Governo Flavio Dino terá que intervir para conter a violência no campo com os conflitos agrários

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Esta semana a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Maranhão – Fetaema e a Comissão Pastoral da Terra – CPT, voltaram a denunciar o avanço dos conflitos agrários no Maranhão. As duas entidades destacaram, que neste mês de janeiro já foram registrados mais de 35, sendo um dos últimos no município de Alto Alegre, em que jagunços do pecuarista José de Arimatéia, atearam fogo nas casas dos lideres quilombolas José Maria da Conceição e Raimundo Soares Gomes. A comunidade responsabiliza o conflito à Superintendência do INCRA no Maranhão, que vergonhosamente tem tratado o processo de titulação com muita lentidão, justamente para favorecer politicos, grileiros, latifundiários e o agronegócio, o que infelizmente se tornou uma prática, que avançou em todas as regiões do Estado com a irrestrita omissão do INCRA e apoio da governadora Roseana Sarney.

O ex-superintendente do INCRA e hoje deputado estadual a ser empossado no próximo domingo, José Inácio Rodrigues Sodré é responsabilizado por dezenas de comunidades rurais, principalmente quilombolas por colocar a instituição a serviço do favorecimento de latifundiários e empresários do agronegócio. Foram inúmeras as denúncias feitaspor entidades comunitárias e pela CPT e Fetaema, ao Ministério Público, a Secretaria de Segurança Pública, a Ouvidoria Agrária Nacional e a Comissão de Combate a Violência no Campo, que inclusive proporcionou a vinda a São Luís, do Ouvidor Agrário Nacional por diversas vezes, mas que em nada adiantou.

No município de Codó, o INCRA evitou dar dimensão de desapropriações para titulação de áreas quilombolas, permitindo o avanço de interessados na expulsão de milhares de famílias de posses centenárias, liderados pelo coronel reformado da Policia Militar e deputado estadual César Pires, o prefeito Zito Rolim, o ex-prefeito Biné Figueiredo e o empresário Francisco Carlos Oliveira. As policias civil e militar por sucessivas vezes são utilizadas para ameaçar, coagir e prender trabalhadores e trabalhadoras rurais. A resistência fica por conta da Fetaema e da CPT com as suas assessorias jurídicas e a Igreja Católica, com a luta de padres, alguns ameaçados de morte e a presença constante do bispo Dom Sebastião Bandeira, da Diocese de Coroatá. Igrejas e casas de lideranças rurais já foram incendiadas e o terror é amplamente dimensionado.

A situação não é tão diferente na região do Baixo Parnaíba. Os tentáculos do grupo Suzano Papel Celulose, contando com apoios de órgãos públicos e decisões judiciais conseguiram e conseguem expulsar milhares de famílias de posses centenárias e ainda tem incorporado ao seu patrimônio terras devolutas, que são de conhecimento do ITERMA, e que por interesse de políticos que antes habitavam o Palácio dos Leões, nenhuma providência foi adotada.

Os tentáculos do agronegócio do eucalipto e da soja avançam em toda direção e com muita voracidade para a destruição do bioma cerrado. Se hoje a fome e miséria tomaram ampla dimensão no meio rural, com a crescente prostituição e o tráfico de drogas são decorrentes da perversidade de se retirar a qualquer custo e com forças policiais e de jagunços, trabalhadores e trabalhadoras rurais do campo.

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