Diante da voracidade com que os militares do Batalhão de Choque da Policia Militar destruíram todos os equipamentos de uma casa de jogos no bairro da Cohab, particularmente não entendia a razão de uma ação perversa e testemunhada por vários contraventores, os quais teriam sido mantidos no local para testemunhar o fato. Um dos militares ao jogar uma bomba, em um a recinto fechado em que estava uma empregada da casa de jogos, em que ela explodiu bem próxima da senhora, o vandalismo e violência ultrapassaram todos os limites. O que é lamentável e bastante perigoso é que a ação não é inerente a militares, e de repente possa se tornar uma prática constante.
Ao assistir ontem e hoje pela TV Mirante, as imagens de outro vandalismo do Batalhão do Choque no bairro do João Paulo, identifiquei que foram deixadas placas no local com identificação do Choque. O que então era suspeita para a minha pessoa, se transformou diante da identificação, de que trata uma ação determinada. Quando veio a público as imagens do vandalismo da Cohab, o Comando Geral da Policia Militar se apressou que os 04 militares seriam submetidos a investigação interna com instauração de processo administrativo, mas continuariam nas ruas.
A partir da repercussão nacional do fato e das imagens fortes mostradas, inclusive da bomba arremessada de maneira ostensiva contra a empregada da casa de jogos da Cohab, levou o Secretário de Segurança Pública, Jeferson Portela a determinar o afastamento imediato de todos os militares envolvidos na ação e adoção imediata de medidas disciplinares, o que pelo menos amenizou a repercussão negativa do fato.
Com a observação das placas com o nome Choque deixadas no vandalismo do bairro do João Paulo, não tive dúvidas de que o problema sério grave e de desvio de conduta não está apenas nos militares que praticaram o fato, mas no Comando do Batalhão do Choque, que tem pleno conhecimento das ações e pode perfeitamente ser incentivador do vandalismo. Quando o Batalhão de Choque foi comandado pelo coronel Raimundo Sá, se transformou como uma das referências da instituição. Tenho recordações importantes de uma das suas inúmeras ações. Quando a Força Nacional não teve competência para acabar com as rebeliões no Complexo Penitenciário de Pedrinhas e a Policia Militar foi chamada. Os coronéis Zanoni Porto (Comandante Geral), coronel Ivaldo Barbosa (Comandante do CPE) e o coronel Raimundo Sá (Comandante do Batalhão do Choque), definiram uma ação estratégica e integrada e ocuparam as unidades problemas do Sistema Penitenciário, sem problemas de ordem física para o lado dos presos e nem dos militares.
Infelizmente, o que estamos vendo é a destruição do Batalhão de Choque da Policia Militar, que diante dos fatos perdeu a credibilidade perante a sociedade se tornou uma séria preocupação para a população, além dos riscos de influência em outros batalhões. Entendo que o Secretário Jeferson Portela, da Segurança Pública e o governador Flavio Dino, precisam repensar e reorganizar a Policia Militar que é uma das grandes instituições públicas do Maranhão e referência de segurança, antes que cheguemos ao estágio do Rio de Janeiro.
