Ex-deputada federal deve voltar de viagem em 15 dias e só então prestará depoimento sobre as invasões.
A ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B) deve prestar depoimento à PF (Polícia Federal) a respeito da Operação Spoofing, que resultou na prisão de quatro envolvidos na invasão de celulares de autoridades de Brasília.
A candidata à vice na chapa de Fernando Haddad (PT) nas eleições de 2018 foi apontada como a intermediária entre o hacker e o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, que divulgou as conversas via Telegram entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores do MPF (Ministério Público Federal) no âmbito da Operação Lava Jato.
A defesa da ex-parlamentar informou que o depoimento ocorrerá assim que Manuela voltar ao Brasil de uma viagem ao exterior. “Assim que ela chegar no Brasil, ela prestará depoimento na data em que a autoridade determinar”, disse o advogado Alberto Toron. Manuela saiu do país no dia 23 de junho para fazer um curso na Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, e deverá voltar em duas semanas.
Em depoimento à PF, Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho” e apontado como o responsável de fato pelas invasões aos aparelhos celulares, afirmou que entrou em contato com Manuela dizendo ter conversas entre o atual ministro da Justiça e membros da força-tarefa de Curitiba.
A defesa de Manuela afirma que a ex-deputada não tomou parte na ação do suposto hacker. “Ela não teve envolvimento nenhum com apoio financeiro (a Delgatti Neto) ou coisa parecida. Manuela não tem preocupação alguma, apenas preocupação em dizer a verdade”, afirmou Toron. “Ela simplesmente indicou o jornalista Glenn e se retirou do cenário”.
“CANA NO BRASIL”
No sábado (27), o presidente Jair Bolsonaro afirmou. em evento no Rio, que Glenn Greenwald “talvez pegue uma cana aqui no Brasil”. Greenwald é editor do site The Intercept Brasil, que tem publicado desde 9 de junho reportagens com base em diálogos vazados do ministro Sergio Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava Jato.
Bolsonaro disse ainda que Greenwald e o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) são “malandros” por terem se casado e adotado dois filhos no país. Ele fazia referência a uma portaria publicada por Moro, nesta sexta-feira (26), que estabelece um rito sumário de deportação de estrangeiros considerados “perigosos” ou que tenham praticado ato “contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.
“Ele (Glenn) não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, afirmou o presidente.
A portaria do Ministério da Justiça foi publicada em meio às divulgações do Intercept Brasil, que revelou, em trocas de mensagens privadas entre o ex-juiz e procuradores da força-tarefa, ingerência do atual ministro sobre as investigações da operação.
“Quando o Moro falou comigo, que teria carta branca, eu teria feito um decreto. Tem que mandar para fora quem não presta. Não tem nada a ver com o caso dele (Glenn)”, continuou o presidente.
Greenwald é cidadão dos Estados Unidos e mora no Rio de Janeiro. Ele é casado com um brasileiro, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), com quem tem dois filhos adotivos, também nascidos no país.
Fonte: Yahoo Noticias