A foto acima é da UPA do Bairro Vinhais e o flagrante abaixo foi feito quando os elementos deixavam a unidade de saúde com os agentes e foram conduzidos em um veículo particular
Tenho afirmado que prioridades para pessoas idosas fazem parte apenas de discursos recheados de hipocrisia e no papel, no caso o Estatuto do Idoso. Neste domingo tive oportunidade de ver de perto mais um acentuado desrespeito. O fato correu na UPA do Bairro do Vinhais, que contava com um considerável número de pessoas em busca de atendimento médico, dentre elas estavam seis com tarjas amarelas coladas com destaques em suas roupas, que indicavam atendimento prioritário com risco de vida, sendo que duas delas em cadeiras de rodas e visivelmente abatidas, o que inclusive mereceria um atendimento de urgência.
Inesperadamente adentram ao recinto dois homens de roupas escuras com aspecto de policiais, conduzindo dois rapazes algemados, o que ocasionou uma enorme apreensão nas pessoas que estavam aguardando atendimentos, sendo algumas senhoras com crianças de colo, tendo duas delas se retirado do recinto com receios de atos de violência até mesmo no caso de rebeldia de um dos presos.
Não sei se por determinação da direção da UPA ou atendimento padrão para delinquentes oriundos da FUNAC do Bairro Vinhais, os dois rapazes foram imediatamente introduzidos na sala de avaliação com os agentes e depois da triagem conduzidos aos consultórios médicos e assim usurparam o direito de atendimento preferencial de pessoas idosas.
A indignação foi muito grande e algumas pessoas se retiraram do local temendo que um dos elementos viesse a criar problemas e viesse a ser registrado tumulto de maiores proporções. Outras pessoas temiam que surgissem bandidos para resgatar os dois presos e com certeza, muita gente inocente poderia ser morta.
A verdade é que ao se introduzir em um local de atendimento médico público, elementos de elevados índices de periculosidade e de maneira ostensiva, foi simplesmente uma agressão do poder público aos cidadãos e cidadãs que estavam na UPA, não para pedir ou mendigar favor, mas em busca de um direito constitucional à saúde.
Uma senhora que estava desde cedo na UPA com o seu pai em observação médica devido a uma crise de pressão arterial, disse que horas antes o mesmo procedimento arbitrário foi feito para atender três infratores da FUNAC do Bairro do Vinhais, o que pelo visto deve ser uma prática normal.
A FUNAC do Bairro Vinhais fica ao lado da UPA, mas isso não dá direito a que os infratores sob a tutela da instituição tenha o direito prioritário a idosos e também algemados seja colocado em ambiente em que estão cidadãos e cidadãs, de maneira alarmante, causando sérios temores às pessoas presentes. O fato merece a atenção do Ministério Público, com vistas a que as pessoas não corram riscos de possíveis conflitos e seja garantido o direito do idoso na questão da prioridade.
Atendimentos a presos e infratores da FUNAC devem ser atendidos em unidade hospitalar preparadas para esses serviços sérios e de muito risco. Como não existe, se utiliza uma prática vergonhosa para ferir direitos e dignidade da população.


