A banalização de fugas e mortes no Sistema Penitenciário do Maranhão

Mais uma morte, na verdade mais um assassinato no Sistema Penitenciário do Maranhão, também distinguido pelas inúmeras fugas, o que caracteriza, infelizmente a banalização nas unidades prisionais do Estado. As fugas mais recentes ocorreram em Bacabal e a morte, com um assassinato dentro de uma cela na triagem do Complexo Penitenciário de Pedrinhas em São Luís.

O Sistema Penitenciário do Maranhão é talvez pelo tamanho e número de unidades, o que tenha o menor número de policiais penais do país, que hoje pode estar em um pouco mais de 300, observando-se os constantes pedidos de aposentadorias. A verdade é que o maior efetivo é formado por agentes penitenciários e auxiliares, pessoas recrutadas com avaliação curricular e um treinamento de uma semana, colocando-as dentro das unidades. O número deles e mais alguns contratados para serviços administrativos, superam quatro mil, o que significa que o Sistema Penitenciário do Maranhão está totalmente fora das recomendações do Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça.

Estão em Timon e Imperatriz, os mais graves problemas de todo o sistema, entre os quais, as facilitações de fugas, exploração de mão de obra escrava de presos para a produção de bloquetes de cimento, assédio moral e verdadeira perseguição ao pessoal que não aceitar as ordens do preposto da Seap, que apesar de já ter sido denunciado por várias vezes, nunca houve qualquer apuração dos fatos, mesmos nas inúmeras fugas e dos vários assassinatos.  As prioridades nas unidades prisionais do Estado é a produção de bloquetes, que se tornou um grande negócio para a administração do sistema.

A grande hipocrisia que é semeada para quem desconhece o submundo de tudo que ocorre dentro dos presídios é que o Maranhão é diferente das demais unidades da federação, como se aqui não existisse os chamados acordos entre as facções e a direção dos estabelecimentos penais. Os negócios feitos dentro das cadeias, fazem parte da receita das facções e no nosso Estado não é diferente.

A maioria das fugas são facilitadas através de negociatas e outras são por determinação das organizações. Os casos de assassinatos são causados por questão diversas que contrariam as lideranças e tudo é feito para dar a impressão de enforcamento e em alguns casos os corpos depois são mutilados.

Recentemente, a direção nacional da Pastoral Carcerária ao comentar casos de torturas em presídios, ela registrou ter feito denuncias de casos no Maranhão, que continuam ocorrendo com bastante crueldade, mas sem dar indicativos diretos. O preso ou a família dele que denunciar, as represálias não são diferentes dos casos que são mostrados pela mídia nacional, em que elas desaparecem ou morrem das mais diversas formas de crueldade.

O que resta agora, diante da vergonhosa omissão das instituições e o silêncio dos que se dizem defensores dos direitos humanos, esperar as próximas fugas e os assassinatos.

Fonte: AFD

 

 

 

 

 

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