A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (10) o Projeto de Lei que revoga dispositivos já desatualizados da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e introduz a possibilidade de solicitar o cancelamento da contribuição sindical por vias digitais, como e-mail, plataformas oficiais ou apps autorizados. A medida, que recebeu o respaldo de 318 deputados contra 116, visa facilitar a vida do trabalhador, evitando filas e deslocamentos desnecessários para renunciar à contribuição.
Segundo o texto aprovado, os sindicatos terão até dez dias úteis para confirmar o pedido digital; caso contrário, o cancelamento será automaticamente deferido. Parlamentares como Rodrigo Valadares (União-SE) e Mauricio Marcon (Pode-RS) defenderam que essa modernização representa “dignidade para o trabalhador” e o fim de humilhações em atendimentos presenciais.
Por outro lado, críticos, como o relator Ossesio Silva (Republicanos-PE) e o deputado Hélder Salomão (PT-ES), alertam para os riscos de enfraquecimento dos sindicatos, argumentando que a medida poderia desconsiderar a autonomia das entidades e reduzir sua capacidade de representação. Salomão afirmou que tal mudança poderia “voltar ao tempo do trabalho escravo”, quando trabalhadores mal conseguiam se organizar em prol de seus direitos.
Além do cancelamento digital, o projeto revoga regras obsoletas da CLT relacionadas à criação de sindicatos em distritos, definição de base territorial por atuação do Ministério do Trabalho, exigência de autorização para criação de sindicatos nacionais e tempo mínimo de mandato de diretores. Ele também formaliza a transferência das funções até então das juntas de conciliação para as varas do trabalho. A proposta segue agora para votação no Senado Federal. Se aprovada sem alterações, seguirá para sanção presidencial. Em caso de mudança, retorna à Câmara para nova deliberação. A expectativa é que as mudanças entrem em vigor ainda no segundo semestre de 2025, após regulamentação que definirá os critérios de segurança exigidos para os sistemas digitais.
Essa atualização legislativa insere-se em um pacote mais amplo de reformas trabalhistas, que busca desburocratizar e modernizar a CLT, mas também acende um debate sobre o equilíbrio entre inovação e proteção à organização sindical no Brasil atual.
Diário do Poder