O bacharel em direito Cláudio Henrique Bezerra Barcelos, ex-diretor da Casa de Detenção do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, responsável pela fuga de três assaltantes de bancos pela porta da frente da unidade prisional, está foragido depois que teve a sua prisão preventiva decretada pela justiça. Orientado pelos seus advogados, ele deve se entregar as autoridades policiais para em seguida os seus defensores solicitem a revogação da preventiva, uma vez que ele foragido, dificilmente a justiça atenderá qualquer pedido de liberdade.
Segundo comentários que teriam sido feitos pelo próprio acusado, inclusive de ter recebido a importância de 300 mil reais, ele estaria disposto a não ser o único a ir para o sacrifício, diante de uma prática comum dentro das unidades prisionais, durante o período negro da administração de Sebastião Uchôa. Quando ele foi preso à época, o secretário anunciou publicamente que foi ele quem solicitou investigações da DEIC. Embora a Policia Civil tenha anunciado que monitorava o acusado há mais de três meses, mostrou total fragilidade deixando ele facilitar a fuga dos três bandidos. O certo é que a partir das informações com os nomes de todos os plantonistas na Cadet e a existência de uma autorização por escrito divulgados aqui no blog é que foi registrada a prisão.
A verdade que Cláudio Barcelos facilitava saídas de presos e naturalmente recebia uma boa grana, e segundo se comenta, as facilidades eram tantas, que muitos praticavam assaltos e imediatamente retornavam ao presidio e nunca apareciam no rol dos suspeitos. No Cadeião do Diabo à época o esquema funcionava muito bem e com certeza nas demais unidades, daí que os presos não eram recolhidos às celas para dificultar a conferência. Era um esquema grande e que era do conhecimento da direção do Sistema Penitenciário. Cláudio Barcelos sabe que ele pode ser o único a ser responsabilizado, mas estaria disposto a denunciar muita gente envolvida.
Com o muro do Cadeião do Diabo derrubado por uma caçamba, quantos presos fugiram ?
Quando o muro do Cadeião do Diabo foi derrubado por uma caçamba, a então Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária nunca informou corretamente o número de presos que fugiram, tendo na ocasião iniciado com 11 e indo até 67, mas a verdade é que foi muito mais. Muitos detentos foram mandados embora com orientação para levarem até as suas malas e a conferência nunca foi cobrada à época pela Vara das Execuções Criminais e nem pelo Ministério Público. O Cláudio Barcelos, então pessoa da mais alta confiança de Sebastião Uchôa e com poder de fiscalização, era bastante respeitado e até temido e tinha articulações com monitores e o reduzido número de agentes penitenciários indicados pela direção da SEJAP para trabalhar nas unidades prisionais. A intenção do pessoal envolvido no tráfico de drogas, armas, celulares e facilidades para fugas e assassinatos é colocar os crimes como responsabilidade de Cláudio Barcelos, mas pelo que se comenta, o fardo é muito pesado, e ele apesar de ser gordinho, não tem preparo físico para tanto, daí que distribuir o peso com os demais comparsas deve ser a sua alternativa. Agora é aguardar se ele vai se entregar ou se está fazendo jogo para evitar diligências que visam prendê-lo e assim fugir para lugares mais distantes.
