O maior banco privado do Brasil admitiu, ao assinar acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, que cobrou durante 14 anos por serviços não contratados e não solicitados nas faturas de cartões de crédito de centenas de milhares de clientes. A prática foi classificada pelo próprio promotor de Justiça responsável pela ação como de “extrema má-fé” — e a expressão é precisa, porque o que os documentos revelam não foi um erro sistêmico: foi uma estratégia deliberada, sofisticada e cruel.
O método era simples e eficaz. Cobranças de seguros e serviços — com nomes propositalmente genéricos e confusos, como “Seguro AP Premiado,” “Lig Bloqueio” ou “Proteção Perda e Roubo” — apareciam nas faturas sem que o cliente tivesse pedido coisa alguma. Os nomes dificultavam a identificação da origem do débito. Quem identificava a irregularidade enfrentava a burocracia do banco para cancelar — e há casos documentados em que o Itaú prometeu interromper a cobrança e continuou descontando nos meses seguintes. O cliente que não pagava o valor total da fatura era punido com juros e multas. Ou seja: ou pagava pelo serviço que não pediu, ou pagava pela recusa em pagar pelo serviço que não pediu. A armadilha era perfeita.
Jornal da Cidade Online