Estado precisa disputar mercado com o crime organizado, diz ministro do STJ

O combate ao crime organizado não pode ser feito apenas pelo confronto e pela ocupação de território. É preciso criar infraestrutura e condições econômicas para que as pessoas vejam as atividades ilícitas como menos vantajosas. O diagnóstico é do ministro Antonio Saldanha Palheiro, do Superior Tribunal de Justiça. Ele falou sobre o tema em palestra do programa STJ na Academia, promovida na Universidade Federal do Rio de Janeiro na segunda-feira (17/11).

O magistrado deu um exemplo prático: ele disse que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, relatou que instalou mais de 20 escolas no complexo de favelas da Maré, mas isso não teve impacto no ingresso de jovens na criminalidade.

A culpa disso é do que o ministro definiu como competição de mercado. Um garoto que trabalha para o tráfico tem uma situação diferenciada na favela: tem dinheiro, representa poder e impõe respeito pelo medo. Se ele largar isso, vai fazer o que dá vida?

“Essa competição o Estado vai ter que fazer frente. E é uma competição econômica. Vamos precisar estabelecer mecanismos atraentes para que o jovem tenha vontade de deixar o crime e ter uma vida civilizada com pelo menos alguma equivalência.”

Crime organizado menos atrativo

O magistrado explicou que essa equivalência não é de estilo de vida, mas de poder trabalhar por um salário razoavelmente digno. Isso passa também pela qualificação técnica e profissional dessa população marginalizada.

“Além de dar infraestrutura de escola, hospital, água e esgoto e transporte dignos, temos que ter uma competição no nível de remuneração dessas pessoas no mercado formal”, afirmou Saldanha Palheiro.

O magistrado encerrou a fala com um apelo ao empresariado brasileiro. “Eles precisam se dar conta disso, precisam estabelecer mecanismos de empregabilidade que atraiam esses jovens para o mercado formal, de modo que tenham pelo menos uma perspectiva de vida. E isso eu não vejo com muita facilidade.”

Fonte: CONJUR

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