve várias vezes em Pedrinhas e conseguiu ajudar encarcerados, atendendo solicitações da Pastoral Carcerária.

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