Josmar Jozino – Colunista do UOL
O faturamento do PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior organização criminosa do Brasil, aumentou de R$ 12 milhões em 2006 para US$ 2 bilhões em 2026, segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, órgão subordinado ao MP-SP, que revelou os números durante entrevista ao programa “Canal Livre”, exibido no último domingo pela Rede Bandeirantes de Televisão. O promotor de Justiça, “não existe nenhuma organização criminosa e nenhuma empresa lícita que tenha, em 20 anos, um crescimento tão extraordinário quanto teve o PCC.
Na avaliação de Gakiya, o PCC é a organização criminosa que mais cresce no mundo e é um fenômeno que não pode mais ser combatido só no estado de São Paulo porque está presente em todo o Brasil e também em 28 países. “O esforço tem de ser nacional e internacional”, advertiu. Após pouco mais de três décadas de existência, o PCC, fundado nos presídios paulistas em 31 de agosto de 1993, tornou-se uma máfia, a primeira brasileira, e está infiltrado nos poderes do estado e financia campanhas políticas em períodos eleitorais. O promotor de justiça registra que o PCC, também exerce influência no Ministério Público, no Poder Judiciário, na economia informal e no sistema financeiro nacional. O representante do Geco de Presidente Prudente afirmou ainda que há risco de o Brasil se transformar um narco-Estado.
“Organização não é terrorista”
Indago se o PCC pode ser classificado como organização terrorista, Gakiya explicou que não porque o Primeiro Comando da Capital não tem esse princípio ideológico, como outros grandes grupos que impõem o terror em várias partes do mundo.
“O PCC não é uma organização terrorista. Embora já tenha cometido várias ações terroristas, como atentados contra autoridades, uma delas o juiz Antônio José Machado Dias”, relembrou Gakiya. O magistrado foi assassinado em Presidente Prudente, em março de 2003, a mando da facção. A entrevista de Gakiya no “Canal Livre” teve como foco os 20 anos dos ataques do PCC em São Paulo. O grupo criminoso praticou uma série de atentados contra as forças de segurança após o isolamento de 765 líderes da organização, em maio de 2006, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Durante os ataques, o PCC matou, em uma semana, 59 agentes públicos. Em contrapartida, outros 505 civis foram mortos pelas forças de segurança, especialmente pela Polícia Militar. As ações tiveram repercussão mundial e foram chamadas de “Os crimes de maio”.
Fonte: UOL