Descoberto gene responsável pelo câncer de próstata mais agressivo

O jornal espanhol El País publicou na segunda-feira (10/02) um artigo sobre os recentes avanços nas pesquisas para o tratamento de um dos tumores mais comuns.  “O câncer de próstata é o mais frequente em homens na Espanha (27.800 diagnósticos em 2012, segundo os dados da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica, Seom). Apesar da maioria receber um tratamento eficaz, é o terceiro câncer em mortalidade nos homens, com 5.481 falecimentos em 2012, ficando atrás só da neoplasia colorretal e de pulmão. Isso se deve ao fato de que há 15% especialmente agressivo (os chamados cânceres resistentes à castração), indica o oncologista de Mount Sinai de Nova York Josep Domingo-Domenech, que é pesquisador principal de uma equipe que encontrou um gene, o GATA2, especialmente ativo nestes tumores mais perigosos”, escreve o jornalista Emilio de Benito.

Ele explica que o GATA2 é um gene relacionado com a diferenciação e desenvolvimento dos organismos eucarióticos (que possuem células complexas como as dos humanos), que também se vinculou a alguns cânceres de sangue e pulmão. “Nesse caso os pesquisadores descobriram um caminho, uma corrente de processos que é desencadeada no GATA2 (por isso o chamam de gene mestre), e que chega às fases que influem na proliferação celular”.

Essas reações em cadeia envolvem em cada passo novos genes (ou suas proteínas, que é o que de fato atua). Nessa sucessão de processos é importante o IGF2, outra das proteínas (neste caso, um fator de crescimento) envolvidas. Isso se deve, entre outras causas, ao fato de que já há medicamentos que são bem tolerados pelas pessoas e que o inibem. “O problema é que não basta frear o câncer; há que arrematá-lo”, exemplifica Domingo-Domenech para explicar que o uso desses medicamentos não é suficiente para curar ou combater esse câncer. A ideia é misturá-lo com a  quimioterapia. “Estamos no processo de projetar o estudo clínico para provar em breve a combinação em pacientes e gostaríamos que nesse estudo participassem centros hospitalares espanhóis”, diz o oncologista.

Mas o descobrimento do gene é só uma parte dos avanços do grupo de Domingo-Domenech, que ressalta que entre os autores do artigo há outros oito cientistas espanhóis que trabalham em centros norte-americanos. Parte importante do desenvolvimento conta com uma ajuda extra: a possibilidade de fabricar ratos que tenham o mesmo tumor que o paciente. “Isso já era conhecido, mas nós conseguimos fazê-lo de uma maneira muito mais eficaz”. Para simular um tumor num animal, era preciso  realizar uma cirurgia no paciente doente para obter suas células malignas. “Isto era custoso e perigoso, e nem sempre podia ser feito”, explica o médico. O que a equipe conseguiu foi encontrar as células tumorais do sangue periférico dos pacientes. “É um procedimento bastante simples e barato”, afirma. Para pescar essas células são usados marcadores de superfície, que identificam quais são oncológicas e quais não. Logo, com o resultado desta seleção, se inocula aos ratos para que gerem o câncer.

As vantagens deste procedimento são várias. “Trata-se de autêntica medicina personalizada”, diz o pesquisador, já que “cada paciente poderá ter um rato cobaia avatar”, com exatamente seu câncer. Além disso, o processo pode ser repetido nas vezes que fizer falta. “Muitas vezes se toma uma amostra do paciente no início, quando tem um tumor primário, mas se este progride e se torna maligno, não o temos e, além disso, pode ser que o doente esteja tão frágil que não uma amostra não possa ser tomada outra vez”.

Com a geração de ratos cobaia com o mesmo câncer que cada paciente, podem ser testados neles os tratamentos antes de aplicá-los no paciente. “Agora que se fala tanto de quão caros são os fármacos, é uma medida de autêntica economia, porque assim evita-se dar a eles medicamentos que não vão ser úteis”, afirma Domingo-Doménech. A técnica é “tão simples que já está se testando para usá-la nos outros tipos de câncer mais frequentes, como o de mama, pulmão e cólon”, diz.

“Este método está muito relacionado com a chamada biopsia líquida, que consiste em fazer o seguimento de um tumor a partir das células no sangue. Segundo disse Eduardo Díaz-Rubio, chefe do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Clínico San Carlos de Madrid, em umas jornadas sobre câncer organizadas pelo Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO) na semana passada, esta técnica das biopsias líquidas é uma das ferramentas mais potentes que se espera que sejam incorporadas ao tratamento de câncer”, conclui o artigo do El País.

Fonte – Jornal do Brasil

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