Respeito e valorizo as ações das autoridades sanitárias e as demais dos poderes constituídos voltadas para as mais diversas restrições que possam evitar contaminações e aumento dos casos de covid-19. A proibição do carnaval e depois restrição da realização de eventos e posteriormente um recuo, deixa bem claro que o empresariado quer a todo custo sair do sufoco e ter o direito de subsistir. Mesmo assim, a fiscalização tem sido bastante implacável, principalmente pelo Ministério Público, o que pode ser natural, mas o que me deixa intrigado é que para alguns setores os rigores da lei com cobranças bem acentuadas e até autoritárias em nome do combate a pandemia da covid-19, mas para outros de riscos muito mais acentuados, parece existir um silêncio obsequioso.
Muito estranho é que o rigor da fiscalização relacionado aos bares e eventos não é estendido aos transportes coletivos. Enquanto os eventos dispersos são realizados nos finais de semana, todos os dias circulam centenas de coletivos com mais de mil viagens superlotadas, em que a maioria dos passageiros não usa máscaras e que não há qualquer tipo de proteção e a fiscalização simplesmente inexiste em favor de pessoas pobres da periferia a mercê da contaminação todos os dias.
Até mesmo algumas ações preventivas e a fiscalização nos terminais e dentro dos coletivos desapareceram, além de que os motoristas de coletivos por temerem represálias não se preocupam se os passageiros usam ou não máscaras ao adentrar aos coletivos, durante o período das viagens e na saída. O que me causa surpresa é tanto rigor para um setor e a indiferença para outro, que no caso de uma avaliação é muito mais de risco e que possibilita a que milhares de trabalhadores e trabalhadoras levem todos os dias para as suas casas a covid-19, infectando pais, mães e avós e muita gente nas comunidades.
Uma pergunta se faz necessária. Será que as aglomerações em bares e eventos são diferentes e mais perigosas em relação às superlotações diárias nos terminais e dentro dos coletivos? Sinceramente, gostaria saber para distinguir e me situar quanto às prioridades das ações das autoridades sanitárias e policiais e do Ministério Público.