Se estivéssemos em período eleitoral, não tenhamos dúvidas de que encontraríamos nos terminais, nas paradas e nas superlotações dos coletivos políticos de todos os níveis pedindo votos, com a distribuição de máscaras, álcool gel e circulando nas aglomerações e até mesmo nas superlotações, afinal de contas o que um político não faz em busca de voto? Com o engodo e o pleno exercício da demagogia com farsas de discursos, num momento de dificuldades, as pessoas pobres e humildes se sentem vulneráveis, principalmente quando se deparam com aqueles, que discretamente disponibilizam R$ 10 para o eleitor pagar a passagem do dia seguinte.
Como no momento os eleitores não estão valorizados, a distância, o respeito aos seus direitos de cidadãos e a própria dignidade humana são totalmente ignorados. Como em plena pandemia existem restrições sanitárias por parte dos gestores públicos, mas quando se trata dos milhares de usuários do transporte coletivos de todos os dias, elas se tornam invisíveis.
A colocação de bombeiros civis e agentes sanitários precariamente nos terminais é mais um engodo, uma vez que não evita as aglomerações e não impede que os usuários possam ser contaminados, e o pior vem depois, quando as pessoas são obrigadas e enfrentar um serviço de transporte da pior qualidade com os riscos de serem afetadas pelo vírus pela excessiva superlotação. O mais doloroso é que sabemos que podemos levar para o nosso barraco, a destruição da nossa família, me disse uma senhora no terminal da Cohama, diarista de duas vezes por semana, que tem três filhos pequenos. O sentimento dela é que pode ser afetada e deixar os filhos órfãos e deles contraírem a doença e os vizinhos que solidariamente a ajudam, tudo nos remete a destruição, me disse com lágrimas nos olhos.
A quem recorrer? Será que as restrições sanitárias e dos gestores públicos excluem usuários do transporte coletivo? O enfrentamento a pandemia não é para todos? Cadê as autoridades?
Fonte: AFD