STJ anula provas após invasão domiciliar sem mandado nem investigação prévia

A mera apreensão de drogas em posse de indivíduo não justifica a entrada em seu domicílio, sendo necessária a devida expedição de mandado judicial ou prévia investigação policial. Com base nesse entendimento, o ministro Antonio Saldanha Palheiro, do Superior Tribunal de Justiça, determinou, de forma monocrática, a anulação das provas obtidas de forma ilícita por policiais, com a consequente absolvição de dois homens e uma mulher, condenados por tráfico de drogas no Mato Grosso do Sul.

Conforme relato da polícia militar, durante ronda ostensiva, os dois homens foram vistos em um carro “parado com vários usuários de drogas próximo a ele”. Ao ver a chegada da viatura, os suspeitos fugiram. A PM perseguiu a dupla e, na abordagem, foram encontradas 13g de cocaína nas roupas íntimas do passageiro. Já o condutor tinha no interior de sua jaqueta a quantia de R$ 50 em espécie.

Ainda de acordo com o relatório policial, os dois homens confessaram que estavam vendendo drogas, e que na residência do homem em que foi encontrada a cocaína, havia mais entorpecentes. Sem qualquer mandado judicial, a polícia foi até a casa do homem, e ingressou apesar da resistência da esposa dele. No local, encontrou mais seis porções de cocaína, pesando 37g. Os dois homens, assim como a mulher, foram detidos pelo crime de tráfico de drogas.

Após a condenação na primeira instância e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a defesa recorreu ao STJ. No recurso, foi alegado que o processo se baseou em provas ilícitas, obtidas por meio de confissão informal, e de violação da inviolabilidade domiciliar. A defesa pediu a anulação das provas, bem como das confissões.

O relator do caso, Antonio Palheiro, acolheu as alegações da defesa. Em sua decisão, o ministro destacou que a inspeção realizada no veículo foi abusiva por parte da polícia, que se baseou em apenas juízo de valor.

“Não me parece justificada a revista veicular lastreada no mero tirocínio policial que, com a mera visualização de pessoas ao redor de veículo, concluiu serem usuários de drogas. Some-se a isso nenhum desses alegadamente usuários terem sido ouvidos em juízo e nem sequer em solo policial”, escreveu o ministro.

“A diligência apoiou-se em mera apreensão de drogas anterior com um dos agentes, circunstância que não justifica, por si só, a dispensa de investigações prévias ou do mandado judicial. Assim sendo, o contexto fático narrado não corrobora a conclusão inarredável de que na residência praticava-se o crime de tráfico de drogas”, pontuou Saldanha Palheiro.

A defesa dos réus, patrocinada pelo advogado Tiago Bunning, da Bunning Advocacia Criminal, ressalta a necessidade de se questionar processos instaurados em provas produzidas pelo “tirocínio policial” (percepção da autoridade policial).

“A ilegalidade de buscas fundadas apenas em mero ‘tirocínio policial’ se tornou matéria pacífica no STJ. Neste caso, a decisão avança ainda mais sobre o tema, na medida em que também reconhece que a apreensão de drogas anterior com um dos agentes, não justifica, por si só, a dispensa de investigações prévias ou do mandado judicial para ingresso em domicílio que se situa em local diverso da apreensão”, destacou Bunning.

Fonte: CONJUR

 

Partidos fora da ‘cláusula’ levam R$98 milhões

O partido Rede, de Marina Silva, que atualmente tem dois deputados e um senador, somado aos nove partidos que não conseguiram eleger um representante federal sequer, vão levar mais de R$97,6 milhões do fundão eleitoral, para financiar suas campanhas. A maior parte da bolada do Rede vem dos cinco senadores que conseguiu eleger em 2018, que “valeram” R$47,1 milhões no rateio do fundão eleitoral para 2022.

Menores

Partidos que não atingiram a cláusula de barreiras recebem “apenas” o fundão eleitoral, e perdem acesso ao R$1 bilhão do fundo partidário.

Dinheiro público

Cada partido registrado na Justiça Eleitoral, independente do tamanho, têm direito a 2% do fundo eleitoral. Este ano são R$3,1 milhões cada.

Sem deputados

Agir (ex-PTC), DC (ex-PSDC), PCB, PCO, PMB, PMN, PRTB, PSTU e o UP vão levar, no total, R$27,91 milhões para suas campanhas, este ano.

Coluna do Claudio Humberto

Petrobras transforma redução do ICMS em lucro

A indignação do presidente da Câmara, Arthur Lira, ao pedir a renúncia imediata do presidente já demitido da Petrobras, é compreensível diante da malandragem da empresa de usar feriadão para anunciar aumento de 5% na gasolina e 14% no diesel. O objetivo é levar para o bolso dos acionistas privados, que na prática a comandam, os bilhões da queda do ICMS após esforço conjunto hercúleo do governo e do Congresso.

Reincidente

Essa é a segunda vez que a Petrobras aproveita tentativas do governo de reduzir o preço para transformar a redução de impostos em lucro.

Caso pensado

A manobra é preparada há semanas, com os anúncios de “defasagem” para cotação internacional, que agora justificam o aumento oportunista.

Assalto

Além da margem de lucro até 10x superior a outras grandes petroleiras, a malandragem da Petrobras ficou pior com queda de 5,4% no petróleo.

Gota d’água

O novo aumento entornou o caldo. Governo e Congresso já falam em instalação de uma CPI para investigar a “política de lucros” da estatal.

Coluna do Carlos Humberto

 

Estadão afirma: “Ministros do STF formam célula política para combater o governo Bolsonaro”

A velha imprensa parece que acordou. Há poucos dias, um editorial do jornal O Globo fez alerta gravíssimo sobre o ativismo judicial do nosso Supremo Tribunal Federal (STF). Neste domingo (19), um texto assinado pelo respeitado jornalista José Roberto Guzzo, publicado no Estadão, afirma textualmente em sua manchete:

“Ministros do STF formam célula política para combater o governo Bolsonaro”. O jornalista afirma que o STF se transformou numa “milícia política” e diz ainda que “esse desvio já vem sendo construído há anos e às vésperas da eleição presidencial, está chegando a seus limites extremos”.

Eis a íntegra do texto:

O STF, decisão após decisão, deixou de ser um tribunal de justiça e se transformou numa milícia política. Esse desvio de função, como se diz na linguagem dos advogados trabalhistas, já vem sendo construído há anos. Neste momento, às vésperas da eleição presidencial de outubro, está chegando a seus limites extremos – tão extremos que não dá mais para saber, a esta altura, se existe algum limite. Não se trata de opinião. Trata-se simplesmente de constatar os fatos – e esses fatos provam que os ministros do STF abandonaram as atividades para as quais foram legalmente contratados e se tornaram militantes de um movimento político que combate o governo e trabalha pela vitória do candidato da oposição. O resto é um espetáculo sem precedentes de hipocrisia em estado bruto.

O STF conduz há três anos um inquérito ilegal para apurar “atos antidemocráticos” e “fake news”, na verdade um processo de perseguição a aliados do governo – e a lei diz, sem deixar nenhuma dúvida, que o tribunal não pode fazer uma investigação criminal. Prendeu durante nove meses um deputado federal sem que ele tivesse cometido crime inafiançável ou sido preso em flagrante. Condenou o mesmo deputado a quase nove anos de prisão por ofensas cometidas através de opinião – e a lei diz que os parlamentares são imunes quando manifestam “quaisquer opiniões”. Bloqueou a conta salarial do réu. Bloqueou as contas de sua mulher, que não é parte no processo. Proíbe que advogados tenham acesso aos autos.

O ministro que comanda o TSE, o braço eleitoral do STF, ameaça cassar registros de candidatura e prender gente; diz que não vai admitir que se repita “o que aconteceu em 2018″. O que aconteceu em 2018 foi a vitória eleitoral do atual presidente. É isso o que o ministro quer proibir? Ele diz estar atrás de “disparos em massa” e outras malversações no uso eleitoral da internet – coisas que na sua opinião o vencedor fez, como foi publicado “na imprensa”, mas que não se provou (a presidente do PT anuncia que vai fazer precisamente isso na presente campanha, com as “brigadas digitais” da CUT. Por acaso o ministro vai cassar a candidatura Lula? Claro que não vai).

É pura política, feita por amadores – e tem chegado a atos de desespero, como a ordem para o governo resolver o desaparecimento de duas pessoas na selva amazônica, ou para o presidente explicar sua presença num desfile de motocicletas na Florida. Nada desmoraliza tanto uma Corte Suprema quanto a sua degeneração em célula política, e a prova está aí: só 24% dos brasileiros respeita o STF. Esse número, obviamente, é um desastre.

Fonte: O ESTADÃO

 

Mais de 100 presos com armas brancas improvisadas fizeram motim na Penitenciária de Bacabal

De há muito venho denunciando fragilidades e desmandos em várias unidades prisionais do Maranhão. Há pouco tempo em Imperatriz, presos amarraram os plantonistas e fugiram por uma porta lateral da penitenciária. O alarme foi dado por moradores das imediações que avisaram um policial numa guarita com fuzil que não viu nada. Posteriormente houve fugas em Timon, inclusive em uma delas dois presos pegaram um caminhão de entrega de mantimentos e com ele romperam o portão da unidade e escaparam, abandonando o veículo a duas quadras da penitenciária, isso sem falarmos nos assassinatos.

               Motim com armas brancas em represálias as explorações que estão sendo vitimas

O que aconteceu neste domingo em Bacabal no presidio localizado na comunidade Piratininga foi apenas o início de outras revoltas que estão por vir. Existem denúncias, inclusive feita até para o Ministério Público do Trabalho, quanto a exploração de mão de obra de presos para a construção de bloquetes para calçamento de ruas, que tem feito a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado, como uma das grandes fornecedoras no Maranhão. O Sistema Penitenciário do Maranhão tem outros negócios na produção de móveis, carteiras, artesanatos, que geram muitos recursos, mas nada é transformado em benefício dos presos.

Com mão de obra praticamente de graça, a SEAP vem transformando a maioria dos presídios no interior do Estado em fornecedora de bloquetes para obras estaduais, municipais e particulares a preços de mercado, gerando grandes volumes de recursos, em que quase nada é destinado aos presos operários e o grande volume de dinheiro da arrecadação, segundo dizem é administrado por uma república importada de Minas Gerais pelo secretário Murilo Andrade, que inclusive, é quem manda e desmanda nos presídios do Maranhão.

Para que tenha uma dimensão do motim no presidio de Bacabal e das facilidades para os terem acesso a armas brancas e improvisar a fabricação de outras, o problema poderia ter sérias consequências. A Polícia Penal com agentes penitenciários e auxiliares que usam armas indevidamente dentro das unidades prisionais, não teriam condições de enfrentamento aos amotinados, diante do que ficou constatado a falta revistas em todas as celas do presídio, o que levou os presos acumulares armas brancas.

                      Comandante Geral da PM com força terrestre e aérea controlou o motim

                      Embora não estivesse na área, coronel Emerson Bezerra, Comandante Geral da PM, conseguiu reunir imediatamente forças das unidades militares de Barra do Corda, Caxias e São Luís, além do Batalhão de Operações Especiais e o Centro Tático Aéreo, que foram de fundamental importância para controlar a revolta e evitar uma fuga em massa.

O motim do presidio de Piratininga em Bacabal foi apenas uma demonstração das fragilidades dos presídios em todo o Maranhão, em que a maioria funciona através de acordos com o crime organizado, o que não é diferente da maioria dos presídios no país e o Maranhão não é exceção. A diferença é que em Bacabal, os presos pedem a retirada do diretor, em que pesam acusações de espancamentos, torturas e trabalho próximo da exaustão.

Inúmeras denúncias já foram feitas ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça e ao Conselho Nacional de Justiça, mas a indiferença tem sido a resposta, com a exceção da Defensoria Pública. Não será surpresa se novos movimentos surgirem em outras unidades prisionais, uma vez que as lideranças criminosas estão sempre em sintonia, inclusive no mesmo presidio de Bacabal.

Fonte: AFD

 

 

Governador Carlos Brandão anuncia a prorrogação da sua licença em mais 10 dias

Através de entrevista concedida nesta manhã a TV Mirante, o governador Carlos Brandão, que se encontra hospitalizado em uma casa de saúde em São Paulo, anunciou a prorrogação da sua licença para tratamento médico, por mais 10 dias. Ele justificou que os médicos ainda não retiraram um dreno pós-operatório, e ainda não há data prevista, mas possivelmente poder ser até o final desta semana.

Salientou, que em seguida será submetido a uma avaliação geral sobre o seu estado físico e pode receber alta para retomar a administração do Governo do Maranhão. Registrou que vem acompanhando o funcionamento da máquina estadual e diariamente mantém contatos com o desembargador Paulo Velten, atualmente no exercício do Executivo Estadual.

Carlos Brandão deixou registrado que quer retornar bem de saúde para cumprir importantes agendas da sua administração com inaugurações de obras e outras ações que caminham de acordo com os cronogramas estabelecidos.

Fonte: AFD

 

É preciso debater controle externo de Judiciário e MP, diz o deputado Paulo Teixeira

O controle externo do Judiciário e do Ministério Público, estabelecido pela Emenda Constitucional 45/2004, não está sendo suficiente para conter abusos de integrantes desses órgãos. Por isso, o advogado e deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pretende, se reeleito, apresentar projetos para intensificar a fiscalização de tais instituições.

Secretário-geral nacional do PT, Teixeira é autor da Proposta de Emenda à Constituição 5/2021. A PEC promove mudanças no Conselho Nacional do Ministério Público, com o objetivo de tornar mais efetivo o controle externo do MP. A proposta foi negada pela Câmara dos Deputados. Mas o deputado afirma que pretende reapresentá-la em um novo mandato, bem como um projeto semelhante relativo ao Conselho Nacional de Justiça.

“É preciso colocar em debate no Brasil o controle externo do Ministério Público e do Judiciário, porque o controle externo que foi estabelecido pela Emenda 45/2004 não está dando conta. Criou-se uma ideia de que ninguém pune promotor. Isso gera um clima que faz com que um ou outro passem a abusar de suas prerrogativas. O Ministério Público tem que entender como interpretar os objetivos da Constituição. Se fosse assim, [o ex-procurador da República] Deltan Dallagnol não teria ajudado a acabar com tantas empresas. Por isso que a PEC 5/2021 tem que ser rediscutida no Congresso Nacional”, aponta o parlamentar.

Em seus quinze anos como congressista, Teixeira firmou reputação sólida e coerente. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo, ele participa de todos as grandes discussões. Um dos parlamentares mais respeitados, é influente e interlocutor respeitado por todos os setores. Principalmente junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça. Jamais teve o nome implicado em qualquer escândalo.

Para o petista, antes de as leis serem aprovadas, é preciso estudar os impactos econômicos e sociais que elas acarretariam. Por exemplo, antes de se aprovar uma norma que endureça penas, é necessário demonstrar o efeito que isso teria no sistema carcerário, que já é superlotado.

A reforma do sistema carcerário e da Justiça criminal seria um dos principais objetivos de Teixeira em um eventual próximo mandato. Ele defende uma melhor seleção de quem deve e quem não deve ser preso. E diz ser necessário melhorar o ensino nos presídios.

Outro foco de Teixeira para a nova legislatura seria uma reforma das forças policiais, de forma a estabelecer parâmetros para evitar abusos.

Além disso, o deputado busca promover uma reforma na política de drogas, que, atualmente, prende pessoas pobres e negras que estão na ponta da cadeia, e não quem produz e distribui os entorpecentes.

Fonte: CONJUR

 

SUS realizou 31,6 mil procedimentos contraceptivos em 2021 com o DIU em mulheres em idade fértil

Além do dispositivo intrauterino (DIU), a Atenção Primária do SUS oferece, de maneira gratuita, mais oito métodos contraceptivos. Investimentos da pasta, em 2021, na compra desses métodos, foi de R$ 95 milhões

O Ministério da Saúde investiu mais de R$ 95 milhões na compra de métodos contraceptivos, no último ano. Estão disponíveis nove métodos diferentes, entre eles o Dispositivo Intrauterino (DIU), o qual é considerado seguro e possui longa duração. No ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 31,6 mil procedimentos para colocação do DIU em mulheres em idade fértil. Além do DIU, o serviço de planejamento familiar também oferece o uso de anticoncepcionais, orais e injetáveis; preservativos femininos e masculinos, dentre outros métodos (veja a lista abaixo).

Métodos contraceptivos disponíveis no SUS

  • Anticoncepcional injetável mensal;
  • Anticoncepcional injetável trimestral;
  • Minipílula;
  • Pílula combinada;
  • Diafragma;
  • Pílula anticoncepcional de emergência (ou pílula do dia seguinte);
  • Dispositivo Intrauterino (DIU);
  • Preservativo feminino;
  • Preservativo masculino;
  • Laqueadura e vasectomia.

As ações do programa têm por objetivo garantir às famílias o direito de ter quantos filhos quiser, no momento que lhes for mais conveniente, com toda a assistência necessária.

O investimento em planejamento familiar faz parte das estratégias para a assistência integral à saúde da mulher dentro do SUS.  Segundo a diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), Lana de Lourdes Aguiar Lima, os recursos são destinados a estados e municípios anualmente. “Nós recebemos essas informações do território, qual o método anticoncepcional que eles querem, a quantidade que eles querem, e a partir daí destinamos esse recurso para a compra”, explica.

DIU: O que é?

O Dispositivo Intrauterino (DIU) é um método contraceptivo não-hormonal ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Altamente eficaz e de longa duração, é uma excelente opção para mulheres que não estejam programando uma gestação nos próximos anos. Com durabilidade de até 10 anos, pode servir também como um contraceptivo de emergência, quando inserido dentro de cinco dias após o ato sexual sem proteção.

DIU: números de procedimentos de inserção feitos pelo SUS 

Ano 2019 (Jan a Dez) – 19.983
Ano 2020 (Jan a Dez) – 14.187
*Ano 2021 (Jan a Dez) – 31.687
*Dados preliminares

Planejamento familiar 

O planejamento familiar faz parte da assistência integral à saúde e deve ser oferecido para todos os brasileiros. A garantia é assegurada pela Lei Federal 9.263/96. É obrigação do Sistema Único de Saúde (SUS) ofertar métodos de contracepção cientificamente comprovados. “Além dos métodos de contracepção, o planejamento familiar do SUS inclui o aconselhamento pré-concepcional como cuidado pré-natal. Essa medida visa conhecer as expectativas da mulher em relação à gravidez, além de identificar fatores de risco ou doenças que possam interferir na futura gestação”, destacou a coordenadora-geral de Ciclos da Vida substituta, Dressiane Zanardi Pereira.

Fonte: Brasil 61

 

Lula admite pedido a FHC e Calheiros para soltar sequestradores de Abílio Diniz

Empresário foi mantido em cativeiro por seis dias, em 1989; petista conversou com ex-presidente e ex-ministro da Justiça para soltar envolvidos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesse sábado (18) que procurou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no fim de 1989, para pedir a soltura de dez pessoas envolvidas no sequestro do empresário Abílio Diniz. Segundo o petista, ele também conversou com o então ministro da Justiça à época, Renan Calheiros, para que os sequestradores saíssem da prisão.

O caso aconteceu em 11 de dezembro de 1989. Diniz foi sequestrado no Jardim Europa, em São Paulo, e ficou seis dias mantido em um cativeiro no bairro do Jabaquara, na zona sul da capital paulista. Entre os sequestradores, cinco eram chilenos, dois eram canadenses, dois eram argentinos e um era brasileiro. O grupo chegou a ser condenado e as penas variavam de 26 a 28 anos de prisão.

Segundo Lula, ele alertou a FHC que os sequestradores tinham iniciado uma greve de fome e pediu que o ex-presidente os libertasse para evitar que morressem por causa disso. “Eles iam entrar em greve seca, que é ficar sem comer e sem beber, e aí é morte certa. Aí, eu então fui procurar o ministro da Justiça, Renan Calheiros, que depois de uma longa conversa me disse para falar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, porque ele teria toda disposição de mandar soltar o pessoal”, detalhou Lula, em um evento em Maceió.

“Eu disse: ‘Fernando, você tem a chance de passar para história como um democrata ou como o presidente que permitiu que dez jovens que cometeram um erro morressem na cadeia, e isso não vai (se) apagar nunca'”, acrescentou o petista. Segundo ele, FHC teria dito que concordava com a libertação dos presos desde que eles parassem com a greve de fome.

“E eu fui na cadeia no dia 31 de dezembro conversar com os meninos e falar: ‘Olha, vocês vão ter de dar a palavra para mim, vocês vão ter de garantir pra mim, que vão acabar com a greve de fome agora, e vocês serão soltos. Eles respeitaram a proposta, pararam a greve de fome e foram soltos. E eu não sei onde eles estão agora”, completou Lula.

Fonte: R7

 

Narcotráfico matou Dom e Bruno. E agora? Como capitalizar politicamente a tragédia

O jornalista LucianoTrigo publicou um artigo primoroso nesta sexta-feira (17), no jornal Gazeta do Povo. Pedimos licença para oferecer a transcrição na íntegra para os leitores do Jornal da Cidade Online.

Eis o texto:

“Um dos sinais mais tristes da degradação moral e da sordidez espiritual do nosso tempo é a exploração política da morte pelas carpideiras ideológicas. Como urubus em cima da carniça, nos últimos 10 dias a lacrosfera se mobilizou em peso nas redes sociais e na grande mídia para tentar jogar no colo do governo a responsabilidade pelo desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips no Vale do Javari, na Amazônia.

Parecia revolta? Era apenas vigarice. A indignação, como sempre, foi seletiva: a tragédia só interessava como pretexto para exibir virtude, ficar bem na fita e sabotar o adversário de sempre.

Protestavam e derramavam lágrimas de crocodilo, mas no íntimo estavam comemorando. Porque, sempre que uma tragédia pode ser usada contra o governo e capitalizada politicamente, eles festejam, com mal disfarçado entusiasmo. Só querem palco, tribuna e palanque para ostentar superioridade moral e exercer seu ativismo.

Que tristeza.

Pois bem, para frustração dessa turma, ontem foi revelado que Dom e Bruno foram assassinados não por garimpeiros, nem por madeireiros, nem por desmatadores, nem pela polícia fascista e genocida (isso, então, seria motivo de orgasmos), mas a mando de um narcotraficante: o peruano Rubens Villar Coelho, também conhecido como “Colômbia”.

Aparentemente, a presença do jornalista e do indigenista estava prejudicando o transporte de cocaína na rota entre o Brasil e o Peru. Motivo suficiente para os dois serem amarrados em uma árvore, torturados, assassinados e eviscerados. É a lei do tráfico, e não é apenas em regiões remotas da Amazônia que essa lei impera.

E agora? O que farão e dirão os justiceiros sociais? Por honestidade moral e intelectual, deveriam demonstrar indignação contra o narcotráfico que domina a região sem qualquer preocupação com a vida humana, muito menos com o meio ambiente. Mas, como escrevi neste artigo, contra traficante, no Brasil, ninguém faz protesto.

Fosse sincera a indignação contra a tortura e o assassinato de Dom e Bruno, todos aqueles que fazem do gesto de apontar o dedo uma razão de viver demonstrariam agora revolta contra o narcotráfico, exigindo justiça e combate implacável aos criminosos. Ou não?

Quando a indignação é seletiva, não é de indignação que se trata, apenas de estratégia e método

O ator famoso, a funkeira empoderada, o imitador de foca, o fotógrafo premiado, o índio de passeata, o antropólogo esquerdopata, o jornalista checador de meme, os exilados em Paris, o youtuber de pronome neutro e todos aqueles que fizeram dos desparecidos, pretexto para a militância do ódio do bem: será que algum deles dirá uma palavra sequer contra o tráfico? Podem esperar sentados: nunca disseram, não será agora que dirão.

Estranhamente, nessas horas, os indignados se recolhem a um silêncio quase reverente. Talvez porque, politicamente, estejam do mesmo lado do mandante dos assassinatos. Ou são partidos e governos de direita que a indústria da droga financia na América Latina? Ou são de direita os chamados “narcogovernos” da Bolívia, da Colômbia, da Venezuela e do México? Que partidos e governos são apoiados pelas Farc? São de direita?

Para ilustrar a relatividade moral dessa gente, basta lembrar o caso das três crianças de Belford Roxo barbaramente torturadas e assassinadas por traficantes, em dezembro de 2021, tema deste artigo.

Pobres e negros, três meninos foram executados por causa de uma gaiola de passarinho. Onde estavam os virtuosos que nos últimos dias demonstraram tanta indignação com o desaparecimento de Dom e Bruno? Não derramaram uma lágrima, não disseram um “ai”.

Desconfie de quem só protesta contra mortes que podem ser capitalizadas politicamente. Quando a indignação é seletiva, não é de indignação que se trata, apenas de estratégia e método.

Tivessem sido as crianças de Belford Roxo assassinadas por policiais, aí sim elas seriam dignas da revolta da militância progressista. Mas os assassinos eram traficantes, então os virtuosos ficaram em silêncio, fazendo de conta que não era com eles. Negras ou brancas, vidas não importam quando quem as tira é o dono da boca que se frequenta, ainda que simbolicamente.

De maneira similar, tivessem sido outros os assassinos, Dom Phillips e Bruno Pereira renderiam protestos até a eleição. Faixas e cartazes com a pergunta “Quem matou Dom e Bruno?” seriam exaustivamente exibidos em horário nobre. Não faltaria gente insinuando que o crime foi encomendado pelo próprio presidente.

Mas, como agora se sabe que quem mandou matar Dom e Bruno foi um traficante, subitamente o mandante do crime deixou de ter importância. A mídia deixará de lado esse “detalhe” para tentar espremer os últimos dividendos do caso, depois vai abandonar o assunto. (Você viu manchetes destacando a identidade e a ocupação do mandante? Nem eu.)

Como foi um traficante que mandou torturar, eviscerar e matar Dom Phillips e Bruno Pereira, não haverá mais como capitalizar politicamente a tragédia. De novo, não foi dessa vez. As carpideiras ideológicas vão ter que torcer por outros cadáveres para explorar.”

Texto de Luciano Trigo, publicado originalmente no jornal Gazeta do Povo. O autor é escritor, jornalista, tradutor e editor de livros. Autor de ‘O viajante imóvel’, sobre Machado de Assis, ‘Engenho e memória’, sobre José Lins do Rego, e meia dúzia de outros livros, entre eles infantis.

Jornal da Cidade Online