*Carla Araújo – Colunista do UOL NOTÍCIAS
Ao menos dois ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avaliam que a suposta insistência do presidente Lula pela indicação de Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso na corte mostra a confiança do presidente em sua reeleição. Apesar de existirem divergências jurídicas sobre a possibilidade de uma nova indicação ainda neste ano, os ministros ouvidos pela coluna avaliam que Lula não faria a indicação sem apaziguar a relação com o Senado e que também não enfrentaria questionamentos jurídicos para isso. Segundo um desses ministros, que mantém diálogos com o presidente Lula, mas que não conversou com ele a respeito da nova indicação de Messias, os recados que foram repassados por auxiliares do governo ao Supremo são que Lula só faria mesmo a nova indicação a partir do ano que vem, ou seja, depois de reeleito. A queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e o envolvimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no caso Master foram fatores apontados pelos magistrados que acreditam no suposto otimismo do presidente. Um terceiro ministro do STF avaliou, porém, que, em caso de derrota de Lula, o presidente poderia fazer novamente a indicação de Messias em um gesto político, principalmente para senadores que eventualmente não sejam reeleitos. Eles poderiam pressionar para uma apreciação do nome. Apesar disso, esse cenário, dizem auxiliares de Lula, não está sendo considerado no momento. Lula quer indicar Messias novamente e ponto, afirmou uma fonte muito próxima a Lula.
E o clima interno?
Messias enfrentou uma forte resistência por parte de uma ala do Supremo, incluindo Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Ele teve, no entanto, um forte apoio do ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme mostrou reportagem do UOL, Messias e Mendonça têm perfis parecidos: são evangélicos, servidores de carreira e que usam as mesmas palavras para se referirem um ao outro: “técnico, discreto, operoso”. Mendonça ficou bastante abalado com a rejeição de Messias no Senado e, nos bastidores, admite que seria bom poder contar com o colega na Suprema Corte. Mendonça também foi alvo de oposição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que comandava a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na época e o deixou por meses na “geladeira”, até sua indicação ser apreciada. Messias também sofreu com a articulação de Alcolumbre, que, desde o início da indicação, havia avisado a Lula que não seria uma aprovação fácil. Ele queria Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. Na Suprema Corte, o clima é de espera, já que o cenário possui variáveis e a estratégia mesmo “só quem sabe é o Lula”.
Alcolumbre vê “burrice”
Como mostrou a coluna, a informação de que Lula estaria disposto a indicar novamente o nome de Messias foi recebida por aliados de Alcolumbre com estranheza. A avaliação feita no entorno do presidente do Senado é que o governo está vivendo um bom momento, que há caminhos sendo desenhados para um entendimento entre Lula e Alcolumbre e que trazer a pauta novamente “parece burrice”. Apesar de esforços no governo para que a relação entre Lula e Alcolumbre seja retomada, a última semana passou e os dois continuam apenas “protocolares”.
*Carla Araújo – Colunista do UOL NOTÍCIAS