Maranhão perdeu uma das suas lideranças de defesa de direitos e dignidade de homens e mulheres do campo

Fui surpreendido no domingo com a informação do passamento do amigo Pedro Marinho, uma pessoa que ajudou com muito trabalho, luta e dedicação em defesa dos direitos e da dignidade humana de trabalhadores e trabalhadoras rurais do Maranhão, como integrante do colegiado das decisões da Comissão Pastoral da Terra.

O forte impacto que a noticia me causou, foi decorrente de sermos amigos próximos e mais ainda, a enorme gratidão que tinha por ele. Como jornalista, foi através dele que conheci o padre Chagas, quando coordenador da Comissão Pastoral da Terra e por mais cinco anos me tornei colaborador da CPT, período foi importante para a minha pessoa, pelo aprendizado técnico e conhecimento da realidade de dezenas comunidades rurais do Maranhão, que com conseguiram lutar com a força e missão profética de todos os que construíam a CPT.

Foram centenas de visitas, encontros, e debates a comunidades rurais, oficinas sobre organização comunitária e rural. Orientações de como se defenderem de latifundiários, grileiros, empresários rurais e de policiais que os prendiam, tocavam fogo em suas casas, matavam seus animais, tudo tomar posses centenárias de terras. Durante todo o período em que participei como voluntário, os agentes da CPT, orientavam trabalhadores e trabalhadoras rurais para se defenderem  e evitar o máximo confrontos. Pedro Marinho era uma das pessoas que tinha a missão de orientar agricultores e agricultoras.

Foi através de Pedro Marinho que conheci e fiz amizade e divulgações como jornalista com os bispos Dom Reinaldo Punder (Diocese de Coroatá), Dom Franco Massterdotti  (Diocese de Balsas), Dom Luiz D’Andrea ( Diocese de Caxias ) e Dom Affonso Gregory (Diocese de Imperatriz), todos já  se encontram na Gloria do Reino. Dom Xavier e Dom Enemézio Lazzaris, o primeiro bispo emérito e foi presidente da CPT Nacional, cargo também exercido pelo segundo, que também é Bispo da Diocese de Balsas, que permanecem na luta e naturalmente com os demais bispos das 12 Dioceses do Maranhão.

A CPT do Maranhão ganhou uma referência importante no cenário nacional com a coordenação integrada por Dom Xavier, padre Flavio Lazzarin, Pedro Marinho e depois chegou Marta Bispo. Foi um período de luta intensiva da CPT, quando o Maranhão, além de ser o grande fornecedor de mão de obra escrava, principalmente para o período do corte da cana de açúcar em Ribeirão Preto – São Paulo. Para que se tenha uma dimensão do sério problema, mais de 10% das populações dos municípios de Timbiras e Codó era levada pelos chamados gateiros.  Foi a CPT a primeira instituição a denunciar o trabalho escravo no Maranhão e muitas das ações feitas realizadas por auditores do Ministério do Trabalho do Maranhão e do Piaui, foram através de denuncias corajosas de Pedro Marinho, padre Flavio, Faustino , Toinha, padre Jan e outras lideranças da CPT.

Para falar mais sobre Pedro Marinho, estão ai, Dom Xavier, padre Flavio Lazzarin, Marta Bispo, Dom Sebastião Bandeira (Diocese de Coroatá ), Dom Valdeci Mendes (Diocese de Brejo), Dom Sebastião Duarte (Bispo de Caxias) e dezenas e até centenas de lideranças em todo o Maranhão. Pedro Marinho, mesmo depois que deixou a CPT e continuou a sua missão profética, atendendo convites para oficinas temáticas em comunidades e era uma presença marcante nas Assembleias dos Bispos do Maranhão.  Ao expressar alguns aspectos da história do valoroso Pedro Marinho, que era técnico agrícola, mas a sua missão em defender direitos e dignidade humana de homens e mulheres do meio rural, fizeram-no um ser humano diferente., presto a minha singela homenagem a ele, que constantemente trocávamos informações e ele com o seu conhecimento e sabedoria, sempre tinha algo para acalmar as minhas inquietações. Que Deus o tenha em Seu Reino da Glória.

 

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