
Os gestores da saúde descobriram um meio singular para acabar com as filas nos hospitais públicos e postos de atendimento médico nesta cidade. Aquelas filas imensas nas calçadas dos hospitais durante a noite sob a chuva ou a luz da lua, extinguiram-se de vez. Causavam impressão de atendimento desumano.
O cliente agora agenda sua consulta ou exame confortavelmente no recesso do seu lar, por telefone. Isto é, agendaria se fosse possível. Acontece que a marcação por telefone não funciona já que a demanda continua a aumentar, e a oferta de serviços não acompanha nem de longe esse crescimento.
Atualmente se não temos fila, também não temos atendimento. Continua tudo como dantes, mas com a aparência bem mais humanizada. Uma amiga tenta há mais de uma semana marcar consulta no PAM Diamante na cardiologia, sem sucesso.
Ofereci-me para ajudar. Há três dias passo as manhãs com dois telefones nos ouvidos tentando contato com esse tal setor de marcação de consultas. Telefones sempre ocupados ou chamam e ninguém atende.
Ontem ao meio dia quando consegui ser atendida pela primeira vez, a agenda já estava preenchida. Hoje a mesma coisa. As atendentes muito educadamente me informaram que elas às vezes não ouvem o toque por defeito nas linhas e que a direção está ciente deste fato.
Disseram-me também que estão estudando a possibilidade de dispor de uma gravação para informar o cliente sobre o andamento da marcação de consulta. Senti aquele friozinho na espinha. Já imaginaram? “No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados. Por favor, tente mais tarde.” Ou então: “Para marcar consulta na clínica médica, disque 1. Para endocrinologia, disque 2 . Cardiologia, disque 3. Plim, plom!
Informamos que a agenda da cardiologia encontra-se lotada. Por favor, tente novamente, amanhã.”
E pensar que temos que continuar a dar duro para arcar com assistência integral a saúde dos políticos, seus familiares e funcionários do alto escalão no Sirio-Libanês… Há quem critique a automedicação. Saibam que ela é praticada, não por displicência do indivíduo com sua saúde, mas por verdadeiro instinto de preservação da vida. O único senão é que às vezes isso também dá errado.
Maria de Fátima Borges
Defensora da Dignidade Humana