PF pede mais tempo para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger sobre tráfico de influência no governo Lula

Inquéritos sobre suposto tráfico de influência tiveram o prazo inicial de 60 dias; empresária afirma que pretende fazer delação premiada. A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais tempo para concluir dois inquéritos sobre Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e Roberta Luchsinger. As apurações investigam um suposto esquema de tráfico de influência na intermediação de contratos com o poder público. O pedido foi enviado ao ministro André Mendonça, relator dos casos, após o fim do prazo inicial de 60 dias.

Diligências em andamento

No ofício, a PF informa que as medidas determinadas ainda não foram finalizadas. Segundo o documento, “foram determinadas diversas diligências em prol da investigação, as quais ainda pendem de conclusão, notadamente em razão do exíguo lapso temporal transcorrido desde sua determinação”. O texto acrescenta que “mostra-se, portanto, necessária a dilação do prazo para a conclusão das diligências em curso”.

A corporação também pediu à sua área técnica um detalhamento dos vínculos societários de Lulinha e de suas movimentações bancárias. Solicitou ainda o registro de agendas dele e de outros alvos em órgãos públicos e um levantamento de viagens feitas pelos investigados, no Brasil e no exterior. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo e confirmada pelo GLOBO. Mendonça relata os dois inquéritos. Uma terceira investigação que envolve a dupla está sob relatoria do ministro Flávio Dino. Lulinha e Roberta negam ter cometido irregularidades. Procuradas, as defesas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

Roberta fala em delação

Em entrevista à CNN, concedida num sábado de outubro, Roberta afirmou que Lulinha se reunia “semanalmente” com ministros do governo. Ela disse que pretende fazer delação premiada. O relato não veio acompanhado de documentos, e não há informação sobre acordo formalizado. Ex-apoiadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ex-amiga do filho dele, Roberta disse sentir-se isolada como alvo das apurações.

“Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim”, declarou.

Ela também afirmou que responderá pelos próprios atos, caso sejam considerados crime: “O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário”.

O Antagonista

 

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