A MINHA MÃE MARIA CARDOSO ROSA

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I

Uma criança viu a luz
Em plena Semana Santa
Cadenciou os seus passos
E no sábado de aleluia
Com toda a plenitude
Deu alegria aos seus pais.

II

Pela doçura da criança
E de sua parturiente
Nada de dificuldade
Na escolha de seu nome
Vindo ao mundo por toda Semana Santa
Só havia um nome que lhe conviria
O nome de Maria, Cardoso Rosa
Complemento por seu nome de família.

III

Deus dotou-a de ternura
Inteligência, compaixão
Paciência ilimitada
Força para ganhar o pão
E dividir irmãmente
Com toda dedicação

IV

Ao relembrar da escola
Sempre relembra com saudades
Das professoras queridas
Da menina aplicada
Sempre sabendo tudo
Do que lhe foi ensinado
Sacrifício que até hoje
Lhe rende bons resultados

V

Com esse aprendizado, pôde ajudar seu pai
Tabelião vitalício de grande dedicação
Confiando a jovem estudante
Tudo que foi certidão
Primeiro pela caligrafia
Que até hoje é perfeição

VI

De tanta ajuda que dava
Foi chegando a perfeição
Sabia das exigências pra casar um cidadão
O mesmo com nascimento, óbito
E demais escrituração

VII

Por falar em casamento
O criador lhe confidenciou
Baixinho ao seu ouvido
Nada de matrimonio
Deixe tudo por minha conta
E vá ao bem cultivar
Vai ter filhos a mais da conta
E eu vou sempre lhe ajudar

VIII

Filhos como irmãos
Filhos como doação
Filhos como madrinha
Filhos de gratidão
Filhos por afinidade
E se não parar essa conta
Vamos encher uma cidade

IX

Do não casar-se
Não foi necessário enclausurar-se
Por ser uma predestinada
A viver a disposição do pai celestial
Filha de Maria, de quem levou esse nome
Ou de qualquer outra denominação
Não importa a religião
Bastava pois, o voto, por haver
Se comprometido com o altíssimo
Não estando sujeita a receber ordem
Por nenhum homem aqui da terra

X

Nem por isso, em nenhum momento deixou de ser feliz
De não estar de braços com a solidão
De jamais saber o que é depressão
Isto porque, tinha a convicção a essa abnegação
De servir a Cristo e aos cristãos
Exercitando assim, o dom que Deus lhe deu
Por sê-la uma boa cristã

XI

Parabenizo portanto, a minha mãe neste momento
Por amar a vida, a arte e o soprar dos ventos
A vida e o mar e os passarinhos do ar
Que numa sinfonia inominada a homenageia diuturnamente
Chegando a essa marca indelegável de seus noventa anos
Repleta de amigos e admiradores
Prêmio concedido pelo criador
Por ter redimido qualquer sofrimento
E ter a grandeza de ser mãe de tantos filhos
Sem jamais ter sido uma parturiente
Ou seja, o filho concedido do seu próprio ventre

XII

Que belo gesto ao palmilhar dos anjos
Tudo de cadencia e nenhum ato insano
Porque Deus assim lhe concedeu
Todos são amados isonomicamente
Todos frutos da mesma árvore
Que um dia floresceu e frutificou
Por ser tratada com excesso de zelo
Está sempre próxima, juntinha ao criador.

José Olívio de Sá Cardoso Rosa

 

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