Infelizmente as autoridades não estão dando a devida atenção para os graves problemas dos conflitos pela posse da terra e da água. Nem mesmo a advertência feita pela Comissão Pastoral da Terra, de que o Maranhão é a segunda unidade da federação com o maior número de assassinatos, motivaram ações concretas com vistas ao enfrentamento de um dos problemas mais sérios em todas as regiões do Estado.
A participação da Fetaema na administração estadual acabou por inibir a ação critica que tinha das instituições públicas quanto ao grave problema e Fetraf tem se valido de um silêncio omisso, além de que a Comissão Pastoral da Terra tem enfrentado dificuldades para uma mobilidade maior no meio rural, mas mesmo assim procura realizar um trabalho de superação.
A Diocese de Coroatá, desde o saudoso bispo Dom Reinaldo Punder, o atual Dom Sebastião Bandeira, tem se constituído em força viva em defesa de direitos e dignidade de trabalhadores e trabalhadoras rurais dos municípios integrantes da sua área de ação. A maior onda de violência está concentrada nos municípios de Codó e Timbiras, sendo que no primeiro a questão é mais acentuada pelo envolvimento de políticos de grande suporte no poder e que contam com a participação do aparelho policial, que oprime homens e mulheres e por inúmeras vezes já ameaçaram padres da Igreja Católica.
Não é segredo para ninguém que por trás dos conflitos que já resultaram em mortes, incêndios de casas e de uma Igreja Católica, prisões arbitrárias e até expulsões de famílias de posseiros seculares. A questão tomou proporções bem maiores pela corrupção na Superintendência do INCRA, durante os períodos em que foi administrada por prepostos do Partido dos Trabalhadores, o que inclusive proporcionou a que alguns deles se tornarem réus na Justiça Federal pela prática de improbidades. Os processos de desapropriações de áreas quilombolas e regularização fundiária foram engavetados, diante de acordos espúrios com políticos de Codó.
Por inúmeras vezes denunciei aqui, a violência com mortes de trabalhadores rurais, as ameaças de mortes feitas a religiosos. Os bispos Dom Reinaldo Punder e agora Dom Sebastião Bandeira, nunca se curvaram as ameaças e sem qualquer aparato de segurança vão as áreas de conflitos e existe um receio dos latifundiários, grileiros, empresários do agronegócio e seus políticos em fazer alguma coisa contra os religiosos, diante da repercussão e da força da Igreja Católica.
Se hoje existisse uma vontade politica para desapropriação das áreas quilombolas que são várias em Codó em Timbiras, o problema poderia ser atenuado, mas a resistência dos políticos e dos demais interessados é que as terras dos quilombos são preservadas com muitas reservas de madeira e recursos minerais e postergam através de meios escusos e favorecimentos com ações judiciais. Em outras áreas do Estado, as questões não são diferentes, em razão de que a proteção politica sempre favorece os infratores truculentos.
