Fazendeiro desafia a Segurança Pública do Maranhão e ameaça famílias de Quilombo em Santa Inês

No período de 01 a 05 de setembro deste ano, mais de 1 km de extensão de vegetação nativa, que deveria ser protegida, foi desmatada ilegalmente dentro do território quilombola Onça no município de Santa Inês – MA.

O desmatamento ocorreu com o uso de trator de esteira e correntões, a mando do  fazendeiro identificado como Franciano Oliveira Sousa, promovendo a derrubada de diversas árvores nativas da região, especialmente palmeiras de babaçu espécie fundamental para o sustento das 60 famílias que vivem no quilombo e que tem sua derrubada expressamente proibida, através da Lei do Babaçu Livre . Acionado pelos quilombolas, o Ministério Público do Estado requisitou a presença da polícia no local, que apreendeu um trator de esteira, após verificar o crime ambiental. Mesmo com a atuação do MP-MA, nos dias seguintes, homens a mando do desafiador fazendeiro voltaram ao território e fincaram estacas e cercaram áreas que estão dentro limite do quilombo, reforçando o clima de tensão e medo entre as famílias do quilombo.

Na manhã do dia 15/09 ocorreu uma nova invasão nas áreas de plantação da comunidade, com destruição de roças de melancias. A ação audaciosa é uma mostra que o fazendeiro não teme a justiça, e tem deixado bem evidente de que tem proteção política, o que elevou tensão e insegurança que os quilombolas têm vivido naquela localidade, haja vista, a decisão seja de resistir e proteger território e a natureza.

A retomada do território pelas crianças quilombolas 

Na manhã do 13.09, porém, dezenas de crianças do quilombo decidiram proteger a terra em que nasceram seus avós, tapando os buracos com suas próprias mãos. Iniciaram elas mesmas a retomada do território, como uma brincadeira de quem nasce e cresce lutando. Agora, a comunidade exige que as instituições atuem na proteção do quilombo, das ameaças e violências que a comunidade vem enfrentando. Se não houver uma ação imediata por parte das autoridades e mais precisamente da Justiça e do Sistema de Segurança Pública, poderá fazer o registro de luta e morte, haja vista que os quilombolas garantem que vão resistir com as suas famílias.

CPT Nacional 

 

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