A Segunda Escravidão no Brasil oriunda dos Médicos Cubanos

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Em plena democracia,

– Meu Deus do céu! Que agonia!

Viver numa escravidão!

Exclamou a médica cubana.

– Sei que vou ser deportada.

Não me incomodarei com nada.

Mas não vivo essa aflição.

II

De Cuba já emigrei.

Para lá não voltarei.

Sei que vou ser castigada.

Vou viver de porta em porta

Dessas nossas embaixadas,

Pedindo asilo político,

Mesmo por necessidade.

Alguém há de ter Caridade

E me livrar dessa aflição.

III

Escravizados em Cuba

E agora no Brasil.

Prefiro tentar a sorte

Me livrando assim da morte

De costas pro paredão.

IV

Fuzilamento eu não quero.

Rogo a Deus que o que mais quero

É viver em Harmonia, com esta Democracia

Que estou a respirar.

V

Não clamarei a Fidel

E peço aos Anjos do Céu

Que me deem a proteção

Para mim e meus irmãos,

Vindos de Cuba para cá.

VI

Cumprindo a minha sina

Me formei em Medicina

E comecei a clinicar.

Sendo então convidada

Do Governo brasileiro

Povo bom e hospitaleiro

Não vacilei em aceitar.

VIII

No Rio de Janeiro,

Um porto Seguro encontrei

Ao lado do Redentor.

Repleta de tanto amor,

Comecei a clinicar.

VIII

Tudo no Rio me encantava,

Até o ar que eu respirava.

Saboreava liberdade

Que Cidade encantadora

De um povo bom e ordeiro.

Copacabana é um desvelo

Aqui eu hei de morar.

IX

Tudo aqui é tão belo

E é plena a luz do dia.

Viva a Democracia

Existente neste Torrão

O povo todo agitado

Num corre-corre danado.

X

Mesmo com a correria

Mesmo com a carestia

O pouco que se ganha aqui

Posso até me divertir

Dá e sobra pra comer.

XI

E assim vivo feliz

Na Cidade Maravilhosa

Me dando lágrimas nos olhos

Todo final de mês

Ao receber meu salário

E mandar para o Fidel mais da metade

Vim e a escravidão continuou por verdade.

XII

Até quando essa injustiça

Viver na melhor Cidade

E meu espirito fraterno

Clamando por liberdade.

XIII

Será que esse Governo Petista

Não se envergonha disso não?

Denegrir no mundo inteiro

A imagem da Nação?

Reeditando a Escravidão.

XIV

Ficamos com as sequelas

Da Escravidão Africana

Mas o País não toma jeito

Em pleno século Vinte

Importar a Escravidão Cubana.

XV

Quando é que aprenderemos

Não explorar nosso irmão

São cenas abomináveis

Que reboam na Nação

Até o Papa Francisco

Já pediu por Compaixão

Que risquemos de nosso mapa

Qualquer que seja a forma

Da maldita Escravidão

XVI

Ah! Meu Rio centenário,

Como tu és sedutor,

Sempre de braços abertos,

O meu Cristo Redentor

Do alto do Corcovado

Nos acena com amor.

XVII

Na Lapa o Amarelinho

Berço da boemia

Servindo um Chopp gelado

Dia e noite, noite e dia

Chopp escuro ou claro

São as portas da serventia

Sempre escancaradas

Dia e noite, noite e dia

              XVIII

Meu Pão de Açúcar altaneiro

Na Urca és serventia

Em cabos de aço suspensos

Fiz a minha travessia

Rogando a todos os Santos

A Deus e a Virgem Maria.

XIX

O Palácio do Catete

Tudo, tudo me encantou

Mesmo com triste história

Cenário de tantas glórias

Onde Getúlio se suicidou.

XX

Ah! Minhas escolas de Samba

Samba meu amor primeiro

Mangueira, Portela, Salgueiro

Meu colibri Beija Flor

São todas a cara do Rio

Que guardo com tanto amor.

XXI

Minha Catedral Metropolitana

Em ti, leio na cartilha

Do santo padre afamado

De nome Karol Wojtyla (João Paulo II)

Que ao ouvir seu executor

Perdoou, não disse nada

Só lágrimas dos olhos brotou.

XXII

Vi também os Arcos da Lapa

De chamas todas acesas

E viajei no bondinho

Do morro de Santa Tereza

Que transportou Sua Alteza

Na época colonial

Imaginem a beleza.

 

 

* José Olívio Cardoso Rosa é advogado, poeta, escritor e natural da cidade de Colinas – Maranhão.

 

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